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Cultura andreense: que fazer?


Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

28/11/2004 | 13:44


O Diário inicia neste domingo uma série de reportagens que pretende ouvir a expectativa de artistas e público em relação às próximas gestões públicas de Cultura. Pessoas que produzem e consomem arte observam a situação atual do setor e sugerem ações aos futuros secretários e diretores, que assumirão suas pastas em 2005. O conjunto de reportagens sobre as sete cidades será publicado aos domingos.

Abre a série Santo André, município com 664 mil habitantes e que, em 2004, dedicou à Cultura cerca de 2,16% de seu orçamento anual, ou R$ 11,9 milhões. O orçamento do ano que vem ainda tramita na Câmara e, se for aprovado, a fatia do setor diminuirá proporcionalmente. Apesar de subir para R$ 12,6 milhões, o valor representará apenas 1,97% do total.

O desafio será grande. Com menos dinheiro, o secretário da pasta terá de administrar uma classe artística – e as demandas da população – que pede mais atividades, sobretudo nos bairros periféricos, melhoria e conservação dos equipamentos e do patrimônio, tratamento profissional aos artistas e circulação da produção existente na cidade.

A reivindicação que mais faz eco é a adoção de uma política cultural participativa. Aqueles que produzem arte querem dialogar com o poder público e pretendem participar nas decisões. É comum entre essa categoria a lembrança dos projetos que funcionavam na administração de Celso Daniel e que foram interrompidos com a morte do prefeito.

A área da música é a mais elogiada. É citada até como exemplo para as demais, pois consegue manter uma união entre os artistas e uma programação continuada. Mas não significa dizer que é perfeita, há vários ajustes a serem feitos. O caso mais evidente é o da Orquestra Sinfônica de Santo André, conjunto de reconhecida competência que poderia atuar com mais freqüência em toda a região, mas que enfrenta séria dificuldade financeira – um tema central para o próximo secretário e para a sociedade em geral.

Em várias situações fala-se em falta de dinheiro. Uma das saídas apontadas é a união com a iniciativa privada. O caminho é mostrar às empresas e Prefeituras que a região perde dinheiro e visibilidade quando não aposta no setor cultural.

Integração – A questão da regionalidade também será abordada na série de reportagens do Diário. Idéias como a criação de uma agenda integrada no Grande ABC e a circulação da produção local pelas sete cidades são algumas das discussões.

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC realizou sua primeira iniciativa em cultura – e única de relevância até o momento – em 1999. Foi o 1º Circuito Teatral do Grande ABC, que contou com 96 apresentações em seis cidades (exceto Rio Grande da Serra) para um público somado de cerca de 12 mil pessoas.

Hoje, o atual coordenador do grupo de trabalho de Cultura no Consórcio, Guilherme Vidotto, admite que "os resultados são tímidos". Nas reuniões do grupo, conversou-se muito sobre assuntos como a criação de uma rede de bibliotecas e o desenvolvimento museológico da região. Mas nada surgiu de concreto.

Uma das tentativas frustradas foi a elaboração de um projeto de formação artística em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura. Previa a vinda de profissionais renomados de todas as linguagens com passagens pelas sete cidades. Esbarrou na burocracia – para pagamento, a Secretaria exigiu a abertura de uma conta bancária pelos artistas, que na maioria não aceitou a idéia – e na falta de interesse de dois municípios. São Caetano não participou das reuniões e o representante de São Bernardo aparecia de vez em quando. "Consideramos o silêncio deles como negativa", diz Vidotto, que é também assessor de Cultura em Mauá.

Além de caminhos burocráticos, as discussões ainda encaram a falta de organização da comunidade artística. Os projetos não chegam prontos para serem colocados em prática. As idéias são normalmente muito vagas e desordenadas, de forma a exigir mais tempo para debate sobre relevância e viabilidade.

Vidotto se diz a favor de uma agenda regional e que ela é "perfeitamente possível" de ser colocada em prática. Entre suas sugestões para que as atividades culturais voltem a fervilhar estão "a aproximação entre o produtor cultural e o gestor público" e "o esforço integrado pela circulação cultural".

O coordenador reconhece que a Cultura caminha a passos lentos. E a sonolência não ocorre apenas nas Prefeituras. O próprio grupo de trabalho do Consórcio Intermunicipal encerra as atividades em dezembro e só deve voltar daqui três meses, quando os municípios terão definidos os dirigentes culturais que formarão a nova equipe. "Até março o Consórcio fica à deriva", diz. Tanto que já se discute a melhoria representativa dessa figura organizacional, o consórcio regional, a partir da formação de um consórcio de caráter metropolitano.

A resposta para o quadro de lentidão pode ser a própria importância da arte no Grande ABC. "A produção cultural na região é grande, tem consistência, está em movimento e é um instrumento fantástico de transformação social. Merece atenção por parte dos governantes", afirma Vidotto.



