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Rhodia completa 100 anos e anuncia investimento de R$ 10 mi em Santo André

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

A partir de 2020, empresa deve iniciar aporte para a modernização da indústria têxtil localizada na Avenida dos Estados


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

27/11/2019 | 07:00


Fundada em Santo André, em 1919, a Rhodia chega aos 100 anos mais enxuta na região, depois que a planta química foi desativada em 2013 e a de São Bernardo passa por processo de transição para ser assumida pela Basf (leia mais abaixo). Porém, segue investindo em tecnologia. A partir de 2020, a empresa deve iniciar aporte no valor de R$ 10 milhões para a modernização da indústria têxtil localizada na Avenida dos Estados.

Atualmente, são 600 funcionários diretos que atuam na planta da região, que é responsável pela fabricação de fios e fibras têxteis funcionais e sustentáveis de poliamida. Na década de 1980, a empresa chegou a ter 10 mil funcionários na cidade. Isso porque, anteriormente, o complexo abrigava confecções. Agora, está presente no início da cadeia produtiva da moda, com a produção de fios.

O carro-chefe da unidade fabril têxtil, que é responsável por aproximadamente 30% do faturamento nacional da empresa, é o desenvolvimento do amni soul cycle, fio biodegradável e reciclável, e amni dynamuic, fio de secagem rápida, utilizado principalmente na confecção de peças esportivas. A fábrica também produz o emana, fio que possui tecnologia de raios infravermelhos longos, que converte o calor do corpo humano em benefícios para a pele e desempenho esportivo. Além disso, a unidade exporta polímero de poliamida e tecnologias para países da Ásia e Europa.

De acordo com a presidente do Grupo Solvay na América Latina, que desde 2011 adquiriu a operação da Rhodia, Daniela Manique, os investimentos são focados na aproximação da planta da indústria 4.0, com a modernização do parque industrial. “O nosso ponto é trazer desenvolvimento e crescimento para a planta (de Santo André). A gente acabou de aprovar essa parte de digital, para deixá-la ainda mais moderna e mais competitiva. O ponto é trazer a ampliação dos negócios”, afirmou.

O vice-presidente global de fibras e poliamida da Rhodia, Renato Boaventura. disse que a empresa chega aos 100 anos em novo ciclo, com foco no desenvolvimento sustentável. “Cumprimos ciclo lá atrás de expansão de trazer produções ao Brasil. Hoje, é ciclo de desenvolvimento de novas tecnologias e novos materiais”, pontuou ele, citando que tudo pode ser feito de modo sustentável com “reúso da água, redução de emissão de gases de dióxido de carbono e economia circular”. “Temos outros desafios e estamos liderando essas transformações no mercado têxtil.”

Unidade de São Bernardo será absorvida pela Basf até o 1º trimestre

Até o fim do primeiro trimestre está prevista a transferência completa do negócio de poliamida da Solvay para a Basf, de São Bernardo. No município são-bernardense, o grupo Solvay, no qual a Rhodia está inclusa, fabricava polímero de poliamida ao mercado automotivo.

Vice-presidente global de fibras e poliamida da Rhodia, Renato Boaventura descartou que a negociação tenha como mote a redução da atividade automotiva no Grande ABC. Ele citou que a região conta com parques fabris de larga extensão, não condizentes com os modelos nas indústrias. Boaventura também reclamou da guerra fiscal promovida por outros Estados e municípios.

“Temos de trabalhar com a competitividade do País. Acabar com a guerra fiscal, reduzir o custo da energia e do gás no País, cortar o custo dos encargos na mão de obra. Assim você vira competitivo mundialmente e acaba com essa loucura que é essa guerra”, disse.

Em nota, a Basf discorreu que o acordo com a Solvay foi firmado em setembro de 2017 e, em janeiro deste ano, a comissão europeia aprovou a transação. “Um plano de integração detalhado está em desenvolvimento, utilizando toda a experiência da Basf com aquisições e integrações bem-sucedidas. A companhia está ansiosa para integrar a experiência, know-how e competência da Solvay para trabalhar em busca de excelência empresarial e operacional.”

História da fábrica se confunde com a consolidação da moda brasileira

A Rhodia foi fundada em 19 de dezembro de 1919 em Santo André, como filial do grupo francês Rhône-Poulenc, para fabricação de químicos e farmacêuticos, tendo o lança-perfume como seu primeiro produto. Com o início da produção têxtil na cidade, em 1929, o grupo se consolidou como um dos principais impulsionadores da moda nacional.

A primeira fibra feita na planta de Santo André foi a artificial rayon viscose. Em 1936, a Valisère foi instalada na fábrica para a produção de peças femininas (a empresa ficou em poder da Rhodia até 1986). Em 1954, os funcionários da multinacional criam a cooperativa de consumo Coop Rhodia, a atual rede de supermercados Coop.

Em 1955, o grupo obteve a licença internacional para produzir o náilon. Assim, a empresa dava os primeiros passos no protagonismo da história da moda brasileira.

Na década de 1960, tiveram início famosas campanhas nacionais e internacionais – nas quais modelos eram levadas a outros países com vestidos de tecidos coloridos, produzidos em Santo André – assim como patrocínio dos primeiros festivais da música brasileira.

Nos anos 1980, a empresa chegou a manter 10 mil funcionários na cidade. Atualmente são 2.200 empregados da Rhodia em todo o Brasil e 600 na região. Na época, o estilista Dener Pamplona de Abreu, morto em 1978 e considerado um dos criadores da alta-costura brasileira, produzia peças para os desfiles da Rhodia na Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil), espécie de São Paulo Fashion Week da década de 1960. Dener foi o estilista da primeira-dama Maria Thereza Goulart, casada com João Goulart. A dupla foi responsável por disseminar a valorização das peças nacionais, já que até então o consumo da alta-costura era baseado em padrões europeus.

Algumas décadas depois, em 1992 teve início a produção de microfibras têxteis de poliamida, passo inicial para a produção de tecidos inteligentes. Em 1998, houve a separação de negócios do grupo francês. A fusão entre a Rhodia com o grupo Solvay aconteceu em 2011. 



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