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Outubro Rosa está distante das mulheres das periferias


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

15/10/2017 | 07:07


Mesmo com a importância da campanha de conscientização para a prevenção e o combate ao câncer de mama, o Outubro Rosa, realizado em nível nacional, o impacto não chega para todas as mulheres do Grande ABC. Principalmente nas periferias da região, aquelas que estão dentro da idade considerada de risco geralmente não fazem a mamografia, exame mais importante para o diagnóstico.

Conforme especialistas, diversos fatores contribuem para que isso aconteça, mas os principais são a falta de investimento para educação e conscientização da população e campanhas para que o público alvo seja chamado a realizar o exame.

“As pacientes não são convocadas para fazer mamografia. Em alguns países é enviada uma carta para essa mulher, avisando sobre o exame, mas o que acontece no Brasil e no Grande ABC é o rastreamento oportunístico, quando a mulher procura o serviço de Saúde”, diz o diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia Ivo Carelli.

Segundo o especialista, a campanha precisa atingir sobretudo a população mais carente, geralmente a que tem menos acesso a informações. “Algumas pessoas não têm dificuldade para ir às regiões centrais da cidades, onde os prédios estão iluminados na cor rosa para divulgar a campanha”, comenta.

Para o professor de Mastologia da Faculdade de Medicina do ABC Paulo Pirozzi, a campanha é um alerta, mas necessita de maior abrangência. “O intuito é sensibilizar mulheres que não fazem prevenção. Se a gente for fazer um trabalho, são sempre as mesmas mulheres. Acho que de alguma maneira até chega (a campanha) à periferia, mas é necessário mais esforço para isso, porque existe falta de informação para essa população”, afirma.

Para Maria de Fátima Lemes, 63 anos, moradora do Parque São Bernardo, a confirmação de um tumor em cada seio só veio devido a uma dor no ombro. Ela precisou passar por série de exames após se machucar, inclusive a mamografia, que trouxe o diagnóstico. “Cada um (tumor) tinha quase dois centímetros, e o do lado esquerdo era maligno. Precisei fazer uma cirurgia para a retirada e agora, segundo o médico, tenho um ano de quimioterapia pela frente. Mexe bastante com o emocional.”

Segundo ela, há praticamente três anos, não fazia a mamografia. O motivo é que ouviu sobre a demora para a marcação de consultas na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro. “Eu fazia sempre, mas já que não dava nada e todo mundo começou a falar que estava demorando muito, não fiz mais.”

Conforme informações da Prefeitura de São Bernardo, o índice de mulheres entre 50 e 69 anos dependentes do SUS (Sistema Único de Saúde) que realizam a mamografia é de 45%. Segundo a administração, a principal dificuldade para chegar nestas mulheres é sensibilizar sobre a importância da prevenção, com a realização do autoexame e a mamografia na idade adequada, para ter diagnóstico precoce.

Em Mauá, no Jardim Oratório, a dona de casa Maria Anunciada Ferreira da Silva, 60, só fez uma mamografia até hoje, e diz que é por medo exame. “Tenho muito receio porque quando resolvi fazer, há cinco anos, doeu muito. Além disso, também tenho vergonha. Vejo, na TV, o pessoal falar que é importante, mas eu saberia se tivesse alguma coisa errada com meu corpo.”

A Prefeitura de Mauá informa que 60% da população na faixa etária citada não realiza o exame regularmente. Também afirma que o agendamento de consultas com mastologista é realizado com prioridade, e o atendimento geralmente acontece dentro de 30 dias.

Campanha procura dar à mulher domínio da situação
A campanha nacional do Outubro Rosa, organizada pela Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), chega à sua décima edição e tem como tema Pacientes no Controle - Atitude Exige Coragem. O objetivo é ajudar a mulher a ter domínio da situação após a confirmação do câncer de mama.

“A gente sabe que tem muita mulher enfrentando câncer de mama, em todos os círculos sociais. Então, queremos colocar a paciente no centro, pois achamos importante que se recomponha e entenda o acontece com ela”, explicou a coordenadora de comunicação da Femama Letícia Cecagno, ao destacar que a informação é importante para o diagnóstico.

É exatamente isso o que a Associação Viva Melhor, localizada em Santo André, visa dar às pacientes. Segundo Vera Emilia Chiavelli Peruel, 69 anos, uma das fundadoras da entidade, já são 18 anos de trabalho e cerca de 6.000 pacientes atendidas. Entre os trabalhos das voluntárias estão a confecção de próteses de polietileno e grupo de apoio. “É uma maneira de se fortalecer e ver que ela não é única e não está sozinha. Temos 60 mulheres voluntárias que nos ajudam, inclusive psicólogas”, comentou.