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Cultura andreense: que fazer?

Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

28/11/2004 | 13:44


O Diário inicia neste domingo uma série de reportagens que pretende ouvir a expectativa de artistas e público em relação às próximas gestões públicas de Cultura. Pessoas que produzem e consomem arte observam a situação atual do setor e sugerem ações aos futuros secretários e diretores, que assumirão suas pastas em 2005. O conjunto de reportagens sobre as sete cidades será publicado aos domingos.

Abre a série Santo André, município com 664 mil habitantes e que, em 2004, dedicou à Cultura cerca de 2,16% de seu orçamento anual, ou R$ 11,9 milhões. O orçamento do ano que vem ainda tramita na Câmara e, se for aprovado, a fatia do setor diminuirá proporcionalmente. Apesar de subir para R$ 12,6 milhões, o valor representará apenas 1,97% do total.

O desafio será grande. Com menos dinheiro, o secretário da pasta terá de administrar uma classe artística – e as demandas da população – que pede mais atividades, sobretudo nos bairros periféricos, melhoria e conservação dos equipamentos e do patrimônio, tratamento profissional aos artistas e circulação da produção existente na cidade.

A reivindicação que mais faz eco é a adoção de uma política cultural participativa. Aqueles que produzem arte querem dialogar com o poder público e pretendem participar nas decisões. É comum entre essa categoria a lembrança dos projetos que funcionavam na administração de Celso Daniel e que foram interrompidos com a morte do prefeito.

A área da música é a mais elogiada. É citada até como exemplo para as demais, pois consegue manter uma união entre os artistas e uma programação continuada. Mas não significa dizer que é perfeita, há vários ajustes a serem feitos. O caso mais evidente é o da Orquestra Sinfônica de Santo André, conjunto de reconhecida competência que poderia atuar com mais freqüência em toda a região, mas que enfrenta séria dificuldade financeira – um tema central para o próximo secretário e para a sociedade em geral.

Em várias situações fala-se em falta de dinheiro. Uma das saídas apontadas é a união com a iniciativa privada. O caminho é mostrar às empresas e Prefeituras que a região perde dinheiro e visibilidade quando não aposta no setor cultural.

Integração – A questão da regionalidade também será abordada na série de reportagens do Diário. Idéias como a criação de uma agenda integrada no Grande ABC e a circulação da produção local pelas sete cidades são algumas das discussões.

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC realizou sua primeira iniciativa em cultura – e única de relevância até o momento – em 1999. Foi o 1º Circuito Teatral do Grande ABC, que contou com 96 apresentações em seis cidades (exceto Rio Grande da Serra) para um público somado de cerca de 12 mil pessoas.

Hoje, o atual coordenador do grupo de trabalho de Cultura no Consórcio, Guilherme Vidotto, admite que "os resultados são tímidos". Nas reuniões do grupo, conversou-se muito sobre assuntos como a criação de uma rede de bibliotecas e o desenvolvimento museológico da região. Mas nada surgiu de concreto.

Uma das tentativas frustradas foi a elaboração de um projeto de formação artística em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura. Previa a vinda de profissionais renomados de todas as linguagens com passagens pelas sete cidades. Esbarrou na burocracia – para pagamento, a Secretaria exigiu a abertura de uma conta bancária pelos artistas, que na maioria não aceitou a idéia – e na falta de interesse de dois municípios. São Caetano não participou das reuniões e o representante de São Bernardo aparecia de vez em quando. "Consideramos o silêncio deles como negativa", diz Vidotto, que é também assessor de Cultura em Mauá.

Além de caminhos burocráticos, as discussões ainda encaram a falta de organização da comunidade artística. Os projetos não chegam prontos para serem colocados em prática. As idéias são normalmente muito vagas e desordenadas, de forma a exigir mais tempo para debate sobre relevância e viabilidade.

Vidotto se diz a favor de uma agenda regional e que ela é "perfeitamente possível" de ser colocada em prática. Entre suas sugestões para que as atividades culturais voltem a fervilhar estão "a aproximação entre o produtor cultural e o gestor público" e "o esforço integrado pela circulação cultural".

O coordenador reconhece que a Cultura caminha a passos lentos. E a sonolência não ocorre apenas nas Prefeituras. O próprio grupo de trabalho do Consórcio Intermunicipal encerra as atividades em dezembro e só deve voltar daqui três meses, quando os municípios terão definidos os dirigentes culturais que formarão a nova equipe. "Até março o Consórcio fica à deriva", diz. Tanto que já se discute a melhoria representativa dessa figura organizacional, o consórcio regional, a partir da formação de um consórcio de caráter metropolitano.

A resposta para o quadro de lentidão pode ser a própria importância da arte no Grande ABC. "A produção cultural na região é grande, tem consistência, está em movimento e é um instrumento fantástico de transformação social. Merece atenção por parte dos governantes", afirma Vidotto.

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