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Lenda Iorubá embala Carnaval da União da Vila


Andrea Catão
Do Diário do Grande ABC

17/02/2006 | 07:50


O negro e o samba se confundem. É como se um fosse extensão do outro. E não é por acaso que a União da Vila, escola do grupo 1 de Mauá, vai mostrar na passarela do samba no domingo de Carnaval tema que remete aos rituais africanos. Sem medo de ser redundante, a agremiação conta no enredo Olorum, o Criador a lenda Iorubá da criação do mundo. Os orixás mais populares estarão representados nas fantasias e alegorias. E a bateria, devidamente coberta como Xangô, fará ecoar os tambores como os de seus irmãos africanos.

Pela lenda Iorubá, Olorum teria dado ao seu filho, Oxalá, a missão de criar o mundo. No entanto, ele teria de pedir permissão a Exu, dono de todos os caminhos, para fazer o que o pai desejava. Ao não ter feito oferenda a Exu, Oxalá foi castigado. Partindo dessa premissa, a escola desenvolve o enredo. “O candomblé tem mais de 400 orixás, mas vamos ter representados na avenida os mais populares, como Xangô, Oxalá, Exu, Odudua e Ogum”, disse o carnavalesco da União da Vila, Edson Porfírio.

Temas que retratam a cultura negra, seja a escravidão pela qual o povo africano e seus descendentes sofreu no Brasil ou suas crenças, é recorrente no Carnaval. No entanto, algumas escolas sempre procuram ressaltar essa herança em quase todos os carnavais. É o caso da carioca Vila Isabel. Em 1988, conquistou o título no grupo especial com Kizomba, Festa da Raça, considerado um dos sambas mais bonitos do último século. Um ano antes, havia ficado em quinto lugar com o tema Raízes. Em 2005, ao retornar ao grupo especial depois de ter permanecido por quatro anos no grupo de acesso, a escola lembrou da escravidão desembarcada pelos navios negreiros em um samba que falava sobre as grandes navegações.

Porém, a presidente da mauaense União da Vila, Maria José do Nascimento, diz que se identifica mais com a comunidade mangueirense, que também retrata com freqüência o negro em seu Carnaval. Prova da afinidade são as cores da escola do Jardim Bom Recanto. O pavilhão tem o verde, o rosa e o preto. A última cor é para diferenciar da escola vizinha e da qual já fez parte: a Acadêmicos do São João, que tem as cores verde, rosa e branco.

Efeito – Por ser a última escola a entrar na avenida no domingo de Carnaval, a União da Vila confecciona as fantasias já pensando no efeito que terá se tiver de desfilar com o dia claro. “Atrasos poderão ocorrer. Se tivermos de desfilar durante o dia, nossas fantasias não perderão o efeito”, disse o carnavalesco Edson Porfírio.

Além das adaptações para um eventual desfile matutino, a escola também faz fantasias com material resistente à chuva. As plumas, que na chuva não causam o efeito desejado, só vão estar presentes em alguns destaques e na fantasia do primeiro casal e da rainha da bateria. Para as alas, têm sido produzidas plumas e penas impermeáveis. O material é uma criação do carnavalesco. Em tecido colado em um arame, são feitos vários cortes – como numa franja –, que só ao olhar de perto percebe-se que não se trata de pena verdadeira. “É mais barato e não vai murchar com a chuva”, garante Porfírio.

União da Vila

Fundação: 27 de setembro de 1992
Títulos no grupo 1: nenhum
Cores: verde, rosa e preto
Quadra: rua São João, Jardim Bom Recanto
Ensaios: terça, quinta e
domingo, a partir das 19h
Tema-enredo 2006: Olorum o criador
Presidente: Maria José do
Nascimento
Carnavalesco: Edson Porfírio
Total de alas: 8
Carros alegóricos: 3
Componentes: 400

Samba-enredo 2006
Compositores: Ailton Peroba, Mestre Paulinho, Lango,
Sergião, Xandão, Leandro, Gessian e Léo do Cavaco
Intérpretes: Ailton Peroba, Lango e Sergião

Refrão
Alô galera pode aplaudir
A verde e rosa vai sacudir
Com alegria vai sambar e contar
A criação do universo e os orixás
 
O negro curzando mar aqui chegou
E em seu culto à saudação ao seu senhor
Do céu e a terra...
Olorum o criador ôôô
Entrega a Oxalá
A divina missão de criar
 
Movido pela sua negligência
Não faz a oferenda
Castigado foi ao chão
Odudua assume a missão
E semeia o pó da criação
 
Refrão
Oxalá moldou em barro
E assim surgia
Olorum então soprou
O hálito que deu a vida
 
Aplausos para todos os orixás
Que hoje aqui se faz presente
Protege o nosso caminhar
O fogo, a terra, a água e o ar
Explode minha bateria



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Lenda Iorubá embala Carnaval da União da Vila

Andrea Catão
Do Diário do Grande ABC

17/02/2006 | 07:50


O negro e o samba se confundem. É como se um fosse extensão do outro. E não é por acaso que a União da Vila, escola do grupo 1 de Mauá, vai mostrar na passarela do samba no domingo de Carnaval tema que remete aos rituais africanos. Sem medo de ser redundante, a agremiação conta no enredo Olorum, o Criador a lenda Iorubá da criação do mundo. Os orixás mais populares estarão representados nas fantasias e alegorias. E a bateria, devidamente coberta como Xangô, fará ecoar os tambores como os de seus irmãos africanos.

