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Petróleo, um tantinho assim

A lenda oficial acaba de completar cinco anos: em 21 de abril de 2006, o presidente Lula anunciou que, como


Carlos Brickmann

27/04/2011 | 00:00


 A lenda oficial acaba de completar cinco anos: em 21 de abril de 2006, o presidente Lula anunciou que, como nunca dantes na história deste país, o Brasil era autossuficiente em petróleo. E tinha mais: o álcool tinha dado tão certo que até mudou de nome para "etanol" e seria o combustível renovável, ecológico - nunca dantes na história do mundo um programa brasileiro tinha sido um exemplo para tantos países. E tinha mais: o petróleo do pré-sal, que jorrava com abundância sempre que era preciso afogar más notícias para o Governo, e que, como nunca dantes na história do Universo, colocaria o Brasil, se quisesse, na Opep, a organização dos riquíssimos países exportadores de petróleo.

Agora, aos fatos: neste ano, devemos importar US$ 18 bilhões de petróleo (no ano passado, as importações foram de US$ 13 bilhões). E aquela abundância de petróleo que nos colocaria na Opep, se quiséssemos, somada às importações, não está sendo suficiente para atender ao mercado: o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, diz que já há um estrangulamento do setor de combustíveis, "um apagão".

Ah, o álcool! Sabe aquela teimosia dos gringos, que produzem o antieconômico álcool de milho em vez de importar o etanol brasileiro de cana, produzido de maneira muito mais eficiente e barata? Pois é, estamos importando álcool americano. E nas bombas o tal etanol acaba saindo mais caro que a gasolina.

Problemas passageiros, diz o Governo. Mas, na dúvida, deixe o tanque cheio.

Mundo cruel

Que injustiça histórica! Neste último 21 de abril, Brasília completou 51 anos. E Lula já não era presidente para liderar as comemorações.

A volta de Maria Louca

O episódio em que o senador Roberto Requião, do PMDB paranaense, tomou o gravador de um jornalista, levou-o para seu gabinete, tirou o chip de memória e apoderou-se dele, só pode ter um desfecho: uma análise do Conselho de Ética, para apurar quebra do decoro parlamentar. Agressão, retenção de objeto pertencente a outra pessoa, violação do chip - é ético que ele mantenha o mandato?

E por que Requião ficou tão bravo? Educadamente, o repórter da Rádio Bandeirantes perguntou-lhe a respeito da aposentadoria que recebe como ex-governador do Paraná. A pensão aos ex-governadores foi cancelada pelo governador Beto Richa. Todos recorreram, foram derrotados no Tribunal de Justiça e apelaram. Requião apelou também no Senado, contra o repórter.

Fez lembrar a frase do ex-governador paulista Orestes Quércia: "O apelido dele é Maria Louca, às vezes mais louca do que Maria, às vezes mais Maria do que louca".

Tranquilize-se

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que durante a Copa e as Olimpíadas pode haver algum desconforto nos aeroportos, mas não caos. "Caos aéreo é algo que ficou para trás". Fiquemos sossegados, pois: Jobim é o mesmo ministro que, ao assumir o cargo, garantiu que iria aumentar o espaço entre as poltronas dos aviões. Como sabemos e vimos nesse caso, garantia de Jobim é para valer.

O homem certo...

O empresário gaúcho Jorge Gerdau Johannpeter, do grupo siderúrgico Gerdau, com usinas no Brasil e no Exterior, aceitou convite para trabalhar na reforma da administração federal, buscando maior eficiência. Gerdau é o coordenador-geral da Ação Empresarial, organização do setor privado que busca dar maior competitividade internacional ao Brasil, e lidera o Movimento Brasil Competitivo, que envolve empresas e centrais sindicais, como CUT e Contag. O MBC auxilia dez Estados e oito municípios no trabalho de melhoria de gestão pública.

...e seus colaboradores

Jorge Gerdau é competente e já provou isto. Mas será interessante vê-lo, no Governo, lidando com Édison Lobão, Pedro Novais, Ideli Salvatti, Guido Mantega. Fora o tempo que terá de perder decorando o nome de tanto ministro.

História estranha

Um brasileiro, Ricardo Costa, que reside legalmente nos Estados Unidos, foi envolvido numa história estranhíssima: acusado pela ex-esposa de molestar os filhos do casal, está preso há 855 dias, sem ser julgado (pela lei americana, o julgamento teria de acontecer no máximo em 150 dias). O juiz que cuida do caso fixou a fiança em US$ 75 milhões. Para que se tenha uma idéia, o astro do futebol americano O. J. Simpson, que antes já tinha sido acusado de matar a esposa, e que estava sendo processado por assalto a um hotel-cassino de Las Vegas, teve a fiança arbitrada em US$ 125 mil (mais tarde, foi dobrada para US$ 250 mil).

Por que a demora no julgamento? Por que fiança tão exorbitante? Por que o Itamaraty está em silêncio? Na visita de Obama ao Brasil, o caso foi citado?

O passado não passa

Nesta semana, Delúbio Soares, "o nosso Delúbio", como o chamava o presidente Lula, deve reentrar no PT, do qual era tesoureiro na época do Mensalão. E Hamilton Lacerda, líder do grupo que Lula chamou de "aloprados" por ter tentado vender dossiês falsos nas eleições, pode sair para vereador em São Caetano.



