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Cada voto na região custa R$ 2,16


Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

17/06/2006 | 12:23


De acordo com os gastos declarados pelos deputados estaduais eleitos à Justiça Eleitoral na campanha passada, cada voto no Grande ABC custa em média R$ 2,16. Esse valor poderá sofrer grande alteração este ano, uma vez que a minirreforma aprovada torna muito mais rígida a fiscalização sobre a declaração de gastos de campanha, e ainda impede a distribuição de brindes e a realização de showmícios, que representam uma parcela significativa dos custos de um candidato.

Essas alterações não impedem, no entanto, que os políticos tenham de se desdobrar para angariar os fundos. E se alguns não abrem mão de uma campanha ‘rica’, com muitos recursos, outros dispensam montanhas de dinheiro e optam pela campanha boca-a-boca. Por enquanto, não há limite estabelecido pela Justiça Eleitoral sobre gastos. Quem define são os próprios partidos, que informam ao TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral) quanto pretendem gastar. Essa regra deverá mudar em 2008, por conta da aprovação da minirreforma. Só há punição quando esse limite é ultrapassado.

Pesquisa feita pelo Diário, levando-se em conta o custo de cada voto obtido pelos políticos em 2002 – dividindo o valor da despesa declarada no TRE-SP pelo número de votos alcançados – mostrou uma diferença monumental entre o maior e o menor índice: 3.068%. No topo da tabela está Marquinho Tortorello (PPS-São Caetano), onde cada um dos 69.437 eleitores custou R$ 5,83. O investimento do parlamentar na campanha foi de R$ 404.946,51, o maior entre os parlamentares do Grande ABC. Na ponta oposta está José Bittencourt (PDT–Santo André), que gastou apenas R$ 0,19 por eleitor, ou 30,68 vezes menos que o socialista de São Caetano. O valor mal paga o custo de um santinho do candidato distribuído ao eleitor. Foram gastos R$ 6.931,53 na campanha de Bittencourt, que resultou em 35.754 votos.

Procurado na quarta-feira, Marquinho Tortorello não foi localizado para comentar os custos de sua última campanha. A informação prestada em seu gabinete é de que o parlamentar estava viajando, apesar de ter havido sessão na Assembléia naquele dia. Bittencourt justificou o baixo investimento – quase 10 vezes menos do que os R$ 64.928,85 gastos pelo vereador de São Bernardo Alex Manente (PPS), o mais votado da região em 2004 (12 mil votos) – pela “fidelidade” dos eleitores. “Nós temos um público concentrado, que é a irmandade da igreja”, diz Bittencourt, pastor da igreja evangélica Assembléia de Deus.

“É possível fazer campanha até sem dinheiro. Temos que conscientizar o eleitor que quanto mais dinheiro em jogo, maior a possibilidade de corrupção e fraude”, analisa o pedetista. Apesar de garantir que ainda não sabe quanto irá gastar este ano, ele assegura que continuará no último lugar entre os ‘gastões’ da região.

Na segunda posição do ranking dos maiores custos por voto está Mário Reali (PT-Diadema), que gastou R$ 3,29 para cada um dos 75.656 votos conquistados. Os gastos atingiram R$ 249.468,74. “Acho que esse é um número realista. Foi minha primeira disputa e tive de gastar muito com publicidade, que agora é proibido.” Apesar de ter menos custos com propaganda, o petista não prevê redução nos gastos este ano. “Acho que vou ter de conquistar mais votos, e por isso vamos gastar com carros de som e aumentar o número de comitês.” Sobre os recursos, Reali pensa exatamente o contrário de Bittencourt: “campanha sem dinheiro é impossível”.

Mas nem sempre o investimento feito na campanha está diretamente ligado ao número de votos conquistados. O líder da região, Donisete Braga (PT–Mauá), com 86.877 votos, ficou apenas na sexta colocação se comparado o custo-eleitor: R$ 1,26. Os investimentos do petista chegaram a R$ 109.687, a quinta campanha mais cara da região entre os estaduais eleitos.



