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Lição a quatro mãos


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

06/09/2009 | 07:09


Caderno, lápis e borracha na mão. Lá vai Lourdes Maria de Jesus, de São Bernardo, para a escola aprender o alfabeto e a tabuada. Em casa, ela tem de fazer as lições e treinar a leitura. Para isso, conta com a ajuda de Stephanni de Jesus Rodrigues. A cena pareceria comum se Lourdes não tivesse 63 anos e Stephanni, 6. As duas são avó e neta!

Assim como Lourdes, há muitos adultos que não puderam estudar durante a infância. Em geral, isso aconteceu com quem morava em regiões pobres do Interior, onde as escolas ficavam bem distantes. Como muitos tinham de trabalhar para contribuir com a família, abandonavam os estudos.

Entretanto, nada impede que voltem para o colégio depois de grandes. Nesse caso, alguns contam com o incentivo dos filhos e netos, que se transformam em professores.

"Ela senta para estudar e eu ajudo com a leitura. Às vezes, ela dá um pouco de trabalho porque quer aprender muito rápido", conta Stephanni, que também acompanha a avó nas continhas e corrige a tarefa quando está errada.

Tem mais - Isabelly de Jesus, 5, de São Bernardo, orgulha-se do fato de os pais voltarem a estudar. No semestre passado, ela assistia às aulas com a mãe, Isabel de Jesus. "Copiava as lições na lousa, mas não conseguia fazer letra de mão", lembra a menina.

A filha é exigente; era só a mãe começar a conversar na classe, que a menina pedia silêncio. Isabelly também fica atenta ao horário para que os pais não se atrasem. "Não quero que aconteça com minha filha o mesmo que ocorreu comigo. O estudo é precioso. Espero que faça faculdade", afirma Isabel.

Ajuda vai além dos livros
Há outras formas de cooperar com pais e avós, além de ajudar com as palavras e as continhas. Como os adultos estão sempre ocupados com o trabalho, sobra pouco tempo para estudar. Mesmo que fiquem em casa, as mulheres têm de limpar, lavar, fazer comida e cuidar dos filhos. É justamente aí que filhos e netos podem dar uma mãozinha.

Os irmãos Luciana Feitosa de Carvalho, 7 anos, e Cristiano, 10, de São Bernardo, lavam a louça, arrumam a cama e varrem a casa para que a mãe, Josefa Feitosa Neta, 43, consiga frequentar as aulas de alfabetização. Eles também garantem que a obedecem e se esforçam bastante para alcançar boas notas no colégio.

Luciana considera importante incentivar e ajudar a mãe de diferentes maneiras; assim, ela tem mais tempo para se dedicar aos estudos. Josefa deixou de ir à escola durante a infância na Paraíba para trabalhar. A mãe conta que Cristiano sempre dizia que, se voltasse para o colégio, ele daria uma mão com as lições. "Nós queríamos que ela estudasse e aprendesse todas as letras", afirma o menino.

"Se eu não tivesse esse apoio dos meus filhos, seria mais difícil. Eles me explicam tudo direitinho e vou aprendendo. Quando chego da escola, os dois já perguntam se tenho lição pra fazer", diz a mãe, orgulhosa.

Professorinha aos 7 anos
A Escola São Miguel, na cidade de Eusébio, no Ceará, tem uma professora muito especial: Rayena Angélica Martins da Silva. Com apenas 7 anos, ela dá uma grande força para os alunos mais velhos que participam das aulas de reforço.

Tudo começou no início deste ano. Rayena - que passa o dia inteiro na escola em que a mãe é professora - estava brincando de esconde-esconde com a irmã, quando entrou em uma classe. Lá havia um adolescente que não sabia se a palavra aconteceu era escrita com s ou com c. A menina não teve dúvidas e explicou: "É com c".

Desde aquele dia, ela não parou mais de auxiliar quem precisa. É sempre vista pelos corredores da escola lendo historinhas para os colegas. Além disso, dá dicas sobre o uso do computador para os professores na hora do almoço.

O dia a dia de Rayena não é nada fácil. Junto com a mãe e a irmã, acorda antes de o Sol nascer. Caminham cerca de uma hora para chegar ao colégio e só voltam para casa às 19h. As dificuldades, porém, não a impedem de praticar o bem. "Gosto muito de ajudar os outros e de estudar", garante Rayena, que desde o ano passado dizia para a mãe que queria dar aulas.

A iniciativa da menina despertou a admiração de todos na cidade. Foi até homenageada pela prefeitura, da qual recebeu livros e uma cesta de doces. E no futuro? Rayena já tem planos: quer ser veterinária e professora de informática.

Todo mundo aprende
Quem ensina aprende duas vezes, pois reforça o que já sabe. Por isso, não perca a oportunidade de apoiar quem está começando a ler e escrever. Eles ficarão felizes.

Os adultos que recebem incentivo da família se desenvolvem melhor na escola e aprendem com mais facilidade. Além disso, esses momentos que passarão juntos é uma chance de se tornarem grandes amigos.

Ao ajudar um familiar, você descobrirá a importância de ir à escola e como é necessário dedicação para conquistar um futuro melhor. Sem contar que o estudo trará a oportunidade de que eles consigam um emprego melhor.

Analfabetismo
O analfabetismo vem diminuindo no Brasil. Entretanto, ainda ocupamos o nono lugar na lista dos países da América Latina com grande número de analfabetos. Cerca de 14 milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever. A maioria tem entre 40 e 59 anos.

Dicas
É importante incentivar o adulto a aprender a ler e escrever. Nunca deixe que ele desista e procure sempre elogiá-lo. Isso pode mudar muito a vida dele. O analfabeto tem dificuldade para arrumar emprego e ganha muito menos.

O domínio da leitura é muito importante, principalmente na hora de pegar o ônibus, ler a bula de um remédio ou encontrar um produto no supermercado. Uma maneira divertida de ajudar essas pessoas é ler histórias em quadrinhos e livros infantis junto com elas.

Tenha paciência na hora das tarefas. Em geral, o adulto tem mais dificuldade do que a criança para aprender algumas lições. Tente corrigir e explicar o motivo do erro. Não deixe que ele se sinta envergonhado por não saber.

As continhas, especialmente as de dividir e multiplicar, e os problemas matemáticos são as principais dificuldades do adulto. Treine tabuada com ele. Você vai acabar aprendendo muito também.

Separe um caderno para praticar continhas com ele todos os dias. Separe também outro caderno para treinar a escrita. Pode virar uma brincadeira divertida para vocês dois.

Ajude o adulto que está sendo alfabetizado a procurar palavras no dicionário.



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