Economia

Consórcio vai avaliar viabilidade de projeto do aeroporto na região


O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC vai discutir a viabilidade do projeto de construção de um aeroporto na região. De acordo com o secretário-executivo Edgard Brandão, amanhã será realizada uma primeira reunião com o gestor do curso de ciências aeronáuticas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Volney Gouveia, autor de iniciativa proposta pelo Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS) e publicado com exclusividade pelo Diário na edição de ontem.

“Embora já tenha sido cogitado em outros momentos, esse assunto nunca foi trazido para ser discutido tecnicamente pelo Consórcio”, contou Brandão, que já foi superintendente da regional Sudeste da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária). “Vamos nos inteirar melhor da proposta e, então, iniciar uma discussão em torno do assunto, a fim de verificar sua viabilidade no Grande ABC.”

De acordo com o secretário, há pontos cruciais que devem ser analisados tanto por especialistas no assunto como pelos sete prefeitos e a sociedade para, então, ser levado ao governo federal. Ele citou que um deles é verificar a existência de área que comporte o equipamento e respeite o meio ambiente.

Em 2011, o então prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), encaminhou à presidente Dilma Rousseff (PT) projeto de aeroporto para tráfego de mercadorias e voos fretados, fechado para aviação comercial. A ideia era construir equipamento em localidade que ficaria entre a Rodovia dos Imigrantes e o Rodoanel, porém, o local sofria com muita neblina, o que poderia atrapalhar os voos. Em 2013, a ministra de Planejamento e Orçamento, Miriam Belchior, disse que a proposta de erguer aeroporto na cidade seria prioridade no governo federal, o que não vingou. Desde então, o debate não foi retomado nem na esfera pública nem na privada.

Outro fator é corroborar a real demanda por mais um aeroporto, por conta de o Grande ABC estar próximo ao de Congonhas, de Guarulhos e do Campo de Marte. “Trata-se de um projeto muito complexo e que precisa ter sua necessidade comprovada. Além disso, creio que pensar em uma iniciativa voltada apenas para passageiros ou para carga não faz sentido. É mais difícil conseguir o investimento”, assinalou ele, que já ministrou consultorias sobre o tema.

Brandão ponderou também que é preciso verificar se o aporte será pleiteado junto à iniciativa privada ou somente ao governo. “Para chegar a esse estágio, porém, é preciso haver muita discussão. Os próximos passos serão levar o tema à reunião dos prefeitos e, posteriormente, promover seminário com fontes do setor para ampliar o debate.”

Conforme o estudo de Gouveia, o custo de construção do aeroporto é estimado em R$ 649 milhões. Em contrapartida, a iniciativa pode injetar na economia local R$ 1,8 bilhão por ano, a partir do reflexo em cadeia tanto para erguer o equipamento como para mantê-lo e operá-lo, uma vez que seria estimulada uma demanda extra para empresas já situadas na região dos setores petroquímico, químico, plástico, metalmecânico e de serviços.


São Bernardo admite interesse no plano

Questionada se existe o interesse em receber aeroporto na cidade, a Prefeitura de São Bernardo informou “que tem todo o interesse em pautar o projeto do aeroporto, mas que até o momento o assunto não foi colocado junto à atual administração municipal”.

O Paço destacou que a SAM (Saab Aeronáutica Montagens), braço brasileiro da empresa sueca que produzirá peças e equipamentos para a fabricação dos aviões-caças adquiridos pela Força Aérea Brasileira, está instalada em galpão de 3.500 metros quadrados no bairro Cooperativa.

“Até o momento, 43 profissionais foram contratados, entre técnicos e administrativos. alguns deles estão na Suécia realizando treinamento. Tudo segue dentro do cronograma estabelecido para que a fabricação de partes do Gripen seja realizada em São Bernardo a partir do segundo semestre de 2020”, assinalou a gestão de Orlando Morando (PSDB) em nota.
 

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