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Covid ainda é incógnita para médicos

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cinco meses após surgir na China, doença desafia diariamente profissionais da saúde que ainda buscam melhores métodos de tratamento


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

31/05/2020 | 07:00


 Há cinco meses o mundo tenta descobrir formas de conter os estragos do novo coronavírus no corpo humano. Diferentemente das outras doenças, as quais médicos já possuem histórico e protocolos de atendimento, a Covid-19 tem oferecido desafios diários para quem está na linha de frente. No Brasil, já são três meses de trabalho e alguma evolução no sentido de, ao menos, estabilizar a doença.

Embora profissionais da saúde sintam avanços, o cenário é avaliado como obscuro, sobretudo pela falta de comprovações quanto as medidas que funcionam, afinal, médicos do mundo todo estão testando na prática métodos e medicamentos.

Presidente da APM (Associação Paulista de Medicina), Regional de São Bernardo e Diadema, João Eduardo Charles, diz que as mudanças são pequenas. Nem as medicações que estão sendo utilizadas mostram, segundo ele, se o paciente melhorou por causa do remédio, ou se o resultado seria o mesmo se não houvesse a utilização da droga. “Há grande quantidade de pessoas que passam pela doença sem sentir nada. Não se pode dizer que aquele paciente que teve sintomas, leves ou graves, e tomou um, ou outro remédio, teve a cura por isso. É muito controverso”.

O presidente da APM explica ainda que, além dos medicamentos, as posições utilizadas com pacientes em quadros mais graves de comprometimento respiratório, como ficar deitado de barriga para baixo, foram apostas para amenizar o sofrimento, mas que os hospitais permanecem com o mesmo cenário do início da pandemia, de caos e incertezas. “Não me sinto confortável em dizer que temos soluções. A coisa não está resolvida. Evoluímos na utilização de equipamentos, suporte geral e na forma de evitar a contaminação. Mas, tecnicamente falando, as demais medidas são, ainda, somente tentativas”, explicou.

Já o infectologista e professor do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Fábio Leal destaca que houve “muitas evoluções”, tanto na questão de suporte clínico com os pacientes mais graves em UTI, como questões específicas da doença. “Se percebeu a importância do tratamento com anticoagulantes, se verificou que a cloroquina é absolutamente ineficaz e que, por outro lado, um antiviral chamado Remdesivir se mostrou parcialmente eficaz, em estudos norte-americanos e, possivelmente, pode ser uma medicação a ser usada nos próximos meses, além de outras que podem vir a surgir”, sintetizou.

Assim como Leal, o médico e gestor do grupo Sabin medicina diagnóstica, Alex Galoro, destacou a possibilidade do uso do antiviral e afirmou que, além de avanços medicinais, o setor de saúde “precisou se reinventar”. “Houve também evolução no conhecimento da doença, com a descoberta das hiper reações inflamatórias e de coagulação, que contribuíam com o óbito do paciente. O tratamento destas reações também tem ajudado a melhorar o desfecho com a melhora do quadro clínico”, avalia.

Cidades da região dizem que evolução vai além de remédios
Desde que a Covid-19 chegou no Grande ABC – primeiro caso foi confirmado dia 15 de março – os aprendizados, sobretudo na medicina, foram além de remédios. Secretária de Saúde de São Caetano, Regina Maura destaca que os profissionais tiveram também de lidar com a novidade em como “manejar” os pacientes contaminados pelo coronavírus.

“No início da pandemia havia uma tendência a usar a hidroxicloroquina, mas, depois, se verificou que ela não faria diferença no tratamento. O que faz diferença, e isso é unanimidade entre os profissionais, é a assistência prestada ao paciente”, garantiu Regina.

Segundo a secretaria, tendo estrutura adequada, tanto de leitos, como de medicamentos, se o paciente chegar aos postos de saúde destinados à Covid-19 em tempo de que sejam aplicados os tratamentos disponíveis, em geral, há sucesso no quadro. “Acontece o óbito quando o paciente já chega (nos hospitais) em fase muito adiantada da doença, em que não há mais tempo de se aplicar todos os tratamentos possíveis”, explicou.