Entre as voluntárias está a aposentada Ideli Anselmi, 67, que passou por um câncer de mama, frequentou a associação e hoje ajuda outras mulheres. Ela não fazia mamografia regularmente e teve um susto quando descobriu a doença. “Conheci a associação em 2003, quando ainda fazia o tratamento. Mas só pude trabalhar depois. Hoje só faço isso. Então digo que o câncer só acrescentou para mim.”

Região registra 317 casos de internação desde o começo do ano

Informações do DataSUS (Sistema de Dados do Sistema Único de Saúde) mostram que pelo menos 317 casos de internação por câncer de mama foram registrados de janeiro a agosto nas sete cidades por meio do SUS. No mesmo período do ano passado foram 326. Por outro lado, o número de mortes caiu 9,30% (de 43 para 39).

A Prefeitura de Santo André informou que fez 2.696 consultas com mastologistas neste ano. O número de mamografias em 2015 chegou a 17.795 e, em 2016, 17.511, enquanto neste ano foram 10.197. A cidade não estima quantas mulheres da faixa etária preconizada para o exame deixam de ser atendidas. Na cidade haverá caminhada no dia 29, com concentração no espelho d’água do Paço Municipal, a partir das 7h30, em direção ao Parque Celso Daniel.

São Bernardo foi responsável por 2.786 consultas com especialista até agosto. Os dados divulgados apontam que houve aumento de 2,54% no número de mamografias de 2015 para 2016 (de 24.697 para 25.324). Todas as 34 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade estarão abertas no sábado (21), exclusivamente para realizar exames preventivos de câncer de mama e colo de útero, das 8h às 17h.

Mauá teve 595 consultas agendadas até setembro deste ano, com 5.312 mamografias realizadas até agosto. O número de exames entre 2015 e 2016 aumentou em 52,56% (de 6.749 para 10.296). As unidades de Saúde têm agenda individual neste mês, com palestras e rodas de conversa.

Ribeirão Pires informou que há cerca de 1.800 pedidos de mamografia à espera de agendamento, e que a cada mês são 200 nova solicitações, sendo 50% da demanda atendida mensalmente. As demais prefeituras não retornaram.  



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Outubro Rosa está distante das mulheres das periferias

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

15/10/2017 | 07:07


Mesmo com a importância da campanha de conscientização para a prevenção e o combate ao câncer de mama, o Outubro Rosa, realizado em nível nacional, o impacto não chega para todas as mulheres do Grande ABC. Principalmente nas periferias da região, aquelas que estão dentro da idade considerada de risco geralmente não fazem a mamografia, exame mais importante para o diagnóstico.

Conforme especialistas, diversos fatores contribuem para que isso aconteça, mas os principais são a falta de investimento para educação e conscientização da população e campanhas para que o público alvo seja chamado a realizar o exame.

“As pacientes não são convocadas para fazer mamografia. Em alguns países é enviada uma carta para essa mulher, avisando sobre o exame, mas o que acontece no Brasil e no Grande ABC é o rastreamento oportunístico, quando a mulher procura o serviço de Saúde”, diz o diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia Ivo Carelli.

Segundo o especialista, a campanha precisa atingir sobretudo a população mais carente, geralmente a que tem menos acesso a informações. “Algumas pessoas não têm dificuldade para ir às regiões centrais da cidades, onde os prédios estão iluminados na cor rosa para divulgar a campanha”, comenta.

Para o professor de Mastologia da Faculdade de Medicina do ABC Paulo Pirozzi, a campanha é um alerta, mas necessita de maior abrangência. “O intuito é sensibilizar mulheres que não fazem prevenção. Se a gente for fazer um trabalho, são sempre as mesmas mulheres. Acho que de alguma maneira até chega (a campanha) à periferia, mas é necessário mais esforço para isso, porque existe falta de informação para essa população”, afirma.

Para Maria de Fátima Lemes, 63 anos, moradora do Parque São Bernardo, a confirmação de um tumor em cada seio só veio devido a uma dor no ombro. Ela precisou passar por série de exames após se machucar, inclusive a mamografia, que trouxe o diagnóstico. “Cada um (tumor) tinha quase dois centímetros, e o do lado esquerdo era maligno. Precisei fazer uma cirurgia para a retirada e agora, segundo o médico, tenho um ano de quimioterapia pela frente. Mexe bastante com o emocional.”

