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Transplantados sentem alívio com condenação

Pacientes que receberam órgão de Eloá falam sobre julgamento


Illenia Negrin
Do Diário do Grande ABC

17/02/2012 | 07:00


Há três anos e quatro meses, eles colecionam histórias felizes, de quem descobre coisas todo dia. Contam sobre os simples - e antes inimagináveis - prazeres da vida. Sobre como é bom passear pela rua, comer pizza com os amigos, ler um livro. E também sobre como a esperança, a generosidade e a morte de Eloá definiram seus rumos.

Ontem, três pessoas beneficiadas pela doação dos órgãos da jovem assassinada por Lindemberg respiraram aliviadas ao acompanhar, ao vivo pela TV, a condenação do reú. "Estou pensando muito na dona Ana (Cristina Pimentel, mãe de Eloá). Ela merece um pouco de tranquilidade", comentou o mecânico Emerson Gentil Dardi, 28 anos, morador de Guarulhos.

O jovem sofria de diabetes e aguardava havia três anos pelo transplante quando recebeu um rim e o pâncreas de Eloá. Ele recorda que, após a cirurgia, Ana Cristina fez questão de o visitar, em casa. Foi a primeira e única vez que se viram. Nesse dia, ganhou abraço afetuoso. "Aquilo me marcou muito. Ela estava triste demais com a morte da filha. E ainda assim teve esse gesto bonito. Foi muito emocionante."

Durante os últimos anos, acompanhou as notícias do caso. Torceu muito pela condenação. E tinha certeza de que a justiça seria feita. "O Lindemberg não me fez bem algum. Hoje estou bem graças à generosidade da dona Ana. E não porque ele é um assassino."

Depois da cirurgia, Emerson se despediu das sessões intermináveis de hemodiálise (três vezes por semana, com quatro horas de duração cada). Toma água sem medida. Pode sair para comer pizza com os amigos. E voltou a trabalhar, "Vou passar o resto da vida agradecendo."

A recepcionista Lívia Amodio Novais, 31 anos, também de Guarulhos, não costuma seguir sites de notícia nem televisão. Especialmente nesta semana. "Acho muito triste. Sinto tanto por essa família..."

Lívia sofre de ceratocone, doença degenerativa nas córneas que distorce a visão e faz com que o paciente precise se esforçar bastante para ler. Pessoas como ela enxergam quase nada à noite e têm os olhos muito sensíveis à luz.

Graças a uma das córneas que recebeu de Eloá, hoje consegue ver melhor. "Melhorou demais. No início, houve rejeição, enxergava tudo amarelado. Depois, passou. Ainda uso óculos e tenho dificuldade para ler, porque tenho o mesmo problema no outro olho."

Ela conta que os pais não desgrudaram da TV para saber os detalhes do julgamento. Ontem, Lívia acabou se rendendo ao noticiário. "Tomara que a mãe da Eloá possa recomeçar."'

Na Capital, a dona de casa Maria Augusta dos Anjos, 42 anos, recebeu o coração da menina. Não gosta de falar sobre a tragédia. Única dos transplantados a tornar-se próxima de Ana Cristina, ela preferiu não comentar a condenação de Lindemberg. "Isso é assunto para a Justiça. Só quero que a Ana Cristina tenha paz."

Sobre a vida após o transplante, Augusta não economiza palavra. Desde criança, a cardiopatia congênita a impedia de tudo. Terminou os estudos com muito esforço. Mas sentia-se tão fraca que mal podia caminhar, lavar os cabelos. "Não podia sair sozinha, porque sempre desmaiava." Hoje, aproveita os passeios e faz os serviços de casa. "Só falta aprender a andar de bicicleta, sonho de infância que ainda não realizei. Em São Paulo tem muito carro", justifica ela, nascida no interior do Pará.



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Transplantados sentem alívio com condenação

Pacientes que receberam órgão de Eloá falam sobre julgamento

Illenia Negrin
Do Diário do Grande ABC

17/02/2012 | 07:00


Há três anos e quatro meses, eles colecionam histórias felizes, de quem descobre coisas todo dia. Contam sobre os simples - e antes inimagináveis - prazeres da vida. Sobre como é bom passear pela rua, comer pizza com os amigos, ler um livro. E também sobre como a esperança, a generosidade e a morte de Eloá definiram seus rumos.

Ontem, três pessoas beneficiadas pela doação dos órgãos da jovem assassinada por Lindemberg respiraram aliviadas ao acompanhar, ao vivo pela TV, a condenação do reú. "Estou pensando muito na dona Ana (Cristina Pimentel, mãe de Eloá). Ela merece um pouco de tranquilidade", comentou o mecânico Emerson Gentil Dardi, 28 anos, morador de Guarulhos.

O jovem sofria de diabetes e aguardava havia três anos pelo transplante quando recebeu um rim e o pâncreas de Eloá. Ele recorda que, após a cirurgia, Ana Cristina fez questão de o visitar, em casa. Foi a primeira e única vez que se viram. Nesse dia, ganhou abraço afetuoso. "Aquilo me marcou muito. Ela estava triste demais com a morte da filha. E ainda assim teve esse gesto bonito. Foi muito emocionante."

Durante os últimos anos, acompanhou as notícias do caso. Torceu muito pela condenação. E tinha certeza de que a justiça seria feita. "O Lindemberg não me fez bem algum. Hoje estou bem graças à generosidade da dona Ana. E não porque ele é um assassino."

Depois da cirurgia, Emerson se despediu das sessões intermináveis de hemodiálise (três vezes por semana, com quatro horas de duração cada). Toma água sem medida. Pode sair para comer pizza com os amigos. E voltou a trabalhar, "Vou passar o resto da vida agradecendo."

A recepcionista Lívia Amodio Novais, 31 anos, também de Guarulhos, não costuma seguir sites de notícia nem televisão. Especialmente nesta semana. "Acho muito triste. Sinto tanto por essa família..."

Lívia sofre de ceratocone, doença degenerativa nas córneas que distorce a visão e faz com que o paciente precise se esforçar bastante para ler. Pessoas como ela enxergam quase nada à noite e têm os olhos muito sensíveis à luz.

Graças a uma das córneas que recebeu de Eloá, hoje consegue ver melhor. "Melhorou demais. No início, houve rejeição, enxergava tudo amarelado. Depois, passou. Ainda uso óculos e tenho dificuldade para ler, porque tenho o mesmo problema no outro olho."

Ela conta que os pais não desgrudaram da TV para saber os detalhes do julgamento. Ontem, Lívia acabou se rendendo ao noticiário. "Tomara que a mãe da Eloá possa recomeçar."'

Na Capital, a dona de casa Maria Augusta dos Anjos, 42 anos, recebeu o coração da menina. Não gosta de falar sobre a tragédia. Única dos transplantados a tornar-se próxima de Ana Cristina, ela preferiu não comentar a condenação de Lindemberg. "Isso é assunto para a Justiça. Só quero que a Ana Cristina tenha paz."

Sobre a vida após o transplante, Augusta não economiza palavra. Desde criança, a cardiopatia congênita a impedia de tudo. Terminou os estudos com muito esforço. Mas sentia-se tão fraca que mal podia caminhar, lavar os cabelos. "Não podia sair sozinha, porque sempre desmaiava." Hoje, aproveita os passeios e faz os serviços de casa. "Só falta aprender a andar de bicicleta, sonho de infância que ainda não realizei. Em São Paulo tem muito carro", justifica ela, nascida no interior do Pará.

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