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Visita de Papa à India irrita hindus


Do Diário do Grande ABC

01/11/1999 | 12:57


A visita do Papa Joao Paulo II no próximo fim de semana à India tem suscitado acaloradas críticas entre os grupos radicais hindus que poem em apuros o Primeiro-Ministro nacionalista Atal Behari Vajpayee, também integrante da família hindu.

O governo se distanciou das acusaçoes formuladas diariamente, há várias semanas, por grupos que exigem desculpas públicas do Papa pela Inquisiçao católica na India e pelas conversoes forçadas.

Nova Délhi prometeu fazer todo o possível para que a visita se desenvolva ``num clima favorável'' e com toda a segurança.

Joao Paulo II estará na capital indiana de sexta-feira à tarde até segunda-feira pela manha, para anunciar as conclusoes de um sínodo asiático mantido no Vaticano, em 1998. O Papa se reunirá no local com dirigentes indianos e bispos da Asia, que celebrarao juntos uma missa campal.

O governo indiano tem dado a impressao de fazer algumas concessoes aos grupos hindus radicais, vinculados ao Partido Indiano do Povo (BJP), ao nao concordar, por exemplo, que o vice-presidente Krishan Kant seja o convidado de honra a uma reuniao do Papa com representantes de diferentes religioes, como ele havia solicitado na conferência episcopal.

Na vanguarda da campanha antipapal figura o Foro Mundial Hindu (VHP) que organizou uma marcha de protesto entre a ex-colônia portuguesa e católica de Goa (Oeste) e Nova Délhi, no dia da chegada do Papa.

Outro grupo, Bajrang Dal, criticou o governo por oferecer uma recepçao oficial a um líder religioso e alertou contra uma possível ``agitaçao'' se nao forem pronunciadas as desculpas oficiais do Papa.

Estas organizaçoes sao parte do Sangh Parivar, a ``família'' hindu que lidera o Corpo Nacional de Voluntários (RSS), cujo braço político é o BPJ. Tanto Vajpayee como o ministro do Interior, L.K. Advani, sao membros do RSS.

Quando Vajpayee chegou ao poder em 1998, deu a impressao de querer pôr em segundo plano o RSS para poder governar com uma coalizao em que figuram numerosos partidos laicos. Mas o RSS conta com vários milhoes de membros e é muito influente.

Muito disciplinados, os membros do RSS gostam de se reunir ao amanhecer nos parques indianos para fazer atividades físicas. Vestidos com camisas brancas e bermudas cáqui, cantam hinos patrióticos e discutem política.

O partido de Vajpayee, ao mesmo tempo em que diz que o Papa é bem-vindo na India, tal como aconteceu em sua primeira visita, em 1986, recusa desautorizar as acusaçoes formuladas contra ele e se diz a favor de um debate nacional sobre as conversoes feitas pelos católicos no passado.

O tema das conversoes é muito sensível na India, pois a minoria crista (2,4% de quase um bilhao de habitantes) é acusada de proselitismo, especialmente em relaçao às populaçoes tribais, coisa que os cristaos desmentem.



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Visita de Papa à India irrita hindus

Do Diário do Grande ABC

01/11/1999 | 12:57


A visita do Papa Joao Paulo II no próximo fim de semana à India tem suscitado acaloradas críticas entre os grupos radicais hindus que poem em apuros o Primeiro-Ministro nacionalista Atal Behari Vajpayee, também integrante da família hindu.

O governo se distanciou das acusaçoes formuladas diariamente, há várias semanas, por grupos que exigem desculpas públicas do Papa pela Inquisiçao católica na India e pelas conversoes forçadas.

Nova Délhi prometeu fazer todo o possível para que a visita se desenvolva ``num clima favorável'' e com toda a segurança.

Joao Paulo II estará na capital indiana de sexta-feira à tarde até segunda-feira pela manha, para anunciar as conclusoes de um sínodo asiático mantido no Vaticano, em 1998. O Papa se reunirá no local com dirigentes indianos e bispos da Asia, que celebrarao juntos uma missa campal.

O governo indiano tem dado a impressao de fazer algumas concessoes aos grupos hindus radicais, vinculados ao Partido Indiano do Povo (BJP), ao nao concordar, por exemplo, que o vice-presidente Krishan Kant seja o convidado de honra a uma reuniao do Papa com representantes de diferentes religioes, como ele havia solicitado na conferência episcopal.

Na vanguarda da campanha antipapal figura o Foro Mundial Hindu (VHP) que organizou uma marcha de protesto entre a ex-colônia portuguesa e católica de Goa (Oeste) e Nova Délhi, no dia da chegada do Papa.

Outro grupo, Bajrang Dal, criticou o governo por oferecer uma recepçao oficial a um líder religioso e alertou contra uma possível ``agitaçao'' se nao forem pronunciadas as desculpas oficiais do Papa.

Estas organizaçoes sao parte do Sangh Parivar, a ``família'' hindu que lidera o Corpo Nacional de Voluntários (RSS), cujo braço político é o BPJ. Tanto Vajpayee como o ministro do Interior, L.K. Advani, sao membros do RSS.

Quando Vajpayee chegou ao poder em 1998, deu a impressao de querer pôr em segundo plano o RSS para poder governar com uma coalizao em que figuram numerosos partidos laicos. Mas o RSS conta com vários milhoes de membros e é muito influente.

Muito disciplinados, os membros do RSS gostam de se reunir ao amanhecer nos parques indianos para fazer atividades físicas. Vestidos com camisas brancas e bermudas cáqui, cantam hinos patrióticos e discutem política.

O partido de Vajpayee, ao mesmo tempo em que diz que o Papa é bem-vindo na India, tal como aconteceu em sua primeira visita, em 1986, recusa desautorizar as acusaçoes formuladas contra ele e se diz a favor de um debate nacional sobre as conversoes feitas pelos católicos no passado.

O tema das conversoes é muito sensível na India, pois a minoria crista (2,4% de quase um bilhao de habitantes) é acusada de proselitismo, especialmente em relaçao às populaçoes tribais, coisa que os cristaos desmentem.

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