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'Laranja' confirma acusaçoes contra Willian Sozza


Do Diário do Grande ABC

18/11/1999 | 11:19


O depoimento do ex-sócio de Willian Walder Sozza na boate Paradise Night Club, em Campinas SP, Geraldo Burdini Júnior, complicou ainda mais a situaçao do empresário, acusado de comandar o crime organizado na regiao. Burdini Júnior disse aos integrantes da CPI do Narcotráfico que a sua conta bancária pessoal era usada por Sozza para movimentar dinheiro vindo de outras fontes. O depoimento também revelou indícios de que a boate funcionava como uma casa de prostituiçao.

De acordo com o ex-sócio, a conta era usada por Sozza para movimentar o dinheiro da boate e fazer negócios de compra e venda de automóveis. Segundo ele, o faturamento médio da Paradise girava em torno de R$ 20 mil por mês, mas ao consultar os extratos, notava saldos de até R$ 50 mil. Burdini Júnior disse que nunca viu esse dinheiro e, apesar de constar legalmente como sócio, ganhava entre R$ 800,00 e R$ 1,1 mil mensais.

"É evidente que a boate servia de fachada para lavagem dinheiro", disse a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ). "Eu assinava os taloes de cheque e deixava com ele (Sozza)", contou o ex-sócio. Burdini Júnior disse que nunca questionou o empresário porque "precisava do trabalho para sustentar a família". Segundo ele, Sozza o convenceu a passar por sócio da boate em 1996. Em troca, "ganharia" o emprego. Visivelmente assustado, Burdini Júnior, 44 anos, expressava-se com dificuldade. Contou que conheceu Sozza em 1993, quando foi procurar emprego na Dog Center. "Cheguei a trabalhar como motorista, fazia pequenos serviços, lavava e polia carros da empresa", disse. Três anos depois, figurava como sócio de Sozza detendo, legalmente, 50% da boate.

Aparentando ingenuidade e pouca instruçao, Burdini Júnior conseguiu convencer os integrantes da CPI sobre sua possível inocência.

"Vou pedir ao Ministério Público que leve em conta sua sinceridade e atenue as possíveis implicaçoes criminais", garantiu o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PDT-CE). "Pelo seu depoimento está caracterizado que o senhor foi uma vítima", completou o parlamentar.

Encorajado pelo apoio de Torgan, o ex-sócio passou a fornecer detalhes sobre o funcionamento da boate. Disse que trabalhava durante o dia, realizando atividades administrativas, mas o movimento maior acontecia à noite. Segundo ele, a maior freqüência ocorria nas madrugadas de Quarta para Quinta-feira, quando o faturamento médio chegava a R 2,5 mil.

Burdini Júnior disse que "algumas mulheres" moravam num alojamento dentro da boate, mas alegou nao saber se o local funcionava como casa de prostituiçao. "Trabalhava durante o dia e nao sei o que acontecia à noite", explicou. O motorista Jorge Meres, considerado a principal testemunha da CPI, confirmou, porém, na acareaçao com Burdini Júnior, que a Paradise oferecia "garotas de programa" aos fregueses. "Cada menina custava R$ 200,00", afirmou o motorista, fiel ao estilo frio e direto.

Méres disse que entre as mulheres havia menores de idade. Citou pelo menos dois casos em que, segundo ele, as jovens tinham 16 e 17 anos. "Até a filha de uma conhecida minha foi convidada para trabalhar", revelou, sem citar nomes.



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