Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 21 de Junho

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

CDHU só atende 1,5% da demanda


Aline Mazzo
Do Diário do Grande ABC

04/02/2007 | 21:42


O déficit de moradias no Grande ABC dificilmente será suprido apenas com a oferta de empreendimentos da CDHU. Estima-se que 100 mil famílias precisem de um novo lar na região. Atualmente, apenas 1.598 imóveis estão sendo construídos, o que corresponde a 1,5% da necessidade.

O superintendente de ação regional da CDHU, Célio da Silva Noffs, afirma que os investimentos são distribuídos conforme a demanda dos municípios. “Eles definem o que deve ser ofertado em forma de sorteio ou usado no programa de erradicação de favelas e áreas de risco”, diz.

No caso das famílias que são removidas de áreas de risco, a CDHU permite que elas fiquem por até um ano no local sem pagar prestações. Após esse período, os moradores começam a ter o custo da taxa de permissão de uso, que gira em torno de R$ 50.

Se as famílias quitarem essas parcelas em dia por dois anos, a CDHU faz a oferta de venda da unidade. A partir daí, o morador vira mutuário e o valor que já foi pago é abatido das novas parcelas, calculadas de acordo com a renda familiar. “Queremos que as famílias criem o hábito de destinar um valor para a moradia. O processo dá tão certo que todas querem ficar com o imóvel”, garante Noffs.

Em caso de sorteio, 5% das unidades vão para idosos, 7% para portadores de deficiências e 4% para policiais civis, militares e científicos. O restante é distribuídos para famílias previamente cadastradas. Elas precisam ter renda entre um e 10 salários mínimos, não podem ter imóvel ou terem sido atendidas por programas habitacionais do município e têm de morar há pelo menos três anos na cidade.

Existe ainda a modalidade de mutirão, em que as famílias constroem as moradias sob supervisão da CDHU e depois pagam as despesas com materiais em parcelas.

O sistema atual é efetivo, mas não alcança boa parte da população carente. O coordenador do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP (Universidade de São Paulo), José Renato de Campos Araújo, explica que o Governo precisa agir em outras frentes para tentar diminuir a defasagem de moradias na região metropolitana. “Não podemos só transformar moradores em mutuários e achar que isso é suficiente.”

A sugestão seria ampliar o sistema de mutirão, fazendo convênios com empresas de material de construção, e recuperar áreas degradadas, já que existem poucos terrenos disponíveis nas grandes cidades para acomodar tantas residências.

Araújo também reforça que o poder público não pode perder de vista os grandes vilões dessa história. “Se a pessoa não consegue pagar a própria casa é porque as relações de trabalho são precarizadas, falta emprego, a economia cresce de maneira pífia e não há uma real distribuição de renda.”


Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;