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Gente do ABC - Mestre Nobuo Suga e a arte da paciência


Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

25/06/2006 | 08:02


A modéstia vem da descendência oriental. Já o modo expansivo e o sorriso fácil não escondem que trata-se de um brasileiro. Ele não gosta de ser chamado de mestre, apenas professor. Aos 78 anos, Nobuo Suga ainda faz o que mais gosta, praticar e ensinar a arte do judô. E com a vitalidade de um adolescente. Duas vezes por semana ele se reúne no tatame com seus discípulos para mostrar o que começou a aprender aos 13 anos. Entre os alunos, o mais novo tem seis anos e o mais velho, a idade do mestre.

Nobuo já perdeu a conta dos títulos conquistados, seja como praticante do esporte ou professor. Como mestre, treinou diversos atletas para disputas de campeonatos panamericanos, sulamericanos e jogos olímpicos. Como árbitro, participou de vários campeonatos, como o pré-olímpico de Judô de Montreal (Canadá), em 1975.

Morador de São Bernardo, Nobuo fala do passado como se muitos dos fatos tivessem ocorrido há poucos segundos, sinal de que a arte milenar faz mesmo bem não só para o corpo, como ele diz, mas também para a mente.

Apesar das tantas viagens que fez pelo mundo como árbitro internacional, lamenta apenas não ter voltado à terra natal, o Japão. “Vim de lá com seis meses e não voltei mais. Em duas oportunidades quase fui, mas os compromissos aqui no Brasil não deixaram.”

Nobuo conta que começou a praticar o judô – até 1880 considerada arte marcial – aos 13 anos e nunca mais parou. “Na época eu morava em Piraporinha (Diadema). Tinha um professor de uma colônia japonesa que dava aula para a gente, a maioria garotos, em um galpão na casa de um amigo.”

Segundo Nobuo, não há idade para se iniciar nem para encerrar os estudos do judô. “A partir do momento que passa a andar a criança começa a praticar e o idoso, enquanto puder andar, também”, disse, repetindo a frase de seu maior ídolo, o mestre Jigoro Kano, responsável pela transformação (em 1880), do jiu-jítsu em judô. “O jiu-jítsu era considerado arte marcial. Um golpe pode ser fatal. Ele (Jigoro) extraiu os golpes mais perigosos. O judô é usado como defesa pessoal, é a arte da paciência, do comportamento.”

Em 1996, Nobuo Suga recebeu da Confederação Brasileira de Judô o título 9º DAN (9º grau nos estudos da arte). “São muitos anos de estudo. O último é o 10º. São dez anos de estudo em cada DAN, a partir do 6º. Poucas pessoas no mundo têm esse título. Enquanto tiver saúde vou continuar. Quem sabe chego lá”, sorri. E a família? Sim, filhos e netos também são praticantes. A arte, explica Nobuo, nasceu há mais de dois mil anos em função dos conflitos territoriais e políticos entre os imperadores.


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Gente do ABC - Mestre Nobuo Suga e a arte da paciência

Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

25/06/2006 | 08:02


A modéstia vem da descendência oriental. Já o modo expansivo e o sorriso fácil não escondem que trata-se de um brasileiro. Ele não gosta de ser chamado de mestre, apenas professor. Aos 78 anos, Nobuo Suga ainda faz o que mais gosta, praticar e ensinar a arte do judô. E com a vitalidade de um adolescente. Duas vezes por semana ele se reúne no tatame com seus discípulos para mostrar o que começou a aprender aos 13 anos. Entre os alunos, o mais novo tem seis anos e o mais velho, a idade do mestre.

Nobuo já perdeu a conta dos títulos conquistados, seja como praticante do esporte ou professor. Como mestre, treinou diversos atletas para disputas de campeonatos panamericanos, sulamericanos e jogos olímpicos. Como árbitro, participou de vários campeonatos, como o pré-olímpico de Judô de Montreal (Canadá), em 1975.

Morador de São Bernardo, Nobuo fala do passado como se muitos dos fatos tivessem ocorrido há poucos segundos, sinal de que a arte milenar faz mesmo bem não só para o corpo, como ele diz, mas também para a mente.

Apesar das tantas viagens que fez pelo mundo como árbitro internacional, lamenta apenas não ter voltado à terra natal, o Japão. “Vim de lá com seis meses e não voltei mais. Em duas oportunidades quase fui, mas os compromissos aqui no Brasil não deixaram.”

Nobuo conta que começou a praticar o judô – até 1880 considerada arte marcial – aos 13 anos e nunca mais parou. “Na época eu morava em Piraporinha (Diadema). Tinha um professor de uma colônia japonesa que dava aula para a gente, a maioria garotos, em um galpão na casa de um amigo.”

Segundo Nobuo, não há idade para se iniciar nem para encerrar os estudos do judô. “A partir do momento que passa a andar a criança começa a praticar e o idoso, enquanto puder andar, também”, disse, repetindo a frase de seu maior ídolo, o mestre Jigoro Kano, responsável pela transformação (em 1880), do jiu-jítsu em judô. “O jiu-jítsu era considerado arte marcial. Um golpe pode ser fatal. Ele (Jigoro) extraiu os golpes mais perigosos. O judô é usado como defesa pessoal, é a arte da paciência, do comportamento.”

Em 1996, Nobuo Suga recebeu da Confederação Brasileira de Judô o título 9º DAN (9º grau nos estudos da arte). “São muitos anos de estudo. O último é o 10º. São dez anos de estudo em cada DAN, a partir do 6º. Poucas pessoas no mundo têm esse título. Enquanto tiver saúde vou continuar. Quem sabe chego lá”, sorri. E a família? Sim, filhos e netos também são praticantes. A arte, explica Nobuo, nasceu há mais de dois mil anos em função dos conflitos territoriais e políticos entre os imperadores.

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