Política

Região pode manter vivo sonho do Metrô, cita Rodrigo Garcia




Vice-governador do Estado e secretário de Governo, Rodrigo Garcia (PSDB) assegurou que a construção do BRT (sigla em inglês para ônibus de alta velocidade), que substituirá o projeto da Linha 18-Bronze do monotrilho, não inviabiliza a discussão sobre a Linha 20-Rosa do Metrô. O ramal tradicional esteve no pacote anunciado pelo governo do Estado em 2019 para o Grande ABC. “Podemos continuar com esse sonho”, disse o tucano, em visita ao Diário. 

Garcia salientou que estudos para construção da Linha 20-Rosa, que interligará o Grande ABC à Zona Oeste da Capital, passando pela Zona Sul, estão em andamento – o Metrô, recentemente, firmou contratos para avaliação de sondagem de terreno e o anteprojeto funcional. “O BRT vem para atender, de maneira imediata, o Grande ABC, com muito conforto. Mas ele não é impeditivo para que o governo do Estado mantenha estudos para extensão da linha metroviária. Temos um bom sonho virando realidade, com o caso do BRT, seguindo com os sonhos de olhar para o futuro”, comentou o vice-governador, em entrevista exclusiva.

Depois da visita ao Diário, o novo tucano esteve em agenda de apresentação do BRT aos prefeitos da região na Prefeitura de Santo André. O secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, também compareceu.

Durante a apresentação, Baldy citou que é real a chance de que a próxima linha de Metrô convencional seja a que atenderá a região. “É muito provável, pelo curso e andamento de tudo que está acontecendo, que a Linha 20-Rosa seja a próxima linha de Metrô. Estamos dando andamento aos estudos, vendo a avaliação de origem-destino, com ligação à rede (do Grande ABC) via Zona Sul.”

A Linha 20-Rosa entrou em discussão inicial no começo dos anos 2000, tinha previsão de interligar a região inicialmente por São Bernardo e encerrar o trajeto no bairro da Lapa, Zona Oeste. O custo estimado, em dados de 2010, era de R$ 10 bilhões. As mais recentes tratativas, iniciadas a partir de 2019, tentam incluir mais estações em Santo André, com possibilidade de partida nos terminais andreenses da Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Presidente do Consórcio Intermunicipal e prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) cobrou a chegada do Metrô. Ele citou a frustração de expectativa com o fim da Linha 18-Bronze, cujo contrato foi assinado em 2014, porém, não saiu do papel, uma vez que o governo do Estado não conseguiu aporte para dar início às desapropriações. O governo de João Doria (PSDB) decidiu trocar o modal sob argumento de custos: a Linha 18 estava estimada em mais de R$ 6 bilhões, enquanto o BRT deve demandar por volta de R$ 700 milhões, com recursos privados (a Metra, concessionária do Corredor ABD de trólebus, firmou acordo para construir o BRT em troca de extensões contratuais).

“Metrô tão sonhado não foi esquecido. A Linha 20 tem contratação dos projetos. Em sua forma mais tradicional. Deve chegar à região em médio e longo prazos. Não podemos tirar da agenda regional”, disse Paulo Serra, no discurso.

A atividade contou com a participação dos prefeitos Orlando Morando (PSDB-São Bernardo), Tite Campanella (Cidadania-São Caetano), José de Filippi Júnior (PT-Diadema), Marcelo Oliveira (PT-Mauá), Clóvis Volpi (PL-Ribeirão Pires) e Claudinho da Geladeira (Podemos-Rio Grande da Serra), além dos deputados estaduais da região Carla Morando (PSDB-São Bernardo), Thiago Auricchio (PL-São Caetano) e Coronel Nishikawa (PSL-São Bernardo).

Mais informações nas páginas 3 e 4 do caderno Setecidades.

Atuarei por união no PSDB, diz Paulo Serra

Prefeito de Santo André e presidente do Consórcio Intermunicipal, Paulo Serra (PSDB) disse que é possível construir um caminho de união dentro do tucanato de olho na eleição ao governo do Estado no ano que vem. O vice-governador Rodrigo Garcia, recém-filiado ao PSDB, e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) têm os nomes cotados para representar a legenda em possível sucessão de João Doria (PSDB).

“Vou trabalhar pela união. Tenho (essa postura) no Consórcio, na minha trajetória. Acredito mais no diálogo e união. Prego sempre a somatória de esforços e acredito que o País precisa disso. Precisamos oferecer alternativa porque o País precisa desse tipo de construção, independentemente de nomes. Tem possibilidade disso (união entre Garcia e Alckmin). Enquanto tiver (chance), vou trabalhar e me empenhar para isso”, comentou.

Garcia chegou ao PSDB pelas mãos de Doria e com ficha abonada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB, que morreu no domingo) com objetivo de ser o candidato à sucessão de Doria – potencial presidenciável no ano que vem. Alckmin, que teve Doria como afilhado político e agora caminha em raia oposta, sinaliza internamente que quer representar a legenda em busca de um quinto mandato de governador. Para isso, estimula o instrumento de prévias.

Garcia tergiversou sobre a sucessão de Doria, recorrendo a uma célebre declaração de Alckmin, nos tempos de governador, quando era indagado sobre processo eleitoral. “Eleição só se fala em anos pares. Mas só mudei de casa, não de trajetória na política.”

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