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A valorização imobiliária no Brasil

Segundo pesquisa do site Global Property Guide, que auxilia investidores, em 2011, nosso País teve valorização de 27,82% ante 2010


Cláudio Conz

08/03/2012 | 00:00


Você tem a impressão de que os imóveis andaram se valorizando muito nos últimos anos, certo? Pois é verdade, nos últimos cinco anos, em São Paulo, eles mais que dobraram de preço, o que os tornaram excelente negócio para quem quer investir. Segundo pesquisa realizada pelo site Global Property Guide, que auxilia investidores internacionais do ramo, no ano passado, nosso País teve valorização imobiliária nominal de 27,82% em relação a 2010, ficando atrás apenas da Índia, cujo índice ficou em 35,77%.

Esse ranking avaliou o desempenho imobiliário de 35 países e apontou que o que acontece no Brasil e na Índia é bem diferente do que está ocorrendo nos demais países do mundo. Descontada a inflação da variação dos preços, 22 dos 35 países registraram queda nos valores dos imóveis. Em 21 deles, o desempenho foi ainda pior que em 2010.

A explicação dos especialistas para esse fenômeno envolve, sem dúvida, a crise mundial, que gera falta de confiança do consumidor, desemprego e a preocupação com o alto endividamento dos países ricos. No Brasil, o que vemos, ao contrário, é uma situação extremamente favorável. Em relação aos outros países, nossa economia está bem. Os níveis de emprego são os melhores dos últimos anos. O BC (Banco Central) passa por um ciclo de redução das taxas de juros, o que é positivo para o mercado imobiliário.

Como já comentei nesta coluna em outra oportunidade, o volume de negociações nas imobiliárias disparou. Isso sem falar dos investidores estrangeiros. De acordo com dados que andei observando, grandes imobiliárias brasileiras tiveram seu faturamento de negócios com os estrangeiros dobrado nos últimos anos. Na Sotheby's International Realty, braço imobiliário da casa de leilões inglesa, por exemplo, as vendas devem quadruplicar até o fim do ano, chegando a R$ 400 milhões aqui no Brasil.

Segundo a imobiliária, que é especializada em imóveis de luxo, o Brasil é hoje o terceiro país mais consultado em seu site de vendas, atrás apenas de Estados Unidos e Inglaterra. A taxa de retorno para quem investe por aqui é bastante positiva, com uma média de cerca de 12% ao ano, o dobro da Alemanha, por exemplo. E nosso preço ainda é baixo, se comparado a outros países do mundo. Tudo isso colabora para o valor subir.

Temos tido incentivos no setor da construção. Desoneração de impostos dos produtos, como é o caso do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), programas de habitação para os menos favorecidos, como é o caso do Minha Cada Minha Vida, tudo isso aquece o mercado em sua base. Assim, a demanda por imóveis anda muito forte.

E a tendência é de que essa valorização se mantenha. Temos espaço para que o crédito imobiliário se expanda. Avançamos um pouco nesse sentido, mas nosso crédito disponível ainda é muito baixo, se compararmos a outros países. No Brasil, o valor total dos empréstimos para compras de imóveis soma perto de 4% do PIB, enquanto que em países como México, temos 18% e Chile, 11%. Além disso, o financiamento aqui ainda é caro, custam ao menos 11% ao ano, contra 4% no Exterior.

Um outro ponto que também tende a puxar os preços para cima é a briga das incorporadoras pelos terrenos, especialmente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. A valorização desses acaba repassada para o preço dos imóveis novos. Além disso, outro aspecto que ajuda a manter a valorização imobiliária é que faltam imóveis comerciais no Brasil. O País está crescendo e faltam salas comerciais, galpões, enfim, diferentes tipos de instalações. Assim, muita demanda e pouca oferta, os preços.... sobem!

As construtoras argumentam também que o custo da construção tem ficado mais caro. O preço da mão de obra, a falta de profissionais qualificados, bem como a contratação das máquinas, e outros, têm subido ao longo dos anos, o que foi traduzido para o valor final dos imóveis, especialmente dos novos. A exceção são os materiais de construção, cujos preços têm subido abaixo da inflação.

Essas são algumas das razões para que os custos dos imóveis aqui fiquem mais caros. A alta taxa de juros, os impostos, tudo isso contribui para que muitas coisas sejam mais caras no Brasil, inclusive os imóveis. Como integrante do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) da Presidência da República, temos discutido esse tema.



