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Com 'Blow-Up', Antonioni fez história ao impor novo conceito



08/12/2016 | 07:30


Quem foi jovem nos anos 1940, ou 50, ou 70, 80, 90, com certeza identificará na época de sua juventude um período de mudanças viscerais. Mas foram os anos 1960 que fizeram história. A década que mudou tudo. Os Beatles, a pílula e a minissaia. Um terremoto abalou o mundo e o epicentro era Londres - a Swinging London.

Michelangelo Antonioni levara ao limite, na Itália, a sua crítica do vazio existencial da burguesia. Solidão e incomunicabilidade. O Deserto Vermelho levou-o ao que parecia um impasse.

Para se reinventar, Antonioni caiu no mundo. Filmou em Londres (Blow-Up), revelou a 'América' em transe (Zabriskie Point) e decifrou o enigma por trás da Grande Muralha (China). Era um grande autor de filmes de arte. Com Blow Up - Depois Daquele Beijo, criou - ou foram as circunstâncias - uma nova modalidade. O filme de arte para as massas. imerso na cultura pop. Virou um êxito planetário sem abrir mão do rigor estético. Consolidou uma elite de autores. Já havia Jean-Luc Godard, na França, mas o chefe de fila da nouvelle vague fazia biscoitos finos para intelectuais. Antonioni, Federico Fellini e Ingmar Bergman atingiram outro patamar, e cada um, à sua maneira, foi metalinguístico.

Na cena com Vanessa Redgrave, o fotógrafo, Thomas, tira a camisa. Fica com o torso nu, ela também. Vanessa quase não tem seios. Ficam os dois muito parecidos.

Masculino, feminino. Androginia. Só existe uma presença 'carnal' no filme, e é a personagem de Sarah Miles. Antonioni viu com desconfiança a revolução sexual da Swinging London. Um mundo gélido de sentimentos, sem afeto. Um mundo em que a realidade é substituída pela ilusão. Thomas vive nesse limiar. Quando descobre o crime, o comprometimento o sacode de seu torpor. Mas quando desaparece o corpo, vai-se também o crime. Um mundo de signos, a civilização da imagem, sem signo cai no vazio. É como jogar tênis sem bola.

Tanto quanto Thomas, o mundo em que ele vive, a Londres dos anos 1960, é personagem de Blow-Up. Moda, rock, mudanças de comportamento, e o comportamento virou o novo nome da ética. Blow-Up é sobre o estado do mundo em 1966/67.

Cinquenta anos depois, por maiores que tenham sido certas mudanças, as essência do filme permanece intacta. Antonioni baseou-se num conto do argentino Julio Cortázar (Las Babas del Diablo), mas seu farol foi o Alfred Hitchcock de Janela Indiscreta, no qual outro fotógrafo, James Stewart, usa seu instrumento de trabalho, a câmera, para bisbilhotar os vizinhos e também descobre um crime. São filmes sobre arte e cinema, a arte do cinema, e por isso serão eternos. Enquanto existirem filmes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Com 'Blow-Up', Antonioni fez história ao impor novo conceito


08/12/2016 | 07:30


Quem foi jovem nos anos 1940, ou 50, ou 70, 80, 90, com certeza identificará na época de sua juventude um período de mudanças viscerais. Mas foram os anos 1960 que fizeram história. A década que mudou tudo. Os Beatles, a pílula e a minissaia. Um terremoto abalou o mundo e o epicentro era Londres - a Swinging London.

Michelangelo Antonioni levara ao limite, na Itália, a sua crítica do vazio existencial da burguesia. Solidão e incomunicabilidade. O Deserto Vermelho levou-o ao que parecia um impasse.

Para se reinventar, Antonioni caiu no mundo. Filmou em Londres (Blow-Up), revelou a 'América' em transe (Zabriskie Point) e decifrou o enigma por trás da Grande Muralha (China). Era um grande autor de filmes de arte. Com Blow Up - Depois Daquele Beijo, criou - ou foram as circunstâncias - uma nova modalidade. O filme de arte para as massas. imerso na cultura pop. Virou um êxito planetário sem abrir mão do rigor estético. Consolidou uma elite de autores. Já havia Jean-Luc Godard, na França, mas o chefe de fila da nouvelle vague fazia biscoitos finos para intelectuais. Antonioni, Federico Fellini e Ingmar Bergman atingiram outro patamar, e cada um, à sua maneira, foi metalinguístico.

Na cena com Vanessa Redgrave, o fotógrafo, Thomas, tira a camisa. Fica com o torso nu, ela também. Vanessa quase não tem seios. Ficam os dois muito parecidos.

Masculino, feminino. Androginia. Só existe uma presença 'carnal' no filme, e é a personagem de Sarah Miles. Antonioni viu com desconfiança a revolução sexual da Swinging London. Um mundo gélido de sentimentos, sem afeto. Um mundo em que a realidade é substituída pela ilusão. Thomas vive nesse limiar. Quando descobre o crime, o comprometimento o sacode de seu torpor. Mas quando desaparece o corpo, vai-se também o crime. Um mundo de signos, a civilização da imagem, sem signo cai no vazio. É como jogar tênis sem bola.

Tanto quanto Thomas, o mundo em que ele vive, a Londres dos anos 1960, é personagem de Blow-Up. Moda, rock, mudanças de comportamento, e o comportamento virou o novo nome da ética. Blow-Up é sobre o estado do mundo em 1966/67.

Cinquenta anos depois, por maiores que tenham sido certas mudanças, as essência do filme permanece intacta. Antonioni baseou-se num conto do argentino Julio Cortázar (Las Babas del Diablo), mas seu farol foi o Alfred Hitchcock de Janela Indiscreta, no qual outro fotógrafo, James Stewart, usa seu instrumento de trabalho, a câmera, para bisbilhotar os vizinhos e também descobre um crime. São filmes sobre arte e cinema, a arte do cinema, e por isso serão eternos. Enquanto existirem filmes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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