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Eu estive lá

Com certeza vocês já viveram um momento, estiveram em algum lugar ou protagonizaram situação que lhe fez pensar e afirmar com orgulho "eu estive lá"


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

31/08/2011 | 00:00


Com certeza todos vocês já viveram um momento, estiveram em algum lugar ou protagonizaram alguma situação que lhe fez pensar e afirmar com orgulho "eu estive lá".

Foi esse sentimento que vivenciei no último sábado à noite. É importante dizer que acabamos valorizando aquilo que se alinha a nossa história, ou seja, que reforça aqueles valores que constituímos desde a infância, seja em virtude dos suportes e aprendizados que recebemos por parte da família e amigos, seja por conta de nossas paixões, estas frutos de sentimentos inexplicáveis que fazem com que nossa alma sorria diante de fenômenos simples porém, para nós, únicos.

Minha relação com o esporte paraolímpico é fruto de uma destas paixões sem explicação, mas extremamente prazerosas, que se renovam a cada oportunidade de acompanhar uma competição. No sábado, o que ocorreu foi a abertura das 3ª Paraolimpíadas Escolares. Imaginem mais de 1.000 jovens, com diferentes tipos de deficiência, oriundos de 25 Estados brasileiros, prontos para superar todos os limites em suas modalidades esportivas.

Ali, a cidadania e a equiparação de oportunidades foram o casal da noite. Ninguém estava preocupado se determinada pessoa tinha deficiência A ou B. As conversas eram todas no sentido de se buscar a melhoria do tempo, o melhor golpe dentre os adversários do peso, ou mesmo, a artilharia no campeonato. A banda, para os que não puderam ver, era composta por quatro cegos, e fez com que todos dançassem, cada um à sua forma, antes, durante e depois do evento.

Costumo dizer que o esporte paraolímpico produz a magia da inclusão às avessas. O ídolo então não necessariamente é o mais forte, o perfeito, o inquestionável, se é que essas figuras realmente existam. Assim, pudemos viver no Brasil momentos em que toda a população pôde vibrar com as medalhas de Antônio Tenório, o tetracampeão de Judô cego, que não precisou enxergar para ser exemplo para milhares de crianças das mais diversas classes sociais.

Ontem, dia 30 de agosto, foi o encerramento do evento. Conhecemos os estados vencedores, e mais uma vez, o ambiente de festa tomou conta da competição. Muitos atletas, aliás, a maioria não esteve entre o hall dos principais vencedores. Todos, no entanto, saíram de lá com a sensação clara de missão comprida.

É fato que ninguém gosta de perder, e que esse sentimento no esporte é ainda mais reforçado. A diferença, nesse caso, é que todos os envolvidos têm a clareza de sua contribuição, para que no final das contas o vencedor principal seja a sociedade como um todo. Uma sociedade mais justa, menos preconceituosa, mais respeitosa e menos excludente. Uma sociedade verdadeiramente campeã.



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Eu estive lá

Com certeza vocês já viveram um momento, estiveram em algum lugar ou protagonizaram situação que lhe fez pensar e afirmar com orgulho "eu estive lá"

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

31/08/2011 | 00:00


Com certeza todos vocês já viveram um momento, estiveram em algum lugar ou protagonizaram alguma situação que lhe fez pensar e afirmar com orgulho "eu estive lá".

Foi esse sentimento que vivenciei no último sábado à noite. É importante dizer que acabamos valorizando aquilo que se alinha a nossa história, ou seja, que reforça aqueles valores que constituímos desde a infância, seja em virtude dos suportes e aprendizados que recebemos por parte da família e amigos, seja por conta de nossas paixões, estas frutos de sentimentos inexplicáveis que fazem com que nossa alma sorria diante de fenômenos simples porém, para nós, únicos.

Minha relação com o esporte paraolímpico é fruto de uma destas paixões sem explicação, mas extremamente prazerosas, que se renovam a cada oportunidade de acompanhar uma competição. No sábado, o que ocorreu foi a abertura das 3ª Paraolimpíadas Escolares. Imaginem mais de 1.000 jovens, com diferentes tipos de deficiência, oriundos de 25 Estados brasileiros, prontos para superar todos os limites em suas modalidades esportivas.

Ali, a cidadania e a equiparação de oportunidades foram o casal da noite. Ninguém estava preocupado se determinada pessoa tinha deficiência A ou B. As conversas eram todas no sentido de se buscar a melhoria do tempo, o melhor golpe dentre os adversários do peso, ou mesmo, a artilharia no campeonato. A banda, para os que não puderam ver, era composta por quatro cegos, e fez com que todos dançassem, cada um à sua forma, antes, durante e depois do evento.

Costumo dizer que o esporte paraolímpico produz a magia da inclusão às avessas. O ídolo então não necessariamente é o mais forte, o perfeito, o inquestionável, se é que essas figuras realmente existam. Assim, pudemos viver no Brasil momentos em que toda a população pôde vibrar com as medalhas de Antônio Tenório, o tetracampeão de Judô cego, que não precisou enxergar para ser exemplo para milhares de crianças das mais diversas classes sociais.

Ontem, dia 30 de agosto, foi o encerramento do evento. Conhecemos os estados vencedores, e mais uma vez, o ambiente de festa tomou conta da competição. Muitos atletas, aliás, a maioria não esteve entre o hall dos principais vencedores. Todos, no entanto, saíram de lá com a sensação clara de missão comprida.

É fato que ninguém gosta de perder, e que esse sentimento no esporte é ainda mais reforçado. A diferença, nesse caso, é que todos os envolvidos têm a clareza de sua contribuição, para que no final das contas o vencedor principal seja a sociedade como um todo. Uma sociedade mais justa, menos preconceituosa, mais respeitosa e menos excludente. Uma sociedade verdadeiramente campeã.

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