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Chuvas de verão deixam
áreas de risco em alerta


Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

23/12/2010 | 07:10


A três do Natal, 41 famílias do Jardim Santo André que vivem em áreas de risco foram surpreendidas ontem à tarde com a visita de representantes da Defesa Civil. A orientação é para que desocupem as casas imediatamente, pois estão sob risco iminente de deslizamentos. Enquanto algumas reclamam da determinação, outras procuram apressar a saída, com medo de possíveis deslizamentos. A ação é integrada com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo). Ao todo são 24 residências localizadas na Rua dos Missionários e 17 na Viela Rosa de Saron.

De acordo com a Defesa Civil, a desocupação foi adotada como medida preventiva, devido ao alto risco de soterramentos em decorrência da quantidade de chuva que caiu nos últimos cinco dias. Com os laudos deixados pelos fiscais da Defesa Civil, os proprietários devem ir ao escritório da CDHU, onde são atendidos pela Assistência Social da Prefeitura. Lá eles podem dar entrada no pedido de auxílio-aluguel, no valor de R$ 380. Todas as famílias cadastradas na CDHU têm direito ao recurso.

Aos que não têm para onde ir, a Prefeitura disponibiliza um ginásio como abrigo provisório na Vila Sacadura Cabral.

No entanto, a situação não é tão pacífica quanto parece. Após receber a visita da equipe da Defesa Civil, Renata Lisboa, 36 anos, que mora há quatro meses na região, disse que a medida foi precipitada. "Só disseram que temos que sair imediatamente. Que tudo pode desabar a qualquer momento e que precisamos buscar auxílio de amigos e parentes, mas não temos para onde ir."

Enquanto a equipe do Diário estava no local, uma família se preparava para deixar sua moradia. O auxiliar de lavanderia Francisco Neto, 36, recebeu a notificação no dia 17 deste mês. Sua casa está situada em uma das regiões mais preocupantes, no pé de um morro que sinaliza situação de perigo.

"Não vou esperar morrer para sair daqui. Mas a situação é difícil, porque ao mesmo tempo não temos garantia de nada", disse Neto, que alugou às pressas um imóvel no Jardim Farina, em São Bernardo, por R$ 400.

Em nota, a CDHU informou que foi disponibilizado o valor de R$ 24 milhões destinado ao pagamento do aluguel social de R$ 380 ou à construção de alojamentos provisórios até que seja viabilizado o atendimento definitivo com a construção de outras moradias. Desde o fim de 2009, a CDHU removeu cerca de 1.600 famílias de áreas de risco do local.

A previsão de conclusão do processo é para 2015 e a ação prevê o atendimento a mais de 9.000 famílias.

Soterramentos mataram seis em janeiro na região 

As enchentes e deslizamentos que atormentam moradores que residem em áreas de risco em praticamente toda a região fizeram seis vítimas fatais em janeiro deste ano.

Em Ribeirão Pires, a mãe e duas filhas foram soterradas por barrancos no bairro Santo Bertoldo. Analice Santos, 36 anos, Ana Lídia, 7, e Ana Maria, 14, morreram enquanto dormiam. Um morro situado nos fundos do imóvel da família desbarrancou e invadiu a residência durante a madrugada. As outras três mortes foram registradas em Santo André, São Bernardo e Mauá.

De acordo com a CDHU, aproximadamente 500 famílias do Jardim Santo André ainda se recusam a deixar as áreas de risco. Cerca de 1.600 já foram removidas desde o fim de 2009.



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Chuvas de verão deixam
áreas de risco em alerta

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

23/12/2010 | 07:10


A três do Natal, 41 famílias do Jardim Santo André que vivem em áreas de risco foram surpreendidas ontem à tarde com a visita de representantes da Defesa Civil. A orientação é para que desocupem as casas imediatamente, pois estão sob risco iminente de deslizamentos. Enquanto algumas reclamam da determinação, outras procuram apressar a saída, com medo de possíveis deslizamentos. A ação é integrada com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo). Ao todo são 24 residências localizadas na Rua dos Missionários e 17 na Viela Rosa de Saron.

De acordo com a Defesa Civil, a desocupação foi adotada como medida preventiva, devido ao alto risco de soterramentos em decorrência da quantidade de chuva que caiu nos últimos cinco dias. Com os laudos deixados pelos fiscais da Defesa Civil, os proprietários devem ir ao escritório da CDHU, onde são atendidos pela Assistência Social da Prefeitura. Lá eles podem dar entrada no pedido de auxílio-aluguel, no valor de R$ 380. Todas as famílias cadastradas na CDHU têm direito ao recurso.

Aos que não têm para onde ir, a Prefeitura disponibiliza um ginásio como abrigo provisório na Vila Sacadura Cabral.

No entanto, a situação não é tão pacífica quanto parece. Após receber a visita da equipe da Defesa Civil, Renata Lisboa, 36 anos, que mora há quatro meses na região, disse que a medida foi precipitada. "Só disseram que temos que sair imediatamente. Que tudo pode desabar a qualquer momento e que precisamos buscar auxílio de amigos e parentes, mas não temos para onde ir."

Enquanto a equipe do Diário estava no local, uma família se preparava para deixar sua moradia. O auxiliar de lavanderia Francisco Neto, 36, recebeu a notificação no dia 17 deste mês. Sua casa está situada em uma das regiões mais preocupantes, no pé de um morro que sinaliza situação de perigo.

"Não vou esperar morrer para sair daqui. Mas a situação é difícil, porque ao mesmo tempo não temos garantia de nada", disse Neto, que alugou às pressas um imóvel no Jardim Farina, em São Bernardo, por R$ 400.

Em nota, a CDHU informou que foi disponibilizado o valor de R$ 24 milhões destinado ao pagamento do aluguel social de R$ 380 ou à construção de alojamentos provisórios até que seja viabilizado o atendimento definitivo com a construção de outras moradias. Desde o fim de 2009, a CDHU removeu cerca de 1.600 famílias de áreas de risco do local.

A previsão de conclusão do processo é para 2015 e a ação prevê o atendimento a mais de 9.000 famílias.

Soterramentos mataram seis em janeiro na região 

As enchentes e deslizamentos que atormentam moradores que residem em áreas de risco em praticamente toda a região fizeram seis vítimas fatais em janeiro deste ano.

Em Ribeirão Pires, a mãe e duas filhas foram soterradas por barrancos no bairro Santo Bertoldo. Analice Santos, 36 anos, Ana Lídia, 7, e Ana Maria, 14, morreram enquanto dormiam. Um morro situado nos fundos do imóvel da família desbarrancou e invadiu a residência durante a madrugada. As outras três mortes foram registradas em Santo André, São Bernardo e Mauá.

De acordo com a CDHU, aproximadamente 500 famílias do Jardim Santo André ainda se recusam a deixar as áreas de risco. Cerca de 1.600 já foram removidas desde o fim de 2009.

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