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Escolha por pratos sem carne

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Consciência sobre processo do item e opções gostosas fazem parte do vegetarianismo


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

22/08/2020 | 23:59


Desde muito pequeno, Lorenzo Alencar Costa não gosta de carne. Os pais o lembram de ir em churrascos e comer pão de alho e queijo, além de se sentir triste ao ver bife malpassado saindo da grelha. “Quando descobri que a carne vinha dos animais, chorei muito. Fui crescendo e tendo consciência de que eles morriam à toa. Podemos substituir esses alimentos”, conta o menino. “Acho uma energia negativa se alimentar de outro ser vivo morto.”

Aos 9 anos, ele tenta ter uma vida o mais vegetariana possível, colocando em seu cardápio itens como massas, legumes, verduras e frutas. “Adoro fazer gnocchi com a receita da nossa família italiana. Às vezes, eu e minha mãe inventamos de fazer de mandioquinha ou de abóbora. Fica uma delícia.” Comida japonesa e hambúrgueres ainda são difíceis de deixar de lado. “Minha mãe ainda pede para eu comer carne, mas não é fácil para mim. Vamos começar essa troca aos poucos e com acompanhamento médico.”

Lorenzo parece ter nascido quase um completo vegetariano, ou seja, uma pessoa que tem regime alimentar baseado em alimentos vegetais e suas possibilidades de combinações, além de excluir o consumo de produtos de origem animal. Segundo pesquisa encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira no ano passado, o Brasil conta com cerca de 29 milhões de indivíduos que fazem parte deste grupo. A dieta é considerada saudável para todas as idades.

O processo de transformação de animais, como vacas, porcos e frangos, em alimento é um dos pontos-chaves no pensamento de Rafaela de Oliveira Mota, 9. “É como se você estivesse comendo um bichinho mesmo. Eles têm dor e sentimentos, então não acho certo matá-los para que as pessoas possam comer. Coitados deles”, diz a garota, que afirma não ter aprendido sobre vegetarianismo em nenhum lugar, apenas não acha correto comer carne. Ela conta que também não toma leite, tendo macarrão e pizza como pratos favoritos.

Detalhe que os dois moradores de São Bernardo dividem o dia a dia com famílias ‘carnívoras’ e quase não conhecem ninguém que também aposta na dieta vegetariana. Ambos acreditam que esse público é um tanto quanto cruel. “Tudo bem os outros comerem carne. É uma escolha deles, não posso decidir isso”, diz Rafaela. “Eu até fico brincando com o pessoal e digo: ‘Nossa, por que vocês estão comendo carne? Vocês estão comendo um bichinho’.” Segundo Lorenzo, há pouco apoio em torno de sua decisão. “Vai ajudar bastante o meio ambiente e a diminuir as crueldades que os animais sofrem no abate. As pessoas poderiam diminuir o consumo de carne alguns dias por semana pelo menos.” 

Dieta é ampla e considerada saudável

Há quem imagine que a dieta vegetariana pode apresentar falta de nutrientes. Pesquisas realizadas ao longo dos anos mostram que qualquer indivíduo consegue se manter saudável mesmo sem ter carnes em sua alimentação. 

De acordo com nutricionistas (que estudam os alimentos e o efeito que produzem no organismo), não há necessidade de uma compensação. É necessário se atentar para uma alimentação variada, com aposta em itens como frutas, verduras, legumes e cereais integrais, por exemplo. Esses ingredientes fornecemos nutrientes necessários para uma vida saudável.

A única vitamina que está presente apenas nos produtos de origem animal é a B12. Orientação médica deve ser realizada para que a falta desse nutriente seja analisada para cada pessoa. O consumo de suplemento pode ser indicado.

Crianças, jovens e adultos podem adotar uma vida vegetariana. A transição de quem costuma consumir carnes e seus derivados para esse tipo de dieta pode apresentar diferentes níveis de dificuldades. Nesses casos, o apoio de nutricionistas é essencial e não faltam receitas para tentar conquistar quem opta pela mudança.

Campanha aborda refeição semanal

A ideia de deixar de lado as carnes na alimentação cotidiana pode parecer difícil, mas uma iniciativa busca mudar o prato das pessoas pelo menos uma vez por semana. Trata-se da Segunda Sem Carne, campanha lançada no começo dos anos 2000 que tenta tirar carne e seus derivados do cardápio às segundas-feiras.

Ela existe em cerca de 40 países, incluindo Estados Unidos e Inglaterra, tendo chegado no Brasil em 2009. Alguns governos, estaduais e municipais, apoiam a iniciativa, assim como parte das empresas, com distribuição de refeições 100% livres de produtos animais para alunos de escolas e funcionários. 

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, aproximadamente 327 milhões de refeições vegetais foram servidas no País por meio do programa. Estima-se que cerca de 3 milhões de brasileiros foram atingidos pela iniciativa.

Personalidades como o músico Paul McCartney (ex-Beatles), a apresentadora Sabrina Sato e a atriz e influencer Kéfera Buchmann apoiam a causa. Eles tentam ser exemplo de que o universo vegetariano é positivo e que não custa tentar fazer parte da Segunda Sem Carne, inclusive em casa.