Diretor médico de Santo André, Bruno Maia destaca que, além de todos os aprendizados, os especialistas também fortaleceram a importância dos cuidados individuais de higiene. “No atendimento médico sempre houve os cuidados necessários para evitar contaminação do doente para profissional e vice-versa, em tempos de epidemia, passamos a notar ainda mais o quão importante é este passo”, pontuou.

Maia destaca o tratamento humanitário com os doentes e defende que a população tem de colaborar com os profissionais da saúde. “A conscientização da população é o principal meio de enfrentamento ao coronavírus. O uso de máscaras, o distanciamento social, as boas práticas de higiene são atitudes que com certeza tem ajudado no menor número de casos e, consequentemente, salvando mais vidas”, finalizou.

Falta de insumos para sedação nos hospitais preocupa especialista
Diante do aumento de doentes que evoluíram para o quadro grave do novo coronavírus, os hospitais encontram, além da falta de comprovação no tratamento, novos desafios para manter os pacientes internados, como a falta de sedativos disponíveis para compra.

Presidente da APM (Associação Paulista de Medicina) Regional de São Bernardo e Diadema, João Eduardo Charles explica que, com a quantidade de remédios utilizados para manter os pacientes que estão internados, sobretudo aqueles que precisam ficar sedados, os equipamentos de saúde já se deparam com a falta dos produtos no mercado.

“Para manter o paciente sedado, precisamos utilizar drogas que deixam o paciente dormindo, confortável, principalmente nos casos de entubação. Com o aumento de pacientes em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), a necessidade no uso destas drogas aumenta dez vezes mais. E já temos encontrado dificuldade para compra destes remédios”, explicou o especialista.

Charles acredita que o País está entrando “em fase extremamente ruim". “Da mesma forma que faltou máscara no início da pandemia, a falta de drogas agora gera medo terrível. Os insumos estão desaparecendo e os hospitais estão ficando apavorados. E isso é em todo lugar. Vai acabar medicamento nas próximas semanas e não conseguimos repor”, disse Charles.



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Covid ainda é incógnita para médicos

Cinco meses após surgir na China, doença desafia diariamente profissionais da saúde que ainda buscam melhores métodos de tratamento

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

31/05/2020 | 07:00


 Há cinco meses o mundo tenta descobrir formas de conter os estragos do novo coronavírus no corpo humano. Diferentemente das outras doenças, as quais médicos já possuem histórico e protocolos de atendimento, a Covid-19 tem oferecido desafios diários para quem está na linha de frente. No Brasil, já são três meses de trabalho e alguma evolução no sentido de, ao menos, estabilizar a doença.

Embora profissionais da saúde sintam avanços, o cenário é avaliado como obscuro, sobretudo pela falta de comprovações quanto as medidas que funcionam, afinal, médicos do mundo todo estão testando na prática métodos e medicamentos.

Presidente da APM (Associação Paulista de Medicina), Regional de São Bernardo e Diadema, João Eduardo Charles, diz que as mudanças são pequenas. Nem as medicações que estão sendo utilizadas mostram, segundo ele, se o paciente melhorou por causa do remédio, ou se o resultado seria o mesmo se não houvesse a utilização da droga. “Há grande quantidade de pessoas que passam pela doença sem sentir nada. Não se pode dizer que aquele paciente que teve sintomas, leves ou graves, e tomou um, ou outro remédio, teve a cura por isso. É muito controverso”.

O presidente da APM explica ainda que, além dos medicamentos, as posições utilizadas com pacientes em quadros mais graves de comprometimento respiratório, como ficar deitado de barriga para baixo, foram apostas para amenizar o sofrimento, mas que os hospitais permanecem com o mesmo cenário do início da pandemia, de caos e incertezas. “Não me sinto confortável em dizer que temos soluções. A coisa não está resolvida. Evoluímos na utilização de equipamentos, suporte geral e na forma de evitar a contaminação. Mas, tecnicamente falando, as demais medidas são, ainda, somente tentativas”, explicou.

