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Ônibus intermunicipais da região têm pior avaliação


Gabriel Batista
Do Diário do Grande ABC

30/05/2005 | 07:35


A maioria das viações de transporte intermunicipal que opera no Grande ABC apresenta índice de qualidade abaixo da média metropolitana. É o que revela o ranking anual da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), que avaliou o desempenho das 51 empresas de ônibus que prestam esse serviço em toda Grande São Paulo. A nota de corte foi 6,97 no IQT (Índice de Qualidade Total), que estabelece a média de cada companhia em quatro aspectos: qualidade operacional, frota, situação econômica e opinião dos usuários. Das 19 empresas que fazem linhas intermunicipais no Grande ABC, 12 receberam notas inferiores à média da Região Metropolitana.

Com isso, verifica-se que 63% das companhias do Grande ABC tiraram notas vermelhas. As cinco últimas colocações do ranking pertencem a empresas que operam nas sete cidades. São as viações Eaosa, Imigrantes, Utinga, Triângulo e Interbus - em seqüência a começar pela pior posicionada.

No topo da lista aparece a empresa Urubupungá, de Osasco. A maioria das linhas dessa companhia liga Osasco à zona Oeste da capital. Entre as 10 primeiras, a única que presta serviço dentro dos limites das sete cidades é a Vipe/Padre Eustáquio, de São Caetano, classificada em 9º lugar. O Diário entrou em contato com a empresa de São caetano, mas ninguém quis comentar o ranking. Essa é a primeira vez que a EMTU elabora o ranking anual, edição essa referente a 2004.

"O ranking demonstra que no restante da Grande São Paulo existem serviços melhores do que o prestado pela maioria das companhias do Grande ABC", diz o diretor de Gestão Operacional da EMTU, Pedro Luiz de Brito Machado.

O gerente de Marketing da EMTU, Arnaldo Pereira, afirma que as empresas mais bem colocadas tiveram bom desempenho nos quatro aspectos avaliados. As piores, notas ruins em quase todos os quesitos. "A Urubupungá obteve o segundo lugar na frota e na operação, e o quarto na avaliação de passageiros e na saúde financeira. A viação Utinga (de Santo André), antepenúltima colocada no IQT, ficou em 43º no financeiro, 50º na frota, 47º na opinião do cliente e 34º no operacional."

Argumentos - Os proprietários das empresas do Grande ABC com má colocação no ranking argumentam que enfrentam dificuldades operacionais típicas da região e com a folha de pagamento. "O salário de um motorista e de um cobrador no Grande ABC é cerca de 25% superior ao do restante da Região Metropolitana. Isso reflete no resultado da companhia, que não consegue renovar a frota e acaba por gastar mais com manutenção", diz o gerente jurídico da Associação das Empresas de Transporte Coletivo do ABC, Francisco Bernardino Ferreira. O presidente do Sindicato dos Rodoviários do Grande ABC, Francisco Mendes da Silva, o Chicão, confirma a informação sobre os salários.

Bernardino Ferreira, representante dos empresários, diz que a idade média da frota na região é de seis a oito anos, quando deveria ser trocada a cada dois anos. Ele também cita que a queda de empregos industriais na região gera dificuldade para manter um bom número de passageiros.

A viação Eaosa, com sede em Mauá, segura a lanterna do ranking. A empresa pertence ao empresário Baltazar José de Souza e seu filho Dierly Baltazar Fernandes Souza. Para Baltazar pai, uma série de dificuldades enfrentadas pela Eaosa pode ter levado a empresa à última colocação. Ele argumenta que as linhas do Grande ABC são mais extensas; os ônibus pegam número significativo de passageiros apenas de manhã e no fim da tarde; o trânsito e asfalto da região são piores que nas outras cidades; houve demora de dois anos no aumento da tarifa; e o salário dos motoristas é mais volumoso.

"Uma empresa tem de ser a última do ranking. Dessa vez foi a Eaosa", justifica Baltazar Souza. Ele também é proprietário da viação Imigrantes, a penúltima colocada. O empresário Mário Elisio Jacinto, dono da viação Utinga e sócio na Triângulo, companhias classificadas entre as cinco com pior desempenho, diz que nem todos os veículos das duas empresas foram vistoriados pela EMTU. Jacinto alega que não conseguiu recolher todos os carros no horário marcado. "Por isso, perdemos pontos."

O gerente-geral da Interbus, Marco Antônio Cavalcante Almeida, justifica a má colocação da empresa (47º lugar) pelo viés econômico. "A empresa começou em 2000 com capital baixo. Isso prejudicou sua posição. Mas recebemos uma boa avaliação dos usuários." A Interbus ficou em 5º lugar na nota dos passageiros e em 32º no aspecto econômico.

O gerente de Marketing da EMTU, Arnaldo Pereira, diz que ainda este ano a fiscalização do órgão estadual vai se concentrar nos pontos que apresentaram pior resultado no ranking para apurar os motivos da deficiência. "Por enquanto, temos apenas um diagnóstico, ainda não sabemos as causas." Mas o gerente descarta alguns argumentos dos empresários. Nega e existência de linhas mais extensas no Grande ABC. "Guarulhos também tem linhas muito longas, fazemos uma compensação de linhas extensas e curtas em cada área metropolitana para não prejudicar nenhum grupo de companhias."

Pereira, da EMTU, também considera improvável a realização de vistoria incompleta. "As vistorias são marcadas com muita antecedência e num horário que não prejudica o serviço." No entanto, ele afirma que há linhas com concentração de passageiros nos horários de pico em cidades "com menor atividade econômica, como Mauá, Ribeirão Pires, Arujá e Itaquaquecetuba".

A Região Metropolitana conta com cerca de 650 linhas intermunicipais, 115 desse total passam pelo Grande ABC. As 19 empresas das sete cidades transportam 440 mil pessoas por dia de uma cidade para outra. Cerca de 27% das reclamações de passageiros da região dizem respeito à demora no intervalo entre um ônibus e outro.

O ranking da EMTU considerou aspectos como intervalo entre conduções no ponto; estado, segurança e conforto dos ônibus; qualidade da manutenção; e a avaliação de 22,6 mil usuários.



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