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A turma do panetone

Claro, todos têm o direito de defesa. O governador de Brasília, José Roberto Arruda (DEM) começou exercendo o seu ao explicar aquele dinheiro vivo

Carlos Brickmann
02/12/2009 | 00:00
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Claro, todos têm o direito de defesa. O governador de Brasília, José Roberto Arruda (DEM) começou exercendo o seu ao explicar aquele dinheiro vivo com a magnífica história da compra de panetones. Mas, já reza o ditado, uma imagem vale 1.000 palavras. Quantas palavras serão necessárias para compensar os vídeos? O presidente Lula, com muita habilidade, lembrou que a legislação eleitoral praticamente obriga os políticos a trabalhar com dinheiro não contabilizado. Atinge, simultaneamente, dois objetivos: retoma a discussão da reforma eleitoral e ajuda a manter Arruda no reino político dos mortos-vivos, enfraquecendo o DEM, o mais ruidoso dos partidos de oposição (e, por tabela, o candidato do PSDB, seja Aécio ou Serra, que têm garantido o apoio do DEM). Na área da lei eleitoral, Lula tem toda razão. Um candidato a deputado estadual por São Paulo que não tenha nicho fixo de eleitores gastará no mínimo R$ 2 milhões na campanha (e receberá, em quatro anos de mandato, no máximo a metade disso). Ou se barateia a campanha ou sempre haverá explicação para a roubalheira - quer dizer, para o dinheiro não contabilizado. Talvez haja candidatos que só buscam caixa 2 para a campanha; mas número muito maior ficará com parte do que for arrecadado. E grande contingente só se candidatará para buscar o caixa 2. De qualquer forma, todos estarão fora da lei. E os menos incorretos estarão ao lado dos que são simplesmente sem-vergonhas. Quanto ao Feliz Natal da Turma do Panetone, será que alguém acredita neles?
1 - Os meios de comunicação salientam negativamente a cena em que integrante da Turma do Panetone coloca maços de dinheiro nas meias. Que injustiça! Onde é que Papai-Noel põe os presentes das crianças bem-comportadas?
2 - Passando por tantas chaminés, como Papai-Noel se manterá limpo?
3 - O governador José Roberto Arruda, numa ameaça explícita a seus companheiros de DEM, disse que se o partido radicalizar ele também radicalizará. Uma advertência importante: dizem que panetone faz muito mal quando azeda.

O PAÍS DO ‘ÃO'
Tivemos o Mensalão tucano, em Minas; o Mensalão petista, nacional (e a turma está de volta, menos, por enquanto, Delúbio Soares). Agora, em Brasília, o Panetonão. Qual o problema com PSDB, PT e DEM que rima com ‘ão'?

COINCIDÊNCIA, CLARO
Saiu no Painel da Folha: "Comunicado do chefe de gabinete Gilberto Carvalho informa que, a partir de agora, os ministros não poderão usar nenhum equipamento eletrônico em audiências com o presidente. Os aparelhos devem ser deixados na portaria ou com ajudantes de ordem". É justo: cavalheiros não gravam seus encontros. Mas que confiança comovente Lula tem nos seus ministros!

PÂNICO EM HONDURAS
Os EUA anunciaram o reconhecimento do novo governo hondurenho. Mas o presidente Lula diz que ele não reconhece nem as eleições. O terror se abate sobre o governo eleito hondurenho: diante da ameaça de Lula, nem com discursos do senador Suplicy os novos dirigentes de Honduras conseguirão dormir à noite.

UNIDOS NOS DIVIDIREMOS
Não, ninguém jamais imaginou que o PMDB vá unido para as eleições presidenciais, por mais que tenha recebido cargos e agrados para apoiar a candidatura oficial. O PMDB costuma dividir-se, em cada eleição, até por questão de tática: ganhe quem ganhe, o partido estará no poder, como sócio da vitória. Já estava certo, por exemplo, o apoio das seções paulista, pernambucana e catarinense a José Serra (que também tem boas chances de ganhar o apoio gaúcho e do Mato Grosso do Sul, e vislumbra alguma oportunidade de atrair os baianos, liderados por Geddel Vieira Lima, ministro de Lula). Agora surge nova tendência: a do candidato próprio, que seria o governador paranaense Roberto Requião. Quércia, que apoia Serra, afirma também apoiar Requião; e até Mangabeira Unger, que passou em um dia de inimigo a ministro de Lula, está com Requião.

UM DIA DEPOIS DO OUTRO
Mas tudo é PMDB. Orestes Quércia hostilizou Serra e seu grupo, que por isso saíram do PMDB e fundaram o PSDB; hoje estão aliados. Quércia e Requião tiveram briga histórica, em que Requião chegou a criar Disque-Quércia destinado a receber denúncias, e Quércia apelidou Requião de Maria Louca, "às vezes mais Louca do que Maria, às vezes mais Maria do que Louca".




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