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Tem boto novo na área

Nicole Dutra/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Conheça a Inia araguaiaensis, espécie encontrada recentemente por estudiosos nos rios Araguaia e Tocantins; a última descoberta desse tipo aconteceu em 1918


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

09/03/2014 | 07:00


 O homem ainda está longe de conhecer todas as espécies de animais e vegetais que habitam a Terra. Prova disso é a recente descoberta feita por cientistas da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) nos rios Araguaia e Tocantins. Eles encontraram novo boto, que ganhou o nome científico de Inia araguaiaensis. Até então, o baiji (Lipotes vexillifer) tinha sido o último golfinho de rio a ser achado, em 1918, no Rio Yangtze, na China.

Desde 2008, os estudiosos fazem pesquisas na região. Mas as primeiras evidências sobre o animal surgiram em 2009, quando uma carcaça foi achada na margem. Assim, mais informações passaram a ser coletadas e analisadas.

Provar que se tratava de nova espécie, no entanto, exigiu muito esforço. Os pesquisadores da Ufam realizaram vários testes e receberam ajuda de pescadores e do Batalhão Militar Ambiental. Para as análises genéticas, foram usados 32 animais, e outros quatro, achados mortos, para os estudos osteológicos (em que são feitas medições e contagem de ossos do crânio e esqueleto).

Ainda existem poucas informações sobre o boto-do-Araguaia. Sabe-se que habita rios, afluentes e áreas alagadas, como igapó e várzea (em que há bastante vegetação). Diferentemente dos golfinhos marinhos, tem focinho mais longo, que facilita a captura de pequenos peixes. Os olhos também são menores, pois se adaptaram às águas turvas, com pouca visibilidade. Além disso, as vértebras (ossos que formam a coluna vertebral) do pescoço não são fundidas (grudadas), possibilitando boa mobilidade e caça em ambientes estreitos.

AMEAÇA
Os cientistas acreditam que, atualmente, existam menos de 1.000 botos-do-Araguaia. Nesse caso, é possível que a espécie já esteja ameaçada de extinção. Entre os desafios que o animal enfrenta estão a diminuição do habitat – por causa principalmente da construção de hidrelétricas – e a poluição, gerada pelas atividades agropecuárias. Além disso, o mamífero é perseguido em muitos lugares por disputar peixes com os humanos.


Animais passam a vida toda na água


Botos e golfinhos são os mesmos animais; o nome só muda de acordo com a região. Assim, a mesma espécie pode ser chamada popularmente das duas formas, dependendo do lugar. No Norte, por exemplo, a palavra boto é mais comum.

Esses mamíferos aquáticos fazem parte do grupo dos cetáceos odontocetos (são parentes das cachalotes, jubartes, orcas e francas). Passam a vida sob a água – doce ou salgada –, tem dentes (diferentemente das grandes baleias) e corpo alongado e adaptado para o rápido deslocamento em rios e mares. O golfinho pode nadar a 40 km/h. É capaz ainda de mergulhar a 300 metros de profundidade e ficar 20 minutos sem buscar ar na superfície.

Os animais são muito inteligentes e, em geral, dóceis e brincalhões. Tamanho e peso variam entre as espécies; podem atingir de 1,5 m a 3,5 m de comprimento e de 45 kg a 500 kg. A expectativa de vida é de aproximadamente 35 anos.

Todos têm excelente sentido de ecolocalização ou biosonar. Como habitam ambientes com pouca luz e visibilidade, emitem sons que ao atingirem obstáculos voltam na forma de ecos. Desse modo, descobrem a direção, distância e se há algo no caminho.


Faltam informações sobre as espécies

Botos e golfinhos são ameaçados diariamente pelas ações do homem. Milhares de animais morrem ao ser capturados acidentalmente por redes e barcos de pesca. Outros são abatidos por disputarem peixes com humanos. Há ainda a destruição e poluição do meio ambiente e aumento do tráfego de embarcações nos rios e mares, que trazem grandes riscos aos bichos.

O problema é que nem os pesquisadores sabem ao certo o grau de ameaça dos animais, pois faltam muitas informações sobre eles. Entre as 69 espécies de pequenos cetáceos (grupo do qual golfinhos e botos fazem parte) reconhecidas pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), 40 aparecem como deficientes em dados. Sem mais detalhes científicos sobre os mamíferos, fica difícil desenvolver ações e projetos de preservação.

Enquanto isso, a população dos animais diminui. O baiji ou golfinho do Yangtze (Lipotes vexillifer), da China, não é visto desde 2004 e já é considerado a primeira espécie de cetáceo extinta pelo homem.


Conheça botos e golfinhos comuns no Brasil

Boto-vermelho ou boto-rosa (Inia geoffrensis) é encontrado apenas nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco (que passa pela Venezuela e Colômbia). Considerado o maior dos golfinhos de rio, o macho da espécie atinge até 2,55 m e 200 kg; a fêmea é um pouco menor, chegando a 2,25 m e 155 kg. Alimenta-se de aproximadamente 45 tipos diferentes de peixes. No entanto, há registros de que já tenha ingerido caranguejos e tartarugas.