Segundo ela, há praticamente três anos, não fazia a mamografia. O motivo é que ouviu sobre a demora para a marcação de consultas na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro. “Eu fazia sempre, mas já que não dava nada e todo mundo começou a falar que estava demorando muito, não fiz mais.”

Conforme informações da Prefeitura de São Bernardo, o índice de mulheres entre 50 e 69 anos dependentes do SUS (Sistema Único de Saúde) que realizam a mamografia é de 45%. Segundo a administração, a principal dificuldade para chegar nestas mulheres é sensibilizar sobre a importância da prevenção, com a realização do autoexame e a mamografia na idade adequada, para ter diagnóstico precoce.

Em Mauá, no Jardim Oratório, a dona de casa Maria Anunciada Ferreira da Silva, 60, só fez uma mamografia até hoje, e diz que é por medo exame. “Tenho muito receio porque quando resolvi fazer, há cinco anos, doeu muito. Além disso, também tenho vergonha. Vejo, na TV, o pessoal falar que é importante, mas eu saberia se tivesse alguma coisa errada com meu corpo.”

A Prefeitura de Mauá informa que 60% da população na faixa etária citada não realiza o exame regularmente. Também afirma que o agendamento de consultas com mastologista é realizado com prioridade, e o atendimento geralmente acontece dentro de 30 dias.

Campanha procura dar à mulher domínio da situação
A campanha nacional do Outubro Rosa, organizada pela Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), chega à sua décima edição e tem como tema Pacientes no Controle - Atitude Exige Coragem. O objetivo é ajudar a mulher a ter domínio da situação após a confirmação do câncer de mama.

“A gente sabe que tem muita mulher enfrentando câncer de mama, em todos os círculos sociais. Então, queremos colocar a paciente no centro, pois achamos importante que se recomponha e entenda o acontece com ela”, explicou a coordenadora de comunicação da Femama Letícia Cecagno, ao destacar que a informação é importante para o diagnóstico.

É exatamente isso o que a Associação Viva Melhor, localizada em Santo André, visa dar às pacientes. Segundo Vera Emilia Chiavelli Peruel, 69 anos, uma das fundadoras da entidade, já são 18 anos de trabalho e cerca de 6.000 pacientes atendidas. Entre os trabalhos das voluntárias estão a confecção de próteses de polietileno e grupo de apoio. “É uma maneira de se fortalecer e ver que ela não é única e não está sozinha. Temos 60 mulheres voluntárias que nos ajudam, inclusive psicólogas”, comentou.

Entre as voluntárias está a aposentada Ideli Anselmi, 67, que passou por um câncer de mama, frequentou a associação e hoje ajuda outras mulheres. Ela não fazia mamografia regularmente e teve um susto quando descobriu a doença. “Conheci a associação em 2003, quando ainda fazia o tratamento. Mas só pude trabalhar depois. Hoje só faço isso. Então digo que o câncer só acrescentou para mim.”

Região registra 317 casos de internação desde o começo do ano

Informações do DataSUS (Sistema de Dados do Sistema Único de Saúde) mostram que pelo menos 317 casos de internação por câncer de mama foram registrados de janeiro a agosto nas sete cidades por meio do SUS. No mesmo período do ano passado foram 326. Por outro lado, o número de mortes caiu 9,30% (de 43 para 39).

A Prefeitura de Santo André informou que fez 2.696 consultas com mastologistas neste ano. O número de mamografias em 2015 chegou a 17.795 e, em 2016, 17.511, enquanto neste ano foram 10.197. A cidade não estima quantas mulheres da faixa etária preconizada para o exame deixam de ser atendidas. Na cidade haverá caminhada no dia 29, com concentração no espelho d’água do Paço Municipal, a partir das 7h30, em direção ao Parque Celso Daniel.

São Bernardo foi responsável por 2.786 consultas com especialista até agosto. Os dados divulgados apontam que houve aumento de 2,54% no número de mamografias de 2015 para 2016 (de 24.697 para 25.324). Todas as 34 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade estarão abertas no sábado (21), exclusivamente para realizar exames preventivos de câncer de mama e colo de útero, das 8h às 17h.

Mauá teve 595 consultas agendadas até setembro deste ano, com 5.312 mamografias realizadas até agosto. O número de exames entre 2015 e 2016 aumentou em 52,56% (de 6.749 para 10.296). As unidades de Saúde têm agenda individual neste mês, com palestras e rodas de conversa.

Ribeirão Pires informou que há cerca de 1.800 pedidos de mamografia à espera de agendamento, e que a cada mês são 200 nova solicitações, sendo 50% da demanda atendida mensalmente. As demais prefeituras não retornaram.  

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