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Guia ensina identificar abuso sexual


Luciano Cavenagui
Do Diário do Grande ABC

20/11/2004 | 12:30


A reedição do Guia Escolar - Rede de Proteção à Infância, publicação destinada aos professores para capacitá-los a identificar indícios de violência sexual nos alunos, foi lançado oficialmente nesta sexta-feira no Estado, no auditório da Faculdade de Direito de São Bernardo. Está prevista a distribuição gratuita do guia para todos os professores da rede pública no primeiro semestre do ano que vem. Para isso, cada município precisa fazer um convênio com o governo federal.

O livro foi financiado pelo Unifem (Fundo do Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e coordenado pelo MEC (Ministério da Educação) e pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Os autores são o antropólogo Benedito Rodrigues dos Santos, a psicopedagoga Rita Ippólito e o psicólogo Marcelo Moreira Neumann, presidente do Cepesp (Centro de Pesquisa e Prevenção em Políticas Sociais), instituto sem fins lucrativos.

A primeira edição do livro ocorreu em setembro de 2003 e só foi distribuída para professores de Belém e Goiânia. No entanto, especialistas do MEC chegaram à conclusão que na publicação havia material excessivo e que era necessário fazer a reedição para que fosse mais prático aos professores.

O lançamento ocorreu dentro do evento Prevenção à Violência Sexual Infanto-Juvenil, no qual participaram Neumann e outros especialistas da área. "Se o professor estiver capacitado a detectar suspeitas de violência e abuso sexual em seus alunos, ele pode ajudar a resolver o problema mais rápido e diminuir o sofrimento dos jovens afetados", afirmou o psicólogo Neumann.

Entre alguns indícios básicos que o professor pode reparar no aluno estão estimulação constante do órgão sexual, dele próprio ou de outro estudante, medo de ser deixado sozinho, marcas físicas pelo corpo, depressão, auto-mutilação, distúrbios alimentares e agressividade extrema.

"Conseguimos estabelecer esses sinais com base em entrevistas, pesquisas e observação de crianças e adolescentes que foram vítimas de abuso ou violência sexual", disse a psicóloga Lígia Vezzaro Caravieri, coordenadora técnica do Crami (Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância do ABCD) e uma das responsáveis pela reedição do guia.

Pesquisa - No evento, o presidente do Cepesp e um coordenador do instituto apresentaram resultados parciais da segunda fase da pesquisa de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes em São Bernardo. O resultado final da pesquisa, encomendada pela Fundação Criança, vinculada à Prefeitura, contendo análise e conclusão, será divulgado até o fim de dezembro.

A primeira etapa do estudo foi divulgada em maio e detectou que, em 2003, houve 182 vítimas na cidade e os bairros onde ocorrem mais prostituição infanto-juvenil são Ferrazópolis, Riacho Grande, Centro, Rudge Ramos e Taboão. Bares, restaurantes e até taxistas facilitam a ocorrência de situações de abuso.

Na segunda fase, divulgada parcialmente nesta sexta-feira, pesquisadores do instituto entrevistaram quatro adolescentes, entre 13 e 15 anos, que sofreram violência sexual e estão internadas em clínicas de recuperação para dependentes químicos. "Agrupamos pontos comuns no depoimento delas para nos aprofundarmos no assunto. Elas sofreram violência sexual doméstica, foram influenciadas por pessoas da rua, foram expostas ao trabalho infantil e tráfico de drogas, tiveram problemas financeiros com a família e não usavam preservativos nas relações sexuais", afirmou o psicólogo Ednilton José Santa Rosa, coordenador do Cepesp.



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Guia ensina identificar abuso sexual

Luciano Cavenagui
Do Diário do Grande ABC

20/11/2004 | 12:30


A reedição do Guia Escolar - Rede de Proteção à Infância, publicação destinada aos professores para capacitá-los a identificar indícios de violência sexual nos alunos, foi lançado oficialmente nesta sexta-feira no Estado, no auditório da Faculdade de Direito de São Bernardo. Está prevista a distribuição gratuita do guia para todos os professores da rede pública no primeiro semestre do ano que vem. Para isso, cada município precisa fazer um convênio com o governo federal.

O livro foi financiado pelo Unifem (Fundo do Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e coordenado pelo MEC (Ministério da Educação) e pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Os autores são o antropólogo Benedito Rodrigues dos Santos, a psicopedagoga Rita Ippólito e o psicólogo Marcelo Moreira Neumann, presidente do Cepesp (Centro de Pesquisa e Prevenção em Políticas Sociais), instituto sem fins lucrativos.

A primeira edição do livro ocorreu em setembro de 2003 e só foi distribuída para professores de Belém e Goiânia. No entanto, especialistas do MEC chegaram à conclusão que na publicação havia material excessivo e que era necessário fazer a reedição para que fosse mais prático aos professores.

O lançamento ocorreu dentro do evento Prevenção à Violência Sexual Infanto-Juvenil, no qual participaram Neumann e outros especialistas da área. "Se o professor estiver capacitado a detectar suspeitas de violência e abuso sexual em seus alunos, ele pode ajudar a resolver o problema mais rápido e diminuir o sofrimento dos jovens afetados", afirmou o psicólogo Neumann.

Entre alguns indícios básicos que o professor pode reparar no aluno estão estimulação constante do órgão sexual, dele próprio ou de outro estudante, medo de ser deixado sozinho, marcas físicas pelo corpo, depressão, auto-mutilação, distúrbios alimentares e agressividade extrema.

"Conseguimos estabelecer esses sinais com base em entrevistas, pesquisas e observação de crianças e adolescentes que foram vítimas de abuso ou violência sexual", disse a psicóloga Lígia Vezzaro Caravieri, coordenadora técnica do Crami (Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância do ABCD) e uma das responsáveis pela reedição do guia.

Pesquisa - No evento, o presidente do Cepesp e um coordenador do instituto apresentaram resultados parciais da segunda fase da pesquisa de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes em São Bernardo. O resultado final da pesquisa, encomendada pela Fundação Criança, vinculada à Prefeitura, contendo análise e conclusão, será divulgado até o fim de dezembro.

A primeira etapa do estudo foi divulgada em maio e detectou que, em 2003, houve 182 vítimas na cidade e os bairros onde ocorrem mais prostituição infanto-juvenil são Ferrazópolis, Riacho Grande, Centro, Rudge Ramos e Taboão. Bares, restaurantes e até taxistas facilitam a ocorrência de situações de abuso.

Na segunda fase, divulgada parcialmente nesta sexta-feira, pesquisadores do instituto entrevistaram quatro adolescentes, entre 13 e 15 anos, que sofreram violência sexual e estão internadas em clínicas de recuperação para dependentes químicos. "Agrupamos pontos comuns no depoimento delas para nos aprofundarmos no assunto. Elas sofreram violência sexual doméstica, foram influenciadas por pessoas da rua, foram expostas ao trabalho infantil e tráfico de drogas, tiveram problemas financeiros com a família e não usavam preservativos nas relações sexuais", afirmou o psicólogo Ednilton José Santa Rosa, coordenador do Cepesp.

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