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A valorização imobiliária no Brasil

Segundo pesquisa do site Global Property Guide, que auxilia investidores, em 2011, nosso País teve valorização de 27,82% ante 2010

Cláudio Conz

08/03/2012 | 00:00


Você tem a impressão de que os imóveis andaram se valorizando muito nos últimos anos, certo? Pois é verdade, nos últimos cinco anos, em São Paulo, eles mais que dobraram de preço, o que os tornaram excelente negócio para quem quer investir. Segundo pesquisa realizada pelo site Global Property Guide, que auxilia investidores internacionais do ramo, no ano passado, nosso País teve valorização imobiliária nominal de 27,82% em relação a 2010, ficando atrás apenas da Índia, cujo índice ficou em 35,77%.

Esse ranking avaliou o desempenho imobiliário de 35 países e apontou que o que acontece no Brasil e na Índia é bem diferente do que está ocorrendo nos demais países do mundo. Descontada a inflação da variação dos preços, 22 dos 35 países registraram queda nos valores dos imóveis. Em 21 deles, o desempenho foi ainda pior que em 2010.

A explicação dos especialistas para esse fenômeno envolve, sem dúvida, a crise mundial, que gera falta de confiança do consumidor, desemprego e a preocupação com o alto endividamento dos países ricos. No Brasil, o que vemos, ao contrário, é uma situação extremamente favorável. Em relação aos outros países, nossa economia está bem. Os níveis de emprego são os melhores dos últimos anos. O BC (Banco Central) passa por um ciclo de redução das taxas de juros, o que é positivo para o mercado imobiliário.

Como já comentei nesta coluna em outra oportunidade, o volume de negociações nas imobiliárias disparou. Isso sem falar dos investidores estrangeiros. De acordo com dados que andei observando, grandes imobiliárias brasileiras tiveram seu faturamento de negócios com os estrangeiros dobrado nos últimos anos. Na Sotheby's International Realty, braço imobiliário da casa de leilões inglesa, por exemplo, as vendas devem quadruplicar até o fim do ano, chegando a R$ 400 milhões aqui no Brasil.

Segundo a imobiliária, que é especializada em imóveis de luxo, o Brasil é hoje o terceiro país mais consultado em seu site de vendas, atrás apenas de Estados Unidos e Inglaterra. A taxa de retorno para quem investe por aqui é bastante positiva, com uma média de cerca de 12% ao ano, o dobro da Alemanha, por exemplo. E nosso preço ainda é baixo, se comparado a outros países do mundo. Tudo isso colabora para o valor subir.

Temos tido incentivos no setor da construção. Desoneração de impostos dos produtos, como é o caso do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), programas de habitação para os menos favorecidos, como é o caso do Minha Cada Minha Vida, tudo isso aquece o mercado em sua base. Assim, a demanda por imóveis anda muito forte.

E a tendência é de que essa valorização se mantenha. Temos espaço para que o crédito imobiliário se expanda. Avançamos um pouco nesse sentido, mas nosso crédito disponível ainda é muito baixo, se compararmos a outros países. No Brasil, o valor total dos empréstimos para compras de imóveis soma perto de 4% do PIB, enquanto que em países como México, temos 18% e Chile, 11%. Além disso, o financiamento aqui ainda é caro, custam ao menos 11% ao ano, contra 4% no Exterior.

Um outro ponto que também tende a puxar os preços para cima é a briga das incorporadoras pelos terrenos, especialmente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. A valorização desses acaba repassada para o preço dos imóveis novos. Além disso, outro aspecto que ajuda a manter a valorização imobiliária é que faltam imóveis comerciais no Brasil. O País está crescendo e faltam salas comerciais, galpões, enfim, diferentes tipos de instalações. Assim, muita demanda e pouca oferta, os preços.... sobem!

As construtoras argumentam também que o custo da construção tem ficado mais caro. O preço da mão de obra, a falta de profissionais qualificados, bem como a contratação das máquinas, e outros, têm subido ao longo dos anos, o que foi traduzido para o valor final dos imóveis, especialmente dos novos. A exceção são os materiais de construção, cujos preços têm subido abaixo da inflação.

Essas são algumas das razões para que os custos dos imóveis aqui fiquem mais caros. A alta taxa de juros, os impostos, tudo isso contribui para que muitas coisas sejam mais caras no Brasil, inclusive os imóveis. Como integrante do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) da Presidência da República, temos discutido esse tema.

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