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Diretor da CIA assume culpa por dados falsos sobre o Iraque


Da AFP

12/07/2003 | 00:51


O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, George Tenet, admitiu nesta sexta-feira sua responsabilidade por ter permitido que o presidente George W. Bush afirmasse, em janeiro, que o Iraque tentava adquirir material nuclear na África para reativar seu programa de armas nucleares. A informação era falsa e foi usada como pretexto para a guerra contra o país do Oriente Médio.

“Sou o responsável pelo processo de aprovação (das informações) na minha agência”, disse Tenet em um comunicado na sexta-feira, confirmando o que disse à Casa Branca na semana passada.

O presidente Bush divulgou a informação sobre a tentativa do Iraque de adquirir urânio no Níger em 28 de janeiro. Apesar de assumir a culpa da CIA, Tenet destacou que não leu o texto do informe pessoalmente.

Em declarações dadas nesta sexta em Entebbe (Uganda), Bush garantiu que seu discurso à “foi aprovado pelos serviços de inteligência. Era um discurso ao povo americano que detalhava os perigos apresentados pelo regime de Saddam Hussein”.

“Meu governo adotou as medidas adequadas diante destes perigos e o resultado é um mundo mais seguro e mais pacífico”, destacou o presidente. Bush e sua conselheira para Segurança Nacional, Condoleezza Rice, culparam diretamente a CIA pela informação incorreta.

Em carta enviada à Casa Branca nesta sexta-feira, 16 representantes democratas destacam que estão preocupados com os “perturbadores e sérios questionamentos sobre a credibilidade da informação que o governo apresentou ao Congresso e ao público americano sobre a natureza e o alcance das armas de destruição em massa iraquianas”.

Também existe preocupação com a possibilidade de que tenha ocorrido “manipulação ou exagero de informação”.

A carta foi escrita pelo representante de Massachusetts, Ed Markey, e assinada por outros 15 legisladores. Todos aprovaram o pedido de autorização do governo para atacar o Iraque, convencidos sobre o risco iminente relacionado às armas iraquianas.

O senador democrata Joe Lieberman, pré-candidato à presidência, pediu nesta sexta uma investigação para estabelecer se a administração Bush ignorou as advertências da CIA sobre o programa nuclear iraquiano.

“Sabemos agora que a informação (sobre o programa nuclear iraquiano) proporcionada durante o discurso sobre o estado da União era falsa e enganou o povo americano. Estas informações são preocupantes e é preciso uma investigação completa e detalhada”, afirmou.

Howard Dean, o outro pré-candidato democrata à presidência, também defendeu “uma investigação independente, fora do Congresso”. Dean, ex-governador de Vermont, disse que “é preciso saber a verdade”.



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Diretor da CIA assume culpa por dados falsos sobre o Iraque

Da AFP

12/07/2003 | 00:51


O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, George Tenet, admitiu nesta sexta-feira sua responsabilidade por ter permitido que o presidente George W. Bush afirmasse, em janeiro, que o Iraque tentava adquirir material nuclear na África para reativar seu programa de armas nucleares. A informação era falsa e foi usada como pretexto para a guerra contra o país do Oriente Médio.

“Sou o responsável pelo processo de aprovação (das informações) na minha agência”, disse Tenet em um comunicado na sexta-feira, confirmando o que disse à Casa Branca na semana passada.

O presidente Bush divulgou a informação sobre a tentativa do Iraque de adquirir urânio no Níger em 28 de janeiro. Apesar de assumir a culpa da CIA, Tenet destacou que não leu o texto do informe pessoalmente.

Em declarações dadas nesta sexta em Entebbe (Uganda), Bush garantiu que seu discurso à “foi aprovado pelos serviços de inteligência. Era um discurso ao povo americano que detalhava os perigos apresentados pelo regime de Saddam Hussein”.

“Meu governo adotou as medidas adequadas diante destes perigos e o resultado é um mundo mais seguro e mais pacífico”, destacou o presidente. Bush e sua conselheira para Segurança Nacional, Condoleezza Rice, culparam diretamente a CIA pela informação incorreta.

Em carta enviada à Casa Branca nesta sexta-feira, 16 representantes democratas destacam que estão preocupados com os “perturbadores e sérios questionamentos sobre a credibilidade da informação que o governo apresentou ao Congresso e ao público americano sobre a natureza e o alcance das armas de destruição em massa iraquianas”.

Também existe preocupação com a possibilidade de que tenha ocorrido “manipulação ou exagero de informação”.

A carta foi escrita pelo representante de Massachusetts, Ed Markey, e assinada por outros 15 legisladores. Todos aprovaram o pedido de autorização do governo para atacar o Iraque, convencidos sobre o risco iminente relacionado às armas iraquianas.

O senador democrata Joe Lieberman, pré-candidato à presidência, pediu nesta sexta uma investigação para estabelecer se a administração Bush ignorou as advertências da CIA sobre o programa nuclear iraquiano.

“Sabemos agora que a informação (sobre o programa nuclear iraquiano) proporcionada durante o discurso sobre o estado da União era falsa e enganou o povo americano. Estas informações são preocupantes e é preciso uma investigação completa e detalhada”, afirmou.

Howard Dean, o outro pré-candidato democrata à presidência, também defendeu “uma investigação independente, fora do Congresso”. Dean, ex-governador de Vermont, disse que “é preciso saber a verdade”.

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