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Santo André rebate
torcida e adia posição


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

24/08/2011 | 07:06


O conflito entre Santo André e a torcida ganhou ontem outro capítulo. A diretoria do clube emitiu nota de esclarecimento rebatendo carta enviada ao clube no dia anterior pela organizada Fúria Andreense sobre os fatos ocorridos no domingo, após o jogo contra o Joinville, no Estádio Bruno Daniel. E apesar de o Ramalhão considerar "página virada", o caso parece longe do fim.

O comunicado enviado pelo clube faz menção de que os torcedores já foram ao estádio na ocasião com o intuito de criar confusão, pois dias antes, quando anunciadas as contratações do trio Marcelo, Batata e Henrique, a diretoria diz ter recebido ameaças.

"Por não concordarem com essas aquisições, já haviam mandado recado, ameaçando adentrar nas dependências do estádio, a fim de promover desordem. Falaram que iriam ‘quebrar tudo'. Assim, ao nosso entender, ao que parece encontraram um motivo (inconsistente) para demonstrar o seu descontentamento", cita o texto do clube (leia os principais trechos ao lado).

Na opinião do diretor de futebol do Santo André, Luiz Antonio Ruas Capella, "eles (torcedores) queriam algum motivo para seus atos. Julgaram os três jogadores sem conhecê-los, disseram que eram de empresários e tudo mais. Depois, surgiu o negócio (possível gesto obsceno) que o Brasília não fez. Estavam procurando algo como estopim."

No comunicado, o clube se mostra ao lado do atleta e diz confiar em suas palavras. "(...) Conhecemos a conduta do jogador e temos absoluta certeza de que o mesmo não colocaria a segurança de sua família em risco, pois viu como estavam os ânimos dos torcedores."

Em resposta às citações da torcida, o clube esclarece que havia pessoa no portão entre a arquibancada e a área de acesso ao local onde estavam os jogadores, mas "utilizando-se de truculência, mais de 20 torcedores empurraram o segurança, correndo em direção aos vestiários."

Sobre a concessão de ingressos à organizada, o dirigente disse que isso só será definido depois. "Quando estivermos nos preparando para o jogo contra a Chapecoense é que vamos ver essa questão. Agora, temos coisa muito mais importante do que nos importar com a Fúria", argumentou Capella.

Em nota enviada ontem ao Diário, a organizada assumiu que "não faz mais questão dos ingressos gratuitos, e que todos os associados a partir de agora vão comprar seus ingressos nas bilheterias e nos pontos de venda antecipados, como diz o estatuto do torcedor, com 72 horas de antecedência."

Na visão da diretoria, os acontecimentos já "fazem parte do passado" e é hora de se ater à meta do time, que ainda não é fugir do rebaixamento para a Série D. "Para nós esse episódio é página virada. Se continuarmos repercutindo, vamos sair do nosso foco e objetivo na Série C. Tudo pode acontecer. Já nos consideram como rebaixados, mas ainda vamos buscar a classificação", concluiu Luiz Antonio Capella.

BRUNO DANIEL

Funcionários da Prefeitura que trabalham no estádio realizarão na manhã de hoje a substituição das duas vidraças quebradas no confronto entre torcedores e jogadores.

Negretti corre o risco de gancho

Dois jogos e duas expulsões. Esse é o desempenho de Negretti com a camisa do Santo André, que não apenas complicaram o time nos jogos contra Caxias e Joinville, mas podem acarretar pena de 12 jogos de suspensão ao volante.

O fato de ser reincidente e as informações contidas na súmula da partida diante dos catarinenses - o árbitro relatou que o volante deu um tapa no rosto de Ramon, que deixou o campo sangrando - devem levar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva a enquadrar o jogador no artigo 254-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (Praticar agressão física durante a partida), com punição de até 12 partidas.

Negretti se diz tranquilo. Pretende apagar o estigma de violento e vai trabalhar para voltar contra a Chapecoense - cumprirá a suspensão automática diante do Caxias. "Infelizmente não pude mostrar meu futebol durante o jogo inteiro e espero uma próxima oportunidade para isso", disse o volante.

O técnico Rotta já mostra-se conformado com a possibilidade de o jogador ser punido com pelo menos dois jogos de suspensão. "Por ser reincidente deve pegar mais de um jogo", afirmou. "Temos o receio de que ele não jogue mais o campeonato. Tememos que isso aconteça e tenha punição mais rígida para ele", posicionou-se de forma mais resignada o diretor de futebol Luiz Antonio Ruas Capella.

