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Por dentro da cultura da capoeira

Marco Oyakawa/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Aprendizados sobre questões culturais e golpes marcam conhecimento em torno da prática histórica


Luís Felipe Soares

08/08/2020 | 23:59


Uma das culturas brasileiras mais conhecidas continua a se manter por meio das gerações mais recentes. Crianças de diferentes idades abusam da energia e da mobilidade de seus corpos para jogar capoeira, com os ensinamentos da jornada dessa arte também fazendo parte do pacote passado para os novos praticantes.

Criada no século XVI (veja mais ao lado), a luta é lembrada pelo grande público com a chegada do Dia do Capoeirista, celebrado anualmente em 3 de agosto desde o ano de 1985, quando a data foi estabelecida. Essa expressão cultura tem grande importância, com a roda de capoeira sendo registrada como patrimônio imaterial brasileiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e como patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Entre os pequenos aprendizes está Mark Tokuji Furlanetto Oyakawa, 6 anos, que praticamente vive esse mundo desde que era bebê, uma vez que seu pai é um contramestre do Grupo Capoeira Raiz Popular, de Santo André, comandado pelo mestre Andrade. “Acho que não é nada difícil. Tudo parece bem simples, menos dar um ‘mortal’ (quando a pessoa dá uma cambalhota no ar e cai em pé). Ainda vou conseguir. Também não tenho mais medo de ‘plantar bananeira’ (ficar de cabeça para baixo)”, diz.

Segundo ele, os ensinamento são bem legais e ele já consegue lutar bem, além de conhecer as músicas entoadas nas rodas, incluindo a popular Zum Zum Zum, que cantarolou durante a entrevista. “Tenho sorte que meu pai me ensina em casa mesmo. Eu nunca paro de fazer capoeira. Mas às vezes eu tenho um soninho”, conta.

Anna Livia de Moura Castelheoni, 9, se mostrou empolgada com toda a história por trás da prática, as sonoridades que envolvem as lutas e da movimentação necessária. “A capoeira é uma grande arte, uma cultura. Ela me dá alegria e diversão, além de aprender algumas responsabilidades. Gosto muito do gingado”, comenta a andreense. 

Enquanto Mark tem possibilidade de realizar a atividade sempre por causa do pai, a menina faz parte de grupo de alunos do contramestre Denis Japa, que teve que interromper os encontros presenciais nos últimos meses. “Parei de praticar e de participar da aulas por causa da doença da Covid-19. Mas lembro de muita coisa e estou muito ansiosa para começar a gingar de novo”, afirma Anna Livia, pronta para se divertir e aprender com a capoeira após a pandemia. 

Prática nasceu na época da colônia e evoluiu com o passar dos anos

A história da capoeira se fortalece na medida em que a prática é nacional, mas se tornou famoso exemplo da miscigenação cultural do País, ou seja, a grande mescla de raças, povos e de diferentes etnias. 

Seu início é datado do século XVI, época em que o Brasil existia como colônia de Portugal (Europa). Ela 

nasceu como luta de libertação com a chegada dos povos africanos trazidos como escravos. Essas pessoas escravizadas utilizaram ritmo e movimentos de danças nativas da África para desenvolver uma arte de combate para proteção. Acabou por se tornar símbolo de resistência física e cultural, evoluindo com o passar do tempo.

De maneira geral, utilizam os termos ‘jogar’, ‘treinar’ e até mesmo ‘vadiar’ para se referir ao ato de começar uma luta – nunca ‘dançar’. Entre os golpes mais comuns estão a meia-lua de compasso (com o calcanhar sendo jogado para o ar para acertar o adversário), a armada (o pé é colocado para cima fazendo um arco e voltando para o chão), a bênção (quando o pé segue em direção à parte de cima do abdômen da outra pessoa) e o martel (um chute com a parte de cima do pé buscando o rosto do adversário).

Crianças com idade perto dos 7 anos já podem ser iniciadas dentro dos ensinamentos, com o único limite sendo a agilidade do corpo também na vida adulta. Questões como coordenações motora e psíquica, detalhes musicais e da história do Brasil e conhecimentos sociológicos fazem parte do pacote.

