Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 2 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

João Gilberto é só saudade

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cantor e compositor baiano morre aos 88 anos; o ‘maior de todos’ sempre será a alma da bossa nova


Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

07/07/2019 | 07:00


 Pai é quem cria, zela e ama. E João Gilberto (1931-2019) não largava seus filhos: o violão, o banquinho e a bossa nova. Artista baiano de Juazeiro, o cantor e compositor se despediu desse mundo ontem em casa, no Leblon, Rio de Janeiro. Tudo aconteceu no seu canto, sem alarde, discreto como foi em seus 88 anos de vida. Só a música mesmo para fazê-lo colocar a cara na rua, algumas vezes sob os holofotes. Os milhares de fãs do artista – lista com Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Betania, Tim Maia – agradecem a esses momentos de superação da timidez. João Gilberto mudou suas vidas.

Desde o lançamento do compacto de 1959 Chega de Saudade – faixa de mesmo nome composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes – começou uma revolução na música. “Ele foi o criador, ou melhor, a alma da bossa nova, que pode ser traduzida pela batida no violão e pelo jeito de cantar. No violão, sintetizou as batidas do surdo e do tamborim, reduzidos, na mão direita. No canto, reduziu os arroubos dos cantores do samba-canção e do bolero até chegar a um canto sutil. É referência importantíssima para entendermos a MPB (Música Popular Brasileira) depois da bossa nova”, explica Herom Vargas, doutor em comunicação e semiótica e professor de arte e cultura na Universidade Metodista.

A maneira discreta e marcante de cantar conquistou Edu Moreno, saxofonista e flautista de Santo André. “Foi um grande divisor da música, inovou. Em meio a tanta vozes potentes, trouxe algo mais enxuto, mas ao mesmo tempo, rebuscado, refinado. Garanto que a maior parte dos músicos foi influenciada por ele porque revolucionou todo o processo da arte”, diz.

A cantora da região Giselle Maria também ficou fascinada por João Gilberto ainda nos seus primeiros passos da carreira artística. “O controle que ele tinha na divisão rítmica – atrasava na voz e adiantava no violão, e depois fazia o contrário – foi o que mais me apeteceu nele. Sem contar na batida da bossa, pequena na mão direita. Até hoje levo isso comigo. É uma perda muito grande, mas João deixa um legado maior ainda, e não só para a música brasileira, mas para a mundial. Nós, artistas, somos muito gratos.”

João Gilberto teve três filhos – João Marcelo, Bebel e Luísa. “Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda de sua soberania”, disse João, cujo pai já enfrentava alguns problemas de saúde. Mesmo com a chegada implacável da idade, os íntimos afirmam que os dedos leves e talentosos do músico continuavam a carinhar o violão e os ouvidos dos poucos que estavam por perto. Som baixinho, mas único. “Melhor que o silêncio, só João”, disse sabiamente certa vez um tal de Caetano Veloso.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;