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Cada voto na região custa R$ 2,16

Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

17/06/2006 | 12:23


De acordo com os gastos declarados pelos deputados estaduais eleitos à Justiça Eleitoral na campanha passada, cada voto no Grande ABC custa em média R$ 2,16. Esse valor poderá sofrer grande alteração este ano, uma vez que a minirreforma aprovada torna muito mais rígida a fiscalização sobre a declaração de gastos de campanha, e ainda impede a distribuição de brindes e a realização de showmícios, que representam uma parcela significativa dos custos de um candidato.

Essas alterações não impedem, no entanto, que os políticos tenham de se desdobrar para angariar os fundos. E se alguns não abrem mão de uma campanha ‘rica’, com muitos recursos, outros dispensam montanhas de dinheiro e optam pela campanha boca-a-boca. Por enquanto, não há limite estabelecido pela Justiça Eleitoral sobre gastos. Quem define são os próprios partidos, que informam ao TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral) quanto pretendem gastar. Essa regra deverá mudar em 2008, por conta da aprovação da minirreforma. Só há punição quando esse limite é ultrapassado.

Pesquisa feita pelo Diário, levando-se em conta o custo de cada voto obtido pelos políticos em 2002 – dividindo o valor da despesa declarada no TRE-SP pelo número de votos alcançados – mostrou uma diferença monumental entre o maior e o menor índice: 3.068%. No topo da tabela está Marquinho Tortorello (PPS-São Caetano), onde cada um dos 69.437 eleitores custou R$ 5,83. O investimento do parlamentar na campanha foi de R$ 404.946,51, o maior entre os parlamentares do Grande ABC. Na ponta oposta está José Bittencourt (PDT–Santo André), que gastou apenas R$ 0,19 por eleitor, ou 30,68 vezes menos que o socialista de São Caetano. O valor mal paga o custo de um santinho do candidato distribuído ao eleitor. Foram gastos R$ 6.931,53 na campanha de Bittencourt, que resultou em 35.754 votos.

Procurado na quarta-feira, Marquinho Tortorello não foi localizado para comentar os custos de sua última campanha. A informação prestada em seu gabinete é de que o parlamentar estava viajando, apesar de ter havido sessão na Assembléia naquele dia. Bittencourt justificou o baixo investimento – quase 10 vezes menos do que os R$ 64.928,85 gastos pelo vereador de São Bernardo Alex Manente (PPS), o mais votado da região em 2004 (12 mil votos) – pela “fidelidade” dos eleitores. “Nós temos um público concentrado, que é a irmandade da igreja”, diz Bittencourt, pastor da igreja evangélica Assembléia de Deus.

“É possível fazer campanha até sem dinheiro. Temos que conscientizar o eleitor que quanto mais dinheiro em jogo, maior a possibilidade de corrupção e fraude”, analisa o pedetista. Apesar de garantir que ainda não sabe quanto irá gastar este ano, ele assegura que continuará no último lugar entre os ‘gastões’ da região.

Na segunda posição do ranking dos maiores custos por voto está Mário Reali (PT-Diadema), que gastou R$ 3,29 para cada um dos 75.656 votos conquistados. Os gastos atingiram R$ 249.468,74. “Acho que esse é um número realista. Foi minha primeira disputa e tive de gastar muito com publicidade, que agora é proibido.” Apesar de ter menos custos com propaganda, o petista não prevê redução nos gastos este ano. “Acho que vou ter de conquistar mais votos, e por isso vamos gastar com carros de som e aumentar o número de comitês.” Sobre os recursos, Reali pensa exatamente o contrário de Bittencourt: “campanha sem dinheiro é impossível”.

Mas nem sempre o investimento feito na campanha está diretamente ligado ao número de votos conquistados. O líder da região, Donisete Braga (PT–Mauá), com 86.877 votos, ficou apenas na sexta colocação se comparado o custo-eleitor: R$ 1,26. Os investimentos do petista chegaram a R$ 109.687, a quinta campanha mais cara da região entre os estaduais eleitos.

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