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Petróleo, um tantinho assim

A lenda oficial acaba de completar cinco anos: em 21 de abril de 2006, o presidente Lula anunciou que, como

Carlos Brickmann

27/04/2011 | 00:00


 A lenda oficial acaba de completar cinco anos: em 21 de abril de 2006, o presidente Lula anunciou que, como nunca dantes na história deste país, o Brasil era autossuficiente em petróleo. E tinha mais: o álcool tinha dado tão certo que até mudou de nome para "etanol" e seria o combustível renovável, ecológico - nunca dantes na história do mundo um programa brasileiro tinha sido um exemplo para tantos países. E tinha mais: o petróleo do pré-sal, que jorrava com abundância sempre que era preciso afogar más notícias para o Governo, e que, como nunca dantes na história do Universo, colocaria o Brasil, se quisesse, na Opep, a organização dos riquíssimos países exportadores de petróleo.

Agora, aos fatos: neste ano, devemos importar US$ 18 bilhões de petróleo (no ano passado, as importações foram de US$ 13 bilhões). E aquela abundância de petróleo que nos colocaria na Opep, se quiséssemos, somada às importações, não está sendo suficiente para atender ao mercado: o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, diz que já há um estrangulamento do setor de combustíveis, "um apagão".

Ah, o álcool! Sabe aquela teimosia dos gringos, que produzem o antieconômico álcool de milho em vez de importar o etanol brasileiro de cana, produzido de maneira muito mais eficiente e barata? Pois é, estamos importando álcool americano. E nas bombas o tal etanol acaba saindo mais caro que a gasolina.

Problemas passageiros, diz o Governo. Mas, na dúvida, deixe o tanque cheio.

Mundo cruel

Que injustiça histórica! Neste último 21 de abril, Brasília completou 51 anos. E Lula já não era presidente para liderar as comemorações.

A volta de Maria Louca

O episódio em que o senador Roberto Requião, do PMDB paranaense, tomou o gravador de um jornalista, levou-o para seu gabinete, tirou o chip de memória e apoderou-se dele, só pode ter um desfecho: uma análise do Conselho de Ética, para apurar quebra do decoro parlamentar. Agressão, retenção de objeto pertencente a outra pessoa, violação do chip - é ético que ele mantenha o mandato?

E por que Requião ficou tão bravo? Educadamente, o repórter da Rádio Bandeirantes perguntou-lhe a respeito da aposentadoria que recebe como ex-governador do Paraná. A pensão aos ex-governadores foi cancelada pelo governador Beto Richa. Todos recorreram, foram derrotados no Tribunal de Justiça e apelaram. Requião apelou também no Senado, contra o repórter.

Fez lembrar a frase do ex-governador paulista Orestes Quércia: "O apelido dele é Maria Louca, às vezes mais louca do que Maria, às vezes mais Maria do que louca".

Tranquilize-se

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que durante a Copa e as Olimpíadas pode haver algum desconforto nos aeroportos, mas não caos. "Caos aéreo é algo que ficou para trás". Fiquemos sossegados, pois: Jobim é o mesmo ministro que, ao assumir o cargo, garantiu que iria aumentar o espaço entre as poltronas dos aviões. Como sabemos e vimos nesse caso, garantia de Jobim é para valer.

O homem certo...

O empresário gaúcho Jorge Gerdau Johannpeter, do grupo siderúrgico Gerdau, com usinas no Brasil e no Exterior, aceitou convite para trabalhar na reforma da administração federal, buscando maior eficiência. Gerdau é o coordenador-geral da Ação Empresarial, organização do setor privado que busca dar maior competitividade internacional ao Brasil, e lidera o Movimento Brasil Competitivo, que envolve empresas e centrais sindicais, como CUT e Contag. O MBC auxilia dez Estados e oito municípios no trabalho de melhoria de gestão pública.

...e seus colaboradores

Jorge Gerdau é competente e já provou isto. Mas será interessante vê-lo, no Governo, lidando com Édison Lobão, Pedro Novais, Ideli Salvatti, Guido Mantega. Fora o tempo que terá de perder decorando o nome de tanto ministro.

História estranha

Um brasileiro, Ricardo Costa, que reside legalmente nos Estados Unidos, foi envolvido numa história estranhíssima: acusado pela ex-esposa de molestar os filhos do casal, está preso há 855 dias, sem ser julgado (pela lei americana, o julgamento teria de acontecer no máximo em 150 dias). O juiz que cuida do caso fixou a fiança em US$ 75 milhões. Para que se tenha uma idéia, o astro do futebol americano O. J. Simpson, que antes já tinha sido acusado de matar a esposa, e que estava sendo processado por assalto a um hotel-cassino de Las Vegas, teve a fiança arbitrada em US$ 125 mil (mais tarde, foi dobrada para US$ 250 mil).

Por que a demora no julgamento? Por que fiança tão exorbitante? Por que o Itamaraty está em silêncio? Na visita de Obama ao Brasil, o caso foi citado?

O passado não passa

Nesta semana, Delúbio Soares, "o nosso Delúbio", como o chamava o presidente Lula, deve reentrar no PT, do qual era tesoureiro na época do Mensalão. E Hamilton Lacerda, líder do grupo que Lula chamou de "aloprados" por ter tentado vender dossiês falsos nas eleições, pode sair para vereador em São Caetano.

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