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Petrobras prorroga contrato por 45 dias

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Risco de 31 mil demissões por fechamento
de fábricas da Braskem na região permanece


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

31/10/2015 | 07:04


A direção da Petrobras aprovou ontem aditivo para a prorrogação, por 45 dias, do contrato de fornecimento da nafta, que é um derivado de petróleo, para a petroquímica Braskem. A decisão, no entanto, foi criticada por representantes do setor químico, tanto do lado dos trabalhadores quanto das empresas, e também por integrantes de entidades do Grande ABC.

A região tem no segmento um dos pilares da economia, respondendo por cerca de 60% da arrecadação de Mauá e 30% da de Santo André, e se não houver acordo para o suprimento desse insumo, existe o risco de fechamento de fábricas do polo petroquímico, com ameaça de perda de 31 mil empregos, sendo 11 mil na área química e 20 mil na plástica.

“(O aditivo) Não resolve nada, só aumenta a agonia por mais 45 dias”, diz o presidente da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), Fernando Figueiredo. “Há praticamente um ano essa situação vem sendo prorrogada. O grande problema é que dessa forma não se consegue realizar investimentos, já que não se tem a garantia de matéria-prima no longo prazo”, citou. O último aditivo, que teve dois meses de duração e foi estimado em R$ 1,5 bilhão, venceria hoje, trazendo a possibilidade de a petroquímica ficar sem o insumo para operar.

“Para nós é um paliativo, vamos continuar na mobilização”, afirmou, por sua vez, o presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Raimundo Suzart. Ontem, a entidade organizou protesto em frente ao escritório da Petrobras em São Paulo, na Avenida Paulista, contra a possibilidade de falta de fornecimento. Ele assinalou ainda que não entra no mérito da questão financeira – do custo do derivado do petróleo cobrado pela estatal –, mas pede “que haja matéria-prima para suprir as indústrias químicas do País”. “Precisamos de uma definição concreta”, disse o deputado federal Alex Manente (PPS), que coordena a área petroquímica da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Química.

O prazo de prorrogação também causou indignação no presidente da Agência de Desenvolvimento do ABC, o prefeito de Mauá, Donisete Braga. “Não estamos falando de um setor secundário, é um segmento que produz a riqueza do Brasil e, em especial, do Grande ABC”, afirmou. Toda a indústria química nacional representa 10% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial do País. “Eu espero que ao fim desses 45 dias haja uma definição de longo prazo”, disse.

A negociação entre a Braskem e a Petrobras vem se arrastando há mais de um ano. Um dos entraves é que a estatal do petróleo tem dado preferência a suprir a petroquímica com o insumo trazido do Exterior, deixando para utilizar sua produção de nafta para fazer gasolina. E, por isso, quer adicionar custos de logística à cotação, que usa como referência a europeia – que já é uma das mais caras do mundo. “Isso significaria elevar em 5% a 7% esse preço, que já é caro”, explicou Figueiredo.

A Braskem tem 70% de sua necessidade de matéria-prima suprida pela estatal e os restantes 30% são importados diretamente pela empresa, da Venezuela e de países do Norte da África. Porém, segundo especialistas, ficaria inviável ampliar o percentual importado, devido ao custo alto e também pela dificuldade logística, entre outros motivos, porque a Petrobras detém a preferência de utilização dos terminais de petróleo e derivados, nos portos, pertencentes à Transpetro – que é filial da estatal.
 



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Petrobras prorroga contrato por 45 dias

Risco de 31 mil demissões por fechamento
de fábricas da Braskem na região permanece

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

31/10/2015 | 07:04


A direção da Petrobras aprovou ontem aditivo para a prorrogação, por 45 dias, do contrato de fornecimento da nafta, que é um derivado de petróleo, para a petroquímica Braskem. A decisão, no entanto, foi criticada por representantes do setor químico, tanto do lado dos trabalhadores quanto das empresas, e também por integrantes de entidades do Grande ABC.

A região tem no segmento um dos pilares da economia, respondendo por cerca de 60% da arrecadação de Mauá e 30% da de Santo André, e se não houver acordo para o suprimento desse insumo, existe o risco de fechamento de fábricas do polo petroquímico, com ameaça de perda de 31 mil empregos, sendo 11 mil na área química e 20 mil na plástica.

“(O aditivo) Não resolve nada, só aumenta a agonia por mais 45 dias”, diz o presidente da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), Fernando Figueiredo. “Há praticamente um ano essa situação vem sendo prorrogada. O grande problema é que dessa forma não se consegue realizar investimentos, já que não se tem a garantia de matéria-prima no longo prazo”, citou. O último aditivo, que teve dois meses de duração e foi estimado em R$ 1,5 bilhão, venceria hoje, trazendo a possibilidade de a petroquímica ficar sem o insumo para operar.

“Para nós é um paliativo, vamos continuar na mobilização”, afirmou, por sua vez, o presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Raimundo Suzart. Ontem, a entidade organizou protesto em frente ao escritório da Petrobras em São Paulo, na Avenida Paulista, contra a possibilidade de falta de fornecimento. Ele assinalou ainda que não entra no mérito da questão financeira – do custo do derivado do petróleo cobrado pela estatal –, mas pede “que haja matéria-prima para suprir as indústrias químicas do País”. “Precisamos de uma definição concreta”, disse o deputado federal Alex Manente (PPS), que coordena a área petroquímica da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Química.

O prazo de prorrogação também causou indignação no presidente da Agência de Desenvolvimento do ABC, o prefeito de Mauá, Donisete Braga. “Não estamos falando de um setor secundário, é um segmento que produz a riqueza do Brasil e, em especial, do Grande ABC”, afirmou. Toda a indústria química nacional representa 10% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial do País. “Eu espero que ao fim desses 45 dias haja uma definição de longo prazo”, disse.

A negociação entre a Braskem e a Petrobras vem se arrastando há mais de um ano. Um dos entraves é que a estatal do petróleo tem dado preferência a suprir a petroquímica com o insumo trazido do Exterior, deixando para utilizar sua produção de nafta para fazer gasolina. E, por isso, quer adicionar custos de logística à cotação, que usa como referência a europeia – que já é uma das mais caras do mundo. “Isso significaria elevar em 5% a 7% esse preço, que já é caro”, explicou Figueiredo.

A Braskem tem 70% de sua necessidade de matéria-prima suprida pela estatal e os restantes 30% são importados diretamente pela empresa, da Venezuela e de países do Norte da África. Porém, segundo especialistas, ficaria inviável ampliar o percentual importado, devido ao custo alto e também pela dificuldade logística, entre outros motivos, porque a Petrobras detém a preferência de utilização dos terminais de petróleo e derivados, nos portos, pertencentes à Transpetro – que é filial da estatal.
 

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