Treinador e dirigente prometeram conversar com Negretti nos próximos dias para falar sobre os dois cartões vermelhos e a situação. "É necessário. Ele não pode achar que é o culpado pelos resultados, mas dois jogos e duas expulsões acabam prejudicando a equipe, que se sacrifica. É necessário trabalhar a cabeça dos demais, também, para que isso não aconteça de novo", disse Rotta.

O volante afirmou que reviu o lance em vídeo e se defendeu dos relatos na súmula. "Não senti o Ramon, tanto que só parei quando o auxiliar levantou a bandeira. Quando se há o contato, a gente sente. Abri o braço, mas sem intenção de pegar nele. O árbitro foi muito rigoroso, ainda era começo de jogo (sete minutos)."

Hoje, o time treina em dois períodos. Pela manhã, treino tático. À tarde, físico.

Resposta do EC Sto.André

O pensamento da diretoria do EC Santo André é exatamente o mesmo que externou o presidente da organizada: "Não se deve admitir, em hipótese alguma, cenas como as acontecidas após o jogo contra o Joinville. A partir do momento que se usa de violência para reivindicar o que quer que seja, perde-se a razão."

No mais, em relação aos esclarecimentos prestados pela organizada, devemos ressaltar o seguinte:

1º) Após o jogo, por meio do diretor de futebol, procuramos o presidente da torcida e pedimos seriedade na apuração dos fatos;

2º) Naquele momento, Renato Ramos, presidente da Fúria Andreense, afirmou que repudiava a atitude dos torcedores, mas que a ira dos mesmos foi desencadeada a partir de gesto do jogador Cristiano Brasília, que teria mostrado o dedo médio aos mesmos na saída do gramado;

3º) Ao voltar ao interior do Estádio Bruno José Daniel, o dirigente encontrou o atleta Cristiano Brasília, juntamente com o seu filho (um garoto de não mais de 8 anos) e conversou com o atleta, pedindo explicações sobre o relatado. Porém, ele ficou surpreso e disse que somente olhou para a arquibancada e chamou com um aceno de mão sua mulher e seus filhos que estavam próximos da torcida (...).

4º) De nossa parte a resposta do jogador foi satisfatória, uma vez que conhecemos a conduta do mesmo e temos absoluta certeza de que não colocaria a segurança de sua família em risco, pois viu como estavam os ânimos dos torcedores;

5º) Deve-se salientar que, quando da contratação dos jogadores Batata, Marcelo e Henrique, integrantes desta torcida, por não concordarem com as aquisições, haviam mandado recado, ameaçando adentrar as dependências do estádio, a fim de promover desordem. Falaram que iriam "quebrar tudo". Assim, no nosso entender, ao que parece, encontraram motivo (inconsistente) para demonstrar seu descontentamento;

6º) Contrariamente ao que foi informado na nota de esclarecimento, havia segurança na porta que dá acesso aos vestiários (embaixo da arquibancada). Todavia, valendo-se da truculência, mais de 20 torcedores empurraram o segurança e correram em direção aos vestiários. Também há que se esclarecer que os torcedores não se limitaram a ficar atrás da porta de vidro. Eles a ultrapassaram e chegaram à porta de ferro dos vestiários, momento em que entravam o assessor de imprensa, Miguel Fagundes, o fisioterapeuta Jamanta e o diretor de futebol Luís Antonio Ruas Capella. (...) Foi verificado ainda que havia jogadores lá fora e os atletas que já estavam nos vestiários, ao escutarem a gritaria que tomava conta do local, abriram a porta para resgatar seus companheiros. Nesse momento, houve um pequeno confronto, mas os integrantes da torcida bateram em retirada. Antes, porém, invadiram a sala da administração do estádio e armaram-se do que puderam. Ai, sim, ficaram após a porta de vidro, e com a imediata chegada dos jogadores, começaram a arremessar o que tinham nas mãos.

7º) Ainda, contrariamente ao que afirma a nota de esclarecimento, não havia somente pessoas com roupas da organizada, mas, inclusive, diretores da mesma.

De tudo o que se relatou, depreende-se que por trás dessas manifestações há, sem dúvida, interesses outros, uma vez que poderia até haver descontentamento por parte da torcida pelo resultado que nos foi tirado nos momentos finais. Entretanto, não se pode deixar de ressaltar e enaltecer o espírito de luta que permeou os atletas durante a partida. Entendemos que esse é um momento de união e que todos que realmente amam o EC Santo André deveriam estar irmanados e caminhando juntos até o último jogo desse campeonato. Infelizmente, não é isso que se vê.



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