Já o infectologista e professor do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Fábio Leal destaca que houve “muitas evoluções”, tanto na questão de suporte clínico com os pacientes mais graves em UTI, como questões específicas da doença. “Se percebeu a importância do tratamento com anticoagulantes, se verificou que a cloroquina é absolutamente ineficaz e que, por outro lado, um antiviral chamado Remdesivir se mostrou parcialmente eficaz, em estudos norte-americanos e, possivelmente, pode ser uma medicação a ser usada nos próximos meses, além de outras que podem vir a surgir”, sintetizou.

Assim como Leal, o médico e gestor do grupo Sabin medicina diagnóstica, Alex Galoro, destacou a possibilidade do uso do antiviral e afirmou que, além de avanços medicinais, o setor de saúde “precisou se reinventar”. “Houve também evolução no conhecimento da doença, com a descoberta das hiper reações inflamatórias e de coagulação, que contribuíam com o óbito do paciente. O tratamento destas reações também tem ajudado a melhorar o desfecho com a melhora do quadro clínico”, avalia.

Cidades da região dizem que evolução vai além de remédios
Desde que a Covid-19 chegou no Grande ABC – primeiro caso foi confirmado dia 15 de março – os aprendizados, sobretudo na medicina, foram além de remédios. Secretária de Saúde de São Caetano, Regina Maura destaca que os profissionais tiveram também de lidar com a novidade em como “manejar” os pacientes contaminados pelo coronavírus.

“No início da pandemia havia uma tendência a usar a hidroxicloroquina, mas, depois, se verificou que ela não faria diferença no tratamento. O que faz diferença, e isso é unanimidade entre os profissionais, é a assistência prestada ao paciente”, garantiu Regina.

Segundo a secretaria, tendo estrutura adequada, tanto de leitos, como de medicamentos, se o paciente chegar aos postos de saúde destinados à Covid-19 em tempo de que sejam aplicados os tratamentos disponíveis, em geral, há sucesso no quadro. “Acontece o óbito quando o paciente já chega (nos hospitais) em fase muito adiantada da doença, em que não há mais tempo de se aplicar todos os tratamentos possíveis”, explicou.

Diretor médico de Santo André, Bruno Maia destaca que, além de todos os aprendizados, os especialistas também fortaleceram a importância dos cuidados individuais de higiene. “No atendimento médico sempre houve os cuidados necessários para evitar contaminação do doente para profissional e vice-versa, em tempos de epidemia, passamos a notar ainda mais o quão importante é este passo”, pontuou.

Maia destaca o tratamento humanitário com os doentes e defende que a população tem de colaborar com os profissionais da saúde. “A conscientização da população é o principal meio de enfrentamento ao coronavírus. O uso de máscaras, o distanciamento social, as boas práticas de higiene são atitudes que com certeza tem ajudado no menor número de casos e, consequentemente, salvando mais vidas”, finalizou.

Falta de insumos para sedação nos hospitais preocupa especialista
Diante do aumento de doentes que evoluíram para o quadro grave do novo coronavírus, os hospitais encontram, além da falta de comprovação no tratamento, novos desafios para manter os pacientes internados, como a falta de sedativos disponíveis para compra.

Presidente da APM (Associação Paulista de Medicina) Regional de São Bernardo e Diadema, João Eduardo Charles explica que, com a quantidade de remédios utilizados para manter os pacientes que estão internados, sobretudo aqueles que precisam ficar sedados, os equipamentos de saúde já se deparam com a falta dos produtos no mercado.

“Para manter o paciente sedado, precisamos utilizar drogas que deixam o paciente dormindo, confortável, principalmente nos casos de entubação. Com o aumento de pacientes em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), a necessidade no uso destas drogas aumenta dez vezes mais. E já temos encontrado dificuldade para compra destes remédios”, explicou o especialista.

Charles acredita que o País está entrando “em fase extremamente ruim". “Da mesma forma que faltou máscara no início da pandemia, a falta de drogas agora gera medo terrível. Os insumos estão desaparecendo e os hospitais estão ficando apavorados. E isso é em todo lugar. Vai acabar medicamento nas próximas semanas e não conseguimos repor”, disse Charles.

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