Boto-cinza (Sotalia guianensis) aparece em grande parte da costa brasileira, desde o litoral do Pará até Santa Catarina. Tem coloração acinzentada no dorso (parte de cima) e as laterais mais claras. Já a área do ventre pode variar de rosada a cinza-clara, assim como acontece com o tucuxi (Sotalia fluviatilis). A espécie atinge até 2,2 m de comprimento e pesa, no máximo, 121 kg. Alimenta-se principalmente de peixes e lulas.

Golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), conhecido também como flíper, é encontrado em águas costeiras (mais rasas) e oceânicas (profundas) de todo o mundo, com exceção das regiões polares. Tem corpo bem desenvolvido e rostro (parte da frente, onde fica o ‘bico’) curto e largo. Mede entre 2,4 m e 4 m; pesa até 500 kg. A coloração é cinza-escura no dorso, clareando nas laterais e no ventre. Ingere peixes, lulas e crustáceos.

Golfinho-rotador (Stenella longirostris) vive nas zonas tropicais e subtropicais dos oceanos, no entorno de ilhas oceânicas (como Fernando de Noronha, no Brasil) e atóis (ilhas formadas por recifes de corais no meio do mar). O rostro é longo e fino. Pode atingir 2,4 m e pesar 95 kg. Tem dorso cinza-escuro. Uma mancha escura vai dos olhos até o rostro, e uma faixa cinza-clara segue dos olhos em direção às nadadeiras. Alimenta-se de peixes, lulas e crustáceos.


Saiba mais

O golfinho-nariz-de-garrafa costuma usar esponjas marinhas para procurar e desenterrar alimentos no fundo do mar.

O golfinho-rotador tem esse nome por causa dos saltos em forma de piruetas (girando várias vezes) que dá sobre a água.

O período de gestação de botos e golfinhos pode variar de dez a 17 meses! Em geral, nasce um filhote, que cria forte vínculo com a mãe e mama entre 12 e 36 meses.


Consultoria de Tomas Hrbek, professor de Biologia na Universidade Federal do Amazonas; Fábia Luna, PhD em Oceanografia e coordenadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; e Renata Guedes, bióloga da Fundação Mamíferos Aquáticos.



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Tem boto novo na área

Conheça a Inia araguaiaensis, espécie encontrada recentemente por estudiosos nos rios Araguaia e Tocantins; a última descoberta desse tipo aconteceu em 1918

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

09/03/2014 | 07:00


 O homem ainda está longe de conhecer todas as espécies de animais e vegetais que habitam a Terra. Prova disso é a recente descoberta feita por cientistas da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) nos rios Araguaia e Tocantins. Eles encontraram novo boto, que ganhou o nome científico de Inia araguaiaensis. Até então, o baiji (Lipotes vexillifer) tinha sido o último golfinho de rio a ser achado, em 1918, no Rio Yangtze, na China.

Desde 2008, os estudiosos fazem pesquisas na região. Mas as primeiras evidências sobre o animal surgiram em 2009, quando uma carcaça foi achada na margem. Assim, mais informações passaram a ser coletadas e analisadas.

Provar que se tratava de nova espécie, no entanto, exigiu muito esforço. Os pesquisadores da Ufam realizaram vários testes e receberam ajuda de pescadores e do Batalhão Militar Ambiental. Para as análises genéticas, foram usados 32 animais, e outros quatro, achados mortos, para os estudos osteológicos (em que são feitas medições e contagem de ossos do crânio e esqueleto).

Ainda existem poucas informações sobre o boto-do-Araguaia. Sabe-se que habita rios, afluentes e áreas alagadas, como igapó e várzea (em que há bastante vegetação). Diferentemente dos golfinhos marinhos, tem focinho mais longo, que facilita a captura de pequenos peixes. Os olhos também são menores, pois se adaptaram às águas turvas, com pouca visibilidade. Além disso, as vértebras (ossos que formam a coluna vertebral) do pescoço não são fundidas (grudadas), possibilitando boa mobilidade e caça em ambientes estreitos.

AMEAÇA
Os cientistas acreditam que, atualmente, existam menos de 1.000 botos-do-Araguaia. Nesse caso, é possível que a espécie já esteja ameaçada de extinção. Entre os desafios que o animal enfrenta estão a diminuição do habitat – por causa principalmente da construção de hidrelétricas – e a poluição, gerada pelas atividades agropecuárias. Além disso, o mamífero é perseguido em muitos lugares por disputar peixes com os humanos.


Animais passam a vida toda na água


Botos e golfinhos são os mesmos animais; o nome só muda de acordo com a região. Assim, a mesma espécie pode ser chamada popularmente das duas formas, dependendo do lugar. No Norte, por exemplo, a palavra boto é mais comum.

