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Tápias confirma Gros para presidência do BNDES


Do Diário do Grande ABC

23/02/2000 | 13:10


O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, confirmou, em entrevista coletiva, que o economista Francisco Gros será o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Tápias, a decisao de substituir Andrea Calabi por Gros foi tomada há cerca de 15 dias e se deveu, basicamente, a duas questoes. A primeira, uma reestruturaçao que está sendo feita dentro do Ministério do Desenvolvimento; a segunda, uma "diferença de estilo" entre o ministro e Calabi. O ministro disse ainda que a decisao de afastar Calabi seria anunciada oficialmente nesta quarta "de maneira tranqüila", mas, em decorrência do vazamento da informaçao, na noite desta terça, ele teve de adiantar o anúncio para esta manha.

O presidente Fernando Henrique já concordou com a indicaçao de Gros e o economista já pediu sua saída do Morgan Stanley. Gros chegou ao Rio nesta quarta, vindo de Nova York. Ele se desligou do Banco Morgan, do qual era um dos principais executivos no Brasil. Tápias acredita que a posse poderá ser feita até o final da próxima semana.

Nesta tarde, será decidido se Calabi deixa a presidência ainda esta quarta e, caso isso ocorra, o interino será o vice-presidente, José Mauro.

Calabi perdeu o cargo por um conjunto de fatores que incluíam dificuldades nas suas relaçoes pessoais com o ministro. Além do comportamento autônomo em relaçao a Tápias, a atuaçao de Calabi vinha sendo criticada por grande parte da equipe econômica do governo. Esperava-se dele, segundo uma fonte de Brasília, mais resultados na conduçao do BNDES e menos "barulho" no debate político.

Foi importante também para a decisao de demití-lo o desconforto do presidente Fernando Henrique Cardoso com a quebra de hierarquia em um setor do governo considerado essencial para a retomada do crescimento econômico. Nao agradava também a setores do governo e do Congresso Nacional a desenvoltura das relaçoes que Calabi mantinha com seu amigo José Serra.

Calabi ficou chocado com a notícia, segundo o telejornal Bom dia Brasil, da Rede Globo. Ele afirmou que deixa o governo frustrado e atribui o seu afastamento a decisoes pessoais do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alcides Tápias, que deseja ter uma equipe própria.

Ele foi indicado para o cargo pelo ministro da Saúde, José Serra, quando Clóvis Carvalho assumiu o Ministério do Desenvolvimento. " Nao é questao de hierarquia. Nós dois tínhamos convergência de programa de governo. Talvez tenha sido uma questao de estilo", afirmou Calabi. O ministro é que deve ser perguntado sobre seus motivos", acrescentou.

Calabi lamentou a sua saída do cargo, no momento em que estava promovendo modificaçoes dentro do banco para um maior desempenho da instituiçao dentro dos programas do governo. "Fico com a preocupaçao de que a decisao do ministro nao tenha conseqüências maiores", observou.

Tápias e Calabi estiveram juntos durante quase todo o dia de terça, tomando parte inclusive da reuniao do Conselho Nacional de Desestatizaçao (CND) na qual foi definida a venda das açoes da Petrobrás que excedam o percentual necessário para garantir o controle da empresa pela Uniao.

Depois do anúncio da decisao, os dois foram no mesmo carro do Palácio do Planalto até a sede do Ministério do Desenvolvimento. Ao chegar lá, tiveram uma reuniao reservada.

Alcides Tápias passa a assumir a Presidência do Conselho de Administraçao do BNDES, cargo que era ocupado pelo secretário-executivo do Ministério. Essa alteraçao é resultado do sucesso verificado em experiência semelhante, na Petrobras, onde o conselho passou a ser administrado pelo ministro de Minas e Energia.

Consultoria - As diferenças entre os dois começaram a ficar claras com a discussao sobre a possibilidade de o BNDES conceder crédito a empresas estrangeiras, hipótese rejeitada por Tápias e admitida por Calabi. Recentemente surgiram desavenças baseadas na assessoria que a Consemp - consultoria da qual Calabi é sócio - prestara aos irmaos Frering, ex-controladores do Projeto Jari, cuja operaçao de venda está sendo financiada pelo BNDES.

Calabi confirmou na noite desta terça que a Consemp realmente prestara assessoria aos Frehing, mas assegurou que o contrato tinha expirado antes de sua posse no comando do BNDES.

Outro motivo do desgaste de Calabi foi a participaçao do BNDES na compra da Copene em sociedade com o Grupo Ultra. A operaçao provocou reaçao vigorosa de outras empresas da área petroquímica que poderiam ter tentado participar do negócio caso tivessem obtido a mesma ajuda oficial.



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