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Não ao abuso e à exploração


Caroline Ropero
Do Diário do Grande ABC

18/05/2014 | 07:00


O Brasil espera 600 mil turistas estrangeiros e milhões de brasileiros para a Copa do Mundo. Muita gente nem imagina, mas isso pode trazer riscos a milhares de crianças e jovens. O abuso e a exploração sexual contra esses públicos tendem a aumentar durante grandes eventos. Segundo a Brunel University de Londres, o número de casos cresceu 63% na África do Sul, quando sediou o Mundial, em 2010. Por isso, organizações e poder público querem alertar a população. Hoje é Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração de Crianças e Adolescentes.

“A proteção da infância e juventude é tarefa de todos. Temos de denunciar”, afirma Casimira Benge, chefe da área de proteção à criança do Unicef Brasil. Sem aulas durante a competição, jovens se tornam alvos fáceis. “Ficam expostos e vulneráveis. Sem controle do turismo sexual, a possibilidade de serem explorados cresce”, diz Monica Souza, gerente de marketing e comunicação da Plan International Brasil.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a cada 15 segundos uma criança é abusada no mundo. No Brasil, são apenas 8 segundos. Participar de programas da comunidade ajuda a evitar o problema, segundo Luciano Araújo, do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente de São Paulo. “Por trás da vítima tem o adulto que comanda. Ao se envolver com associações, o jovem vê que pode ter realidade melhor.”

Vale lembrar que a violência sexual acontece com todos os gêneros e classes sociais. “Com meninos é até mais grave, tem muito preconceito”, explica Anna Flora, coordenadora de projetos da Childhood Brasil.

Pela lei, qualquer relação ou ato sexual com menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável, e o abusador deve ser preso. Exploração também é crime e a pena, mais rigorosa. Na quarta, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna a exploração de crianças e jovens crime hediondo, impedindo o condenado de ter benefícios, como liberdade provisória. Para valer, falta sanção da presidente.

É preciso saber diferenciar os tipos de violência. Abuso é qualquer ato sexual em que o adulto força o menor de idade a fazer. Exploração é estabelecer relação de troca, como dinheiro ou comida, por sexo. Denúncias pelos números 100 e 181, nos conselhos tutelares e delegacias.


Vítima precisa de atendimento médico e psicológico

Vítima de abuso ou exploração sexual tem de passar por atendimento médico e psicológico. Em geral, é machucada pelo abusador e pode desenvolver transtornos emocionais. É comum sentir insegurança, ter distúrbios de sono e alimentares sérios. “Na adolescência, pode querer transformar o corpo em algo que não seja desejável”, diz Rosemary Peres Miyahara, coordenadora do Centro de Referência à Vítima de Violência do Instituto Sedes Sapientiae São Paulo. Alguns mantêm o chamado pacto do silêncio, quando a vítima recebe ameaças para ficar calada. “Se for um familiar, pode dizer que vai deixá-lo ou que ninguém vai acreditar na história. Existe também a vergonha.”

No caso do jovem explorado, o principal risco é fazer parte de uma organização criminosa. “Aquele que tem carências materiais, em um mundo onde o importante é o que a gente tem, acaba se tornando presa fácil para o mercado do sexo”, afirma a psicóloga.

Ao longo dos anos, o abuso tem impacto na construção da identidade da vítima. “Meninas e meninos acham que faz parte de si ser explorado. Então, não se previnem. Há riscos de gravidez, aborto e doenças sexualmente transmissíveis. Não têm critérios sobre com quem transar.” Além disso, quando a comunidade descobre, sofrem preconceito. “Começam a tratar mal e a rotular (o jovem abusado).”


Livros falam sobre o tema

Após os acontecimentos na festa dos veteranos do Ensino Médio, Melinda vive calada e sozinha. Nem pais, professores ou colegas percebem que as notas baixas e a reclusão vão além da distração. Neste contexto, Fale! (Ed. Valentina, 248 págs., R$ 29,90) retrata a violência sexual e o bullying na adolescência. A autora norte-americana Laurie Halse Anderson, que sofreu abuso na juventude, mantém história realista e na linguagem teen. Outro livro com a mesma temática é Sem Medo de Falar – Relato de Uma Vida de Pedofilia (Ed. Paralela, 232 págs., R$ 24,90), que conta a história do autor Marcelo Ribeiro.


Aplicativo ajuda a denunciar

Somente no ano passado, 7.702 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes brasileiros foram registrados pelo Disque Denúncia. No entanto, muitas agressões ainda não são reveladas. Por isso, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lança hoje a campanha Está em suas Mãos Proteger as Crianças, incentivando o uso do aplicativo Proteja o Brasil, disponível gratuitamente para sistemas iOS e Android.

A inovação traz explicações sobre formas de violência e facilita a denúncia. Por reconhecer a localização do usuário, indica qual é a delegacia mais próxima, conselho tutelar ou até mesmo para onde pode ligar. “As pessoas precisam saber identificar a violência e como reagir. Se virem uma criança trabalhando ou adolescente prostituído, vão saber que é violação de direitos, que é inadmissível e têm de fazer a denúncia”, explica Casimira Benge, chefe da área de proteção à criança do Unicef. 



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