Esses mamíferos aquáticos fazem parte do grupo dos cetáceos odontocetos (são parentes das cachalotes, jubartes, orcas e francas). Passam a vida sob a água – doce ou salgada –, tem dentes (diferentemente das grandes baleias) e corpo alongado e adaptado para o rápido deslocamento em rios e mares. O golfinho pode nadar a 40 km/h. É capaz ainda de mergulhar a 300 metros de profundidade e ficar 20 minutos sem buscar ar na superfície.

Os animais são muito inteligentes e, em geral, dóceis e brincalhões. Tamanho e peso variam entre as espécies; podem atingir de 1,5 m a 3,5 m de comprimento e de 45 kg a 500 kg. A expectativa de vida é de aproximadamente 35 anos.

Todos têm excelente sentido de ecolocalização ou biosonar. Como habitam ambientes com pouca luz e visibilidade, emitem sons que ao atingirem obstáculos voltam na forma de ecos. Desse modo, descobrem a direção, distância e se há algo no caminho.


Faltam informações sobre as espécies

Botos e golfinhos são ameaçados diariamente pelas ações do homem. Milhares de animais morrem ao ser capturados acidentalmente por redes e barcos de pesca. Outros são abatidos por disputarem peixes com humanos. Há ainda a destruição e poluição do meio ambiente e aumento do tráfego de embarcações nos rios e mares, que trazem grandes riscos aos bichos.

O problema é que nem os pesquisadores sabem ao certo o grau de ameaça dos animais, pois faltam muitas informações sobre eles. Entre as 69 espécies de pequenos cetáceos (grupo do qual golfinhos e botos fazem parte) reconhecidas pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), 40 aparecem como deficientes em dados. Sem mais detalhes científicos sobre os mamíferos, fica difícil desenvolver ações e projetos de preservação.

Enquanto isso, a população dos animais diminui. O baiji ou golfinho do Yangtze (Lipotes vexillifer), da China, não é visto desde 2004 e já é considerado a primeira espécie de cetáceo extinta pelo homem.


Conheça botos e golfinhos comuns no Brasil

Boto-vermelho ou boto-rosa (Inia geoffrensis) é encontrado apenas nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco (que passa pela Venezuela e Colômbia). Considerado o maior dos golfinhos de rio, o macho da espécie atinge até 2,55 m e 200 kg; a fêmea é um pouco menor, chegando a 2,25 m e 155 kg. Alimenta-se de aproximadamente 45 tipos diferentes de peixes. No entanto, há registros de que já tenha ingerido caranguejos e tartarugas.

Boto-cinza (Sotalia guianensis) aparece em grande parte da costa brasileira, desde o litoral do Pará até Santa Catarina. Tem coloração acinzentada no dorso (parte de cima) e as laterais mais claras. Já a área do ventre pode variar de rosada a cinza-clara, assim como acontece com o tucuxi (Sotalia fluviatilis). A espécie atinge até 2,2 m de comprimento e pesa, no máximo, 121 kg. Alimenta-se principalmente de peixes e lulas.

Golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), conhecido também como flíper, é encontrado em águas costeiras (mais rasas) e oceânicas (profundas) de todo o mundo, com exceção das regiões polares. Tem corpo bem desenvolvido e rostro (parte da frente, onde fica o ‘bico’) curto e largo. Mede entre 2,4 m e 4 m; pesa até 500 kg. A coloração é cinza-escura no dorso, clareando nas laterais e no ventre. Ingere peixes, lulas e crustáceos.

Golfinho-rotador (Stenella longirostris) vive nas zonas tropicais e subtropicais dos oceanos, no entorno de ilhas oceânicas (como Fernando de Noronha, no Brasil) e atóis (ilhas formadas por recifes de corais no meio do mar). O rostro é longo e fino. Pode atingir 2,4 m e pesar 95 kg. Tem dorso cinza-escuro. Uma mancha escura vai dos olhos até o rostro, e uma faixa cinza-clara segue dos olhos em direção às nadadeiras. Alimenta-se de peixes, lulas e crustáceos.


Saiba mais

O golfinho-nariz-de-garrafa costuma usar esponjas marinhas para procurar e desenterrar alimentos no fundo do mar.

O golfinho-rotador tem esse nome por causa dos saltos em forma de piruetas (girando várias vezes) que dá sobre a água.

O período de gestação de botos e golfinhos pode variar de dez a 17 meses! Em geral, nasce um filhote, que cria forte vínculo com a mãe e mama entre 12 e 36 meses.


Consultoria de Tomas Hrbek, professor de Biologia na Universidade Federal do Amazonas; Fábia Luna, PhD em Oceanografia e coordenadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; e Renata Guedes, bióloga da Fundação Mamíferos Aquáticos.

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