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DVDs celebram dois mitos da música popular


João Marcos Coelho
Especial para o Diário

15/12/2003 | 20:00


A história da música popular do século XX não pode ser contada sem generosas referências a Ray Charles (1930) e Nat King Cole (1917-1965). O primeiro encarna há mais de meio século o soul; o segundo, morto há quase quarenta anos, fundiu simplicidade e profundidade, seja no seu incrível e pouco conhecido piano-jazz, seja em sua voz de veludo que encantou milhões de pessoas e rivalizou com Frank Sinatra.

A Movieplay está lançando dois DVDs nacionais dedicados a estes dois monumentos: um show de Ray Charles no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, e um tributo a Nat King Cole realizado em 1985, em Londres. Como o preço dos DVDs nacionais anda pela casa dos R$ 40, vale a pena levar, além do áudio, as imagens.

A falta de indicações mais precisas – não se informa, por exemplo, a data do show de Ray Charles em Montreux, e a escalação dos músicos de sua ótima big band só é dada nos créditos de ficha técnica – e a exploração mal feita dos mil e um recursos audiovisuais disponíveis em um DVD são muito sentidas pelo espectador. É uma pena que música de tanta excelência acabe tão mal embalada.

Ray Charles deita e rola em 18 números muito bons, distribuídos ao longo de 73 minutos, incluindo vários de seus sucessos, como Georgia on My Mind, Just for a Thrill, I Can’t Stop Lovin’ You e, claro, o encerramento oficial de todos os seus shows, What’d I Say. O melhor momento, porém, é um maravilhoso blues, Scotia Blues, no qual o gênio do soul improvisa em um teclado elétrico enquanto os músicos da banda marcam os tempos com palmas. Mas, como nem tudo é perfeito, a versão preguiçosa e mal-ajambrada da encantadora People Will Say We’re in Love decepciona (até porque não é música que ele cante habitualmente). Na contracapa do DVD há a indicação de que há entrevista com Ray Charles, biografia e notas finais. Só foi encontrada uma biografia ordinária com o letreiro estampado de um mau gosto de doer.

A Nightingale Sang..., o tributo a Nat King Cole que evoca no título um dos maiores sucessos do cantor – A Nightingale Sang in Berkeley Square, de Maschwitz e Sherwin –, não tem nenhum extra. É só música, durante 52 minutos. Música desigual, diga-se. Entre os convidados especiais estão Danny Williams, Valerie Masters, G.B. Blues Company, Lon Satton, Will Gainbes, Sol Raye e Nina Simone.

Precisa esclarecer o melhor do DVD? Nina, é claro. Quatro performances maravilhosas, quatro gemas autênticas da mais altiva e expressiva das divas negras do século XX. Ela começa com o que poderia ser uma definição de Nat: Young, Gifted and Black (o público ameaça acompanhar batendo palmas, mas ela arrogantemente, bem a seu modo, diz que não quer palmas de jeito nenhum). Em seguida um blues de arrepiar, Ain’t Got No... I Got Life. Gershwin assina Porgy, uma das canções-chaves da ópera Porgy and Bess que aqui recebe uma ótima interpretação. E a genial Nina Simone conclui com sua assinatura, Mississippi Goddam (aí, sim, não só diz que palmas são bem recebidas, mas leva o público a cantar o refrão).



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DVDs celebram dois mitos da música popular

João Marcos Coelho
Especial para o Diário

15/12/2003 | 20:00


A história da música popular do século XX não pode ser contada sem generosas referências a Ray Charles (1930) e Nat King Cole (1917-1965). O primeiro encarna há mais de meio século o soul; o segundo, morto há quase quarenta anos, fundiu simplicidade e profundidade, seja no seu incrível e pouco conhecido piano-jazz, seja em sua voz de veludo que encantou milhões de pessoas e rivalizou com Frank Sinatra.

A Movieplay está lançando dois DVDs nacionais dedicados a estes dois monumentos: um show de Ray Charles no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, e um tributo a Nat King Cole realizado em 1985, em Londres. Como o preço dos DVDs nacionais anda pela casa dos R$ 40, vale a pena levar, além do áudio, as imagens.

A falta de indicações mais precisas – não se informa, por exemplo, a data do show de Ray Charles em Montreux, e a escalação dos músicos de sua ótima big band só é dada nos créditos de ficha técnica – e a exploração mal feita dos mil e um recursos audiovisuais disponíveis em um DVD são muito sentidas pelo espectador. É uma pena que música de tanta excelência acabe tão mal embalada.

Ray Charles deita e rola em 18 números muito bons, distribuídos ao longo de 73 minutos, incluindo vários de seus sucessos, como Georgia on My Mind, Just for a Thrill, I Can’t Stop Lovin’ You e, claro, o encerramento oficial de todos os seus shows, What’d I Say. O melhor momento, porém, é um maravilhoso blues, Scotia Blues, no qual o gênio do soul improvisa em um teclado elétrico enquanto os músicos da banda marcam os tempos com palmas. Mas, como nem tudo é perfeito, a versão preguiçosa e mal-ajambrada da encantadora People Will Say We’re in Love decepciona (até porque não é música que ele cante habitualmente). Na contracapa do DVD há a indicação de que há entrevista com Ray Charles, biografia e notas finais. Só foi encontrada uma biografia ordinária com o letreiro estampado de um mau gosto de doer.

A Nightingale Sang..., o tributo a Nat King Cole que evoca no título um dos maiores sucessos do cantor – A Nightingale Sang in Berkeley Square, de Maschwitz e Sherwin –, não tem nenhum extra. É só música, durante 52 minutos. Música desigual, diga-se. Entre os convidados especiais estão Danny Williams, Valerie Masters, G.B. Blues Company, Lon Satton, Will Gainbes, Sol Raye e Nina Simone.

Precisa esclarecer o melhor do DVD? Nina, é claro. Quatro performances maravilhosas, quatro gemas autênticas da mais altiva e expressiva das divas negras do século XX. Ela começa com o que poderia ser uma definição de Nat: Young, Gifted and Black (o público ameaça acompanhar batendo palmas, mas ela arrogantemente, bem a seu modo, diz que não quer palmas de jeito nenhum). Em seguida um blues de arrepiar, Ain’t Got No... I Got Life. Gershwin assina Porgy, uma das canções-chaves da ópera Porgy and Bess que aqui recebe uma ótima interpretação. E a genial Nina Simone conclui com sua assinatura, Mississippi Goddam (aí, sim, não só diz que palmas são bem recebidas, mas leva o público a cantar o refrão).

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