Consultoria de Denis Japa, contramestre do Grupo Capoeira Raiz Popular, de Santo André 



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Por dentro da cultura da capoeira

Aprendizados sobre questões culturais e golpes marcam conhecimento em torno da prática histórica

Luís Felipe Soares

08/08/2020 | 23:59


Uma das culturas brasileiras mais conhecidas continua a se manter por meio das gerações mais recentes. Crianças de diferentes idades abusam da energia e da mobilidade de seus corpos para jogar capoeira, com os ensinamentos da jornada dessa arte também fazendo parte do pacote passado para os novos praticantes.

Criada no século XVI (veja mais ao lado), a luta é lembrada pelo grande público com a chegada do Dia do Capoeirista, celebrado anualmente em 3 de agosto desde o ano de 1985, quando a data foi estabelecida. Essa expressão cultura tem grande importância, com a roda de capoeira sendo registrada como patrimônio imaterial brasileiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e como patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Entre os pequenos aprendizes está Mark Tokuji Furlanetto Oyakawa, 6 anos, que praticamente vive esse mundo desde que era bebê, uma vez que seu pai é um contramestre do Grupo Capoeira Raiz Popular, de Santo André, comandado pelo mestre Andrade. “Acho que não é nada difícil. Tudo parece bem simples, menos dar um ‘mortal’ (quando a pessoa dá uma cambalhota no ar e cai em pé). Ainda vou conseguir. Também não tenho mais medo de ‘plantar bananeira’ (ficar de cabeça para baixo)”, diz.

Segundo ele, os ensinamento são bem legais e ele já consegue lutar bem, além de conhecer as músicas entoadas nas rodas, incluindo a popular Zum Zum Zum, que cantarolou durante a entrevista. “Tenho sorte que meu pai me ensina em casa mesmo. Eu nunca paro de fazer capoeira. Mas às vezes eu tenho um soninho”, conta.

Anna Livia de Moura Castelheoni, 9, se mostrou empolgada com toda a história por trás da prática, as sonoridades que envolvem as lutas e da movimentação necessária. “A capoeira é uma grande arte, uma cultura. Ela me dá alegria e diversão, além de aprender algumas responsabilidades. Gosto muito do gingado”, comenta a andreense. 

Enquanto Mark tem possibilidade de realizar a atividade sempre por causa do pai, a menina faz parte de grupo de alunos do contramestre Denis Japa, que teve que interromper os encontros presenciais nos últimos meses. “Parei de praticar e de participar da aulas por causa da doença da Covid-19. Mas lembro de muita coisa e estou muito ansiosa para começar a gingar de novo”, afirma Anna Livia, pronta para se divertir e aprender com a capoeira após a pandemia. 

Prática nasceu na época da colônia e evoluiu com o passar dos anos

A história da capoeira se fortalece na medida em que a prática é nacional, mas se tornou famoso exemplo da miscigenação cultural do País, ou seja, a grande mescla de raças, povos e de diferentes etnias. 

Seu início é datado do século XVI, época em que o Brasil existia como colônia de Portugal (Europa). Ela 

nasceu como luta de libertação com a chegada dos povos africanos trazidos como escravos. Essas pessoas escravizadas utilizaram ritmo e movimentos de danças nativas da África para desenvolver uma arte de combate para proteção. Acabou por se tornar símbolo de resistência física e cultural, evoluindo com o passar do tempo.

De maneira geral, utilizam os termos ‘jogar’, ‘treinar’ e até mesmo ‘vadiar’ para se referir ao ato de começar uma luta – nunca ‘dançar’. Entre os golpes mais comuns estão a meia-lua de compasso (com o calcanhar sendo jogado para o ar para acertar o adversário), a armada (o pé é colocado para cima fazendo um arco e voltando para o chão), a bênção (quando o pé segue em direção à parte de cima do abdômen da outra pessoa) e o martel (um chute com a parte de cima do pé buscando o rosto do adversário).

Crianças com idade perto dos 7 anos já podem ser iniciadas dentro dos ensinamentos, com o único limite sendo a agilidade do corpo também na vida adulta. Questões como coordenações motora e psíquica, detalhes musicais e da história do Brasil e conhecimentos sociológicos fazem parte do pacote.

Consultoria de Denis Japa, contramestre do Grupo Capoeira Raiz Popular, de Santo André 

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