Pela lenda Iorubá, Olorum teria dado ao seu filho, Oxalá, a missão de criar o mundo. No entanto, ele teria de pedir permissão a Exu, dono de todos os caminhos, para fazer o que o pai desejava. Ao não ter feito oferenda a Exu, Oxalá foi castigado. Partindo dessa premissa, a escola desenvolve o enredo. “O candomblé tem mais de 400 orixás, mas vamos ter representados na avenida os mais populares, como Xangô, Oxalá, Exu, Odudua e Ogum”, disse o carnavalesco da União da Vila, Edson Porfírio.

Temas que retratam a cultura negra, seja a escravidão pela qual o povo africano e seus descendentes sofreu no Brasil ou suas crenças, é recorrente no Carnaval. No entanto, algumas escolas sempre procuram ressaltar essa herança em quase todos os carnavais. É o caso da carioca Vila Isabel. Em 1988, conquistou o título no grupo especial com Kizomba, Festa da Raça, considerado um dos sambas mais bonitos do último século. Um ano antes, havia ficado em quinto lugar com o tema Raízes. Em 2005, ao retornar ao grupo especial depois de ter permanecido por quatro anos no grupo de acesso, a escola lembrou da escravidão desembarcada pelos navios negreiros em um samba que falava sobre as grandes navegações.

Porém, a presidente da mauaense União da Vila, Maria José do Nascimento, diz que se identifica mais com a comunidade mangueirense, que também retrata com freqüência o negro em seu Carnaval. Prova da afinidade são as cores da escola do Jardim Bom Recanto. O pavilhão tem o verde, o rosa e o preto. A última cor é para diferenciar da escola vizinha e da qual já fez parte: a Acadêmicos do São João, que tem as cores verde, rosa e branco.

Efeito – Por ser a última escola a entrar na avenida no domingo de Carnaval, a União da Vila confecciona as fantasias já pensando no efeito que terá se tiver de desfilar com o dia claro. “Atrasos poderão ocorrer. Se tivermos de desfilar durante o dia, nossas fantasias não perderão o efeito”, disse o carnavalesco Edson Porfírio.

Além das adaptações para um eventual desfile matutino, a escola também faz fantasias com material resistente à chuva. As plumas, que na chuva não causam o efeito desejado, só vão estar presentes em alguns destaques e na fantasia do primeiro casal e da rainha da bateria. Para as alas, têm sido produzidas plumas e penas impermeáveis. O material é uma criação do carnavalesco. Em tecido colado em um arame, são feitos vários cortes – como numa franja –, que só ao olhar de perto percebe-se que não se trata de pena verdadeira. “É mais barato e não vai murchar com a chuva”, garante Porfírio.

União da Vila

Fundação: 27 de setembro de 1992
Títulos no grupo 1: nenhum
Cores: verde, rosa e preto
Quadra: rua São João, Jardim Bom Recanto
Ensaios: terça, quinta e
domingo, a partir das 19h
Tema-enredo 2006: Olorum o criador
Presidente: Maria José do
Nascimento
Carnavalesco: Edson Porfírio
Total de alas: 8
Carros alegóricos: 3
Componentes: 400

Samba-enredo 2006
Compositores: Ailton Peroba, Mestre Paulinho, Lango,
Sergião, Xandão, Leandro, Gessian e Léo do Cavaco
Intérpretes: Ailton Peroba, Lango e Sergião

Refrão
Alô galera pode aplaudir
A verde e rosa vai sacudir
Com alegria vai sambar e contar
A criação do universo e os orixás
 
O negro curzando mar aqui chegou
E em seu culto à saudação ao seu senhor
Do céu e a terra...
Olorum o criador ôôô
Entrega a Oxalá
A divina missão de criar
 
Movido pela sua negligência
Não faz a oferenda
Castigado foi ao chão
Odudua assume a missão
E semeia o pó da criação
 
Refrão
Oxalá moldou em barro
E assim surgia
Olorum então soprou
O hálito que deu a vida
 
Aplausos para todos os orixás
Que hoje aqui se faz presente
Protege o nosso caminhar
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