Fechar
Publicidade

Quarta-Feira, 8 de Abril

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Nacional

nacional@dgabc.com.br | 4435-8301

Eveline Fontenelle: pioneira no ar


Roney Domingos
Do Diário do Grande ABC

12/02/2006 | 09:35


Cabelo fashion, olhos verdes e voz suave, Eveline Borges Fontenelle, 34 anos, trai a aparência. Irmã de pára-quedista, ela iniciou a carreira de piloto aos 17 anos no Aeroclube do Recife. Foi piloto do governo de Pernambuco, voou sete anos como co-piloto da Transbrasil e estudou muito. “Posso falar que é o máximo da carreira. É o que um piloto trabalha para conseguir. Ninguém começa para ficar como co-piloto a vida inteira”, afirma a comandante. Eveline é a primeira comandante na América Latina do Boeing 767-300 F, aeronave tipo wide body (corpo largo) que figura na categoria de maior cargueiro em operação no país.   

Ela carrega sua nécessaire com batom, esmalte e rímel, enquanto colegas homens, provavelmente não todos, se restringem às escovas de dentes e de cabelos. Mas a comandante minimiza o choque dentro e fora do avião ao falar sobre a responsabilidade diária de fazer o cargueiro de US$ 89 milhões cruzar os céus da América. “Não é um trabalho braçal. É que estamos mais acostumados a ver homens exercendo esta profissão.”

Na primeira viagem como comandante, chefiou a tripulação composta pelo diretor de operações da empresa, Francisco Cancherini, e os co-pilotos Eduardo Alcaraz e Alex Carvalho. “As pessoas não estão acostumadas a conviver com mulheres na cabine. Depois fica uma coisa natural.” Em sete anos de trabalho como co-piloto na Transbrasil também foi assim. “O começo é sempre mais complicado.” A aeronauta que invade o ainda concentrado Clube do Bolinha da aviação cargueira ouve de seus superiores que está quebrando paradigmas, mas não vê dificuldades na operação. “Eu trabalho em vôo como antes. Existe convivência maior na cabine. Não tem comissário. Só tem os pilotos.” E a reação das torres de controle? “No começo da aviação era coisa mais rara ouvir mulher na fonia. Hoje em dia não tem muita diferença. Até porque já existem mulheres co-pilotos e nas torres de controle.”   

Eveline conversou com o Diário diretamente do Chile, onde parou para descansar. Na semana passada, decolou de Campinas, fez escala em Maiquetia (Venezuela), Bogotá e Medelín (Colômbia) e pousou em Miami (EUA), de onde regressou a Buenos Aires (Argentina). Antes de voltar ao Brasil, ainda faria nova parada em Miami. A vida é assim, atribulada: o comandante é o profissional responsável junto às autoridades por tudo o que acontece com o avião. Decide de questões que vão desde a quantidade de combustível até o acondicionamento de carga na aeronave. Se acontecer algum problema é o único responsável criminal e civilmente diante das autoridades.” A legislação prevê trabalho de 85 horas mensais com oito folgas regulamentadas. Mas a jornada árdua também tem compensações. “Existem lugares muito interessantes. Voar para cá (Chile), atravessar a cordilheira é muito bonito.”

Carreira – Eveline passou no vestibular, mas desistiu da faculdade de Direito porque desde cedo não tirava o olho do céu. E lá se vão cinco mil horas de vôo, o equivalente a 208 dias ininterruptos voando. “Ainda na adolescência comecei a freqüentar o Aeroclube do Recife e foi isso que fez a minha escolha. Pedia para um, para outro, me levar para voar. Me interessava mesmo é pela aviação.”

Piloto privado, Eveline aprendeu a operar multimotores e treinou em simuladores no Recife. “Voei na campanha do então governador de Pernambuco, Joaquim Francisco. Ele ganhou e contratou as pessoas para governo do Estado e eu fui”, revela. Depois da aviação executiva veio a comercial, pela Transbrasil, um novo desafio. “A filosofia inteira muda na comparação com a aviação executiva. Sempre tem pessoas cobrando.”   

A promoção depende do mercado e das aeronaves disponíveis. “Você ingressa na empresa como co-piloto. O que tem em termos de carteira é a mesma habilitação da de comandante, mas para a empresa você é responsável pela aeronave. Existe uma hierarquia. Se nesta segunda a empresa em que trabalho adquirir um Jumbo ou um 777, também posso conseguir uma ascensão.”