Consultoria de Thaisa Navolar, médica nutricionista da Sociedade Vegetariana Brasileira 



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Escolha por pratos sem carne

Consciência sobre processo do item e opções gostosas fazem parte do vegetarianismo

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

22/08/2020 | 23:59


Desde muito pequeno, Lorenzo Alencar Costa não gosta de carne. Os pais o lembram de ir em churrascos e comer pão de alho e queijo, além de se sentir triste ao ver bife malpassado saindo da grelha. “Quando descobri que a carne vinha dos animais, chorei muito. Fui crescendo e tendo consciência de que eles morriam à toa. Podemos substituir esses alimentos”, conta o menino. “Acho uma energia negativa se alimentar de outro ser vivo morto.”

Aos 9 anos, ele tenta ter uma vida o mais vegetariana possível, colocando em seu cardápio itens como massas, legumes, verduras e frutas. “Adoro fazer gnocchi com a receita da nossa família italiana. Às vezes, eu e minha mãe inventamos de fazer de mandioquinha ou de abóbora. Fica uma delícia.” Comida japonesa e hambúrgueres ainda são difíceis de deixar de lado. “Minha mãe ainda pede para eu comer carne, mas não é fácil para mim. Vamos começar essa troca aos poucos e com acompanhamento médico.”

Lorenzo parece ter nascido quase um completo vegetariano, ou seja, uma pessoa que tem regime alimentar baseado em alimentos vegetais e suas possibilidades de combinações, além de excluir o consumo de produtos de origem animal. Segundo pesquisa encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira no ano passado, o Brasil conta com cerca de 29 milhões de indivíduos que fazem parte deste grupo. A dieta é considerada saudável para todas as idades.

O processo de transformação de animais, como vacas, porcos e frangos, em alimento é um dos pontos-chaves no pensamento de Rafaela de Oliveira Mota, 9. “É como se você estivesse comendo um bichinho mesmo. Eles têm dor e sentimentos, então não acho certo matá-los para que as pessoas possam comer. Coitados deles”, diz a garota, que afirma não ter aprendido sobre vegetarianismo em nenhum lugar, apenas não acha correto comer carne. Ela conta que também não toma leite, tendo macarrão e pizza como pratos favoritos.

Detalhe que os dois moradores de São Bernardo dividem o dia a dia com famílias ‘carnívoras’ e quase não conhecem ninguém que também aposta na dieta vegetariana. Ambos acreditam que esse público é um tanto quanto cruel. “Tudo bem os outros comerem carne. É uma escolha deles, não posso decidir isso”, diz Rafaela. “Eu até fico brincando com o pessoal e digo: ‘Nossa, por que vocês estão comendo carne? Vocês estão comendo um bichinho’.” Segundo Lorenzo, há pouco apoio em torno de sua decisão. “Vai ajudar bastante o meio ambiente e a diminuir as crueldades que os animais sofrem no abate. As pessoas poderiam diminuir o consumo de carne alguns dias por semana pelo menos.” 

Dieta é ampla e considerada saudável

Há quem imagine que a dieta vegetariana pode apresentar falta de nutrientes. Pesquisas realizadas ao longo dos anos mostram que qualquer indivíduo consegue se manter saudável mesmo sem ter carnes em sua alimentação. 

De acordo com nutricionistas (que estudam os alimentos e o efeito que produzem no organismo), não há necessidade de uma compensação. É necessário se atentar para uma alimentação variada, com aposta em itens como frutas, verduras, legumes e cereais integrais, por exemplo. Esses ingredientes fornecemos nutrientes necessários para uma vida saudável.

A única vitamina que está presente apenas nos produtos de origem animal é a B12. Orientação médica deve ser realizada para que a falta desse nutriente seja analisada para cada pessoa. O consumo de suplemento pode ser indicado.

Crianças, jovens e adultos podem adotar uma vida vegetariana. A transição de quem costuma consumir carnes e seus derivados para esse tipo de dieta pode apresentar diferentes níveis de dificuldades. Nesses casos, o apoio de nutricionistas é essencial e não faltam receitas para tentar conquistar quem opta pela mudança.

Campanha aborda refeição semanal

A ideia de deixar de lado as carnes na alimentação cotidiana pode parecer difícil, mas uma iniciativa busca mudar o prato das pessoas pelo menos uma vez por semana. Trata-se da Segunda Sem Carne, campanha lançada no começo dos anos 2000 que tenta tirar carne e seus derivados do cardápio às segundas-feiras.

Ela existe em cerca de 40 países, incluindo Estados Unidos e Inglaterra, tendo chegado no Brasil em 2009. Alguns governos, estaduais e municipais, apoiam a iniciativa, assim como parte das empresas, com distribuição de refeições 100% livres de produtos animais para alunos de escolas e funcionários. 

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, aproximadamente 327 milhões de refeições vegetais foram servidas no País por meio do programa. Estima-se que cerca de 3 milhões de brasileiros foram atingidos pela iniciativa.

Personalidades como o músico Paul McCartney (ex-Beatles), a apresentadora Sabrina Sato e a atriz e influencer Kéfera Buchmann apoiam a causa. Eles tentam ser exemplo de que o universo vegetariano é positivo e que não custa tentar fazer parte da Segunda Sem Carne, inclusive em casa.

Consultoria de Thaisa Navolar, médica nutricionista da Sociedade Vegetariana Brasileira 

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