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Eveline Fontenelle: pioneira no ar

Roney Domingos
Do Diário do Grande ABC

12/02/2006 | 09:35


Cabelo fashion, olhos verdes e voz suave, Eveline Borges Fontenelle, 34 anos, trai a aparência. Irmã de pára-quedista, ela iniciou a carreira de piloto aos 17 anos no Aeroclube do Recife. Foi piloto do governo de Pernambuco, voou sete anos como co-piloto da Transbrasil e estudou muito. “Posso falar que é o máximo da carreira. É o que um piloto trabalha para conseguir. Ninguém começa para ficar como co-piloto a vida inteira”, afirma a comandante. Eveline é a primeira comandante na América Latina do Boeing 767-300 F, aeronave tipo wide body (corpo largo) que figura na categoria de maior cargueiro em operação no país.   

Ela carrega sua nécessaire com batom, esmalte e rímel, enquanto colegas homens, provavelmente não todos, se restringem às escovas de dentes e de cabelos. Mas a comandante minimiza o choque dentro e fora do avião ao falar sobre a responsabilidade diária de fazer o cargueiro de US$ 89 milhões cruzar os céus da América. “Não é um trabalho braçal. É que estamos mais acostumados a ver homens exercendo esta profissão.”

Na primeira viagem como comandante, chefiou a tripulação composta pelo diretor de operações da empresa, Francisco Cancherini, e os co-pilotos Eduardo Alcaraz e Alex Carvalho. “As pessoas não estão acostumadas a conviver com mulheres na cabine. Depois fica uma coisa natural.” Em sete anos de trabalho como co-piloto na Transbrasil também foi assim. “O começo é sempre mais complicado.” A aeronauta que invade o ainda concentrado Clube do Bolinha da aviação cargueira ouve de seus superiores que está quebrando paradigmas, mas não vê dificuldades na operação. “Eu trabalho em vôo como antes. Existe convivência maior na cabine. Não tem comissário. Só tem os pilotos.” E a reação das torres de controle? “No começo da aviação era coisa mais rara ouvir mulher na fonia. Hoje em dia não tem muita diferença. Até porque já existem mulheres co-pilotos e nas torres de controle.”   

Eveline conversou com o Diário diretamente do Chile, onde parou para descansar. Na semana passada, decolou de Campinas, fez escala em Maiquetia (Venezuela), Bogotá e Medelín (Colômbia) e pousou em Miami (EUA), de onde regressou a Buenos Aires (Argentina). Antes de voltar ao Brasil, ainda faria nova parada em Miami. A vida é assim, atribulada: o comandante é o profissional responsável junto às autoridades por tudo o que acontece com o avião. Decide de questões que vão desde a quantidade de combustível até o acondicionamento de carga na aeronave. Se acontecer algum problema é o único responsável criminal e civilmente diante das autoridades.” A legislação prevê trabalho de 85 horas mensais com oito folgas regulamentadas. Mas a jornada árdua também tem compensações. “Existem lugares muito interessantes. Voar para cá (Chile), atravessar a cordilheira é muito bonito.”

Carreira – Eveline passou no vestibular, mas desistiu da faculdade de Direito porque desde cedo não tirava o olho do céu. E lá se vão cinco mil horas de vôo, o equivalente a 208 dias ininterruptos voando. “Ainda na adolescência comecei a freqüentar o Aeroclube do Recife e foi isso que fez a minha escolha. Pedia para um, para outro, me levar para voar. Me interessava mesmo é pela aviação.”

Piloto privado, Eveline aprendeu a operar multimotores e treinou em simuladores no Recife. “Voei na campanha do então governador de Pernambuco, Joaquim Francisco. Ele ganhou e contratou as pessoas para governo do Estado e eu fui”, revela. Depois da aviação executiva veio a comercial, pela Transbrasil, um novo desafio. “A filosofia inteira muda na comparação com a aviação executiva. Sempre tem pessoas cobrando.”   

A promoção depende do mercado e das aeronaves disponíveis. “Você ingressa na empresa como co-piloto. O que tem em termos de carteira é a mesma habilitação da de comandante, mas para a empresa você é responsável pela aeronave. Existe uma hierarquia. Se nesta segunda a empresa em que trabalho adquirir um Jumbo ou um 777, também posso conseguir uma ascensão.”

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;