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Medo de maníaco causa onda de boatos na região

Andréa Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

05/12/2011 | 07:00


A paciência vem sendo a principal tática da Polícia Civil para investigar o caso do criminoso apelidado de maníaco da moto. Também pudera. Após 11 ataques sexuais a mulheres, sendo sete no Grande ABC e o restante na Capital, a fama do estuprador cresceu e fez as pessoas mudarem a rotina na mesma proporção em que os boatos se espalham pela região.

"É um fenômeno", admitiu Rafael Rabinovici, delegado seccional de São Bernardo, onde aconteceram três ataques do maníaco. No Jardim Independência, palco dos dois últimos, a audácia do bandido em invadir a residência de uma cabeleireira aumentou as denúncias e chamadas à polícia. Apesar dos ataques ocorrerem desde outubro, moradores contam que era comum vê-lo roubando pelo bairro, antes. E que constantemente andava pelas ruas fazendo ameaças e escolhendo suas futuras vítimas.

A polícia já tem alguns dados concretos do maníaco, como suas características físicas: pardo, alto, forte e com cicatrizes no rosto. Sabe que ele utiliza duas motos, ambas do modelo Yamaha Fazer, uma preta e outra vermelha, além de carregar um revólver calibre 38. Mesmo com o retrato falado, confusões ocorreram. Na Capital, um motoqueiro parou para urinar em um muro e quase foi linchado. Em Santo André, cidade sem casos registrados do criminoso, um pedreiro foi flagrado em tentativa de estupro e um taxista foi reconhecido por seis vítimas. Os dois foram anunciados como sendo o bandido famoso, apesar das diferenças.

"Tem de continuar acreditando na polícia. Estamos empenhados, checando cada informação que recebemos. Por isso o reconhecimento precisa ser muito bem feito", disse Rabinovici.

Apavorada, a população se vê como refém do maníaco. Na internet, correntes de e-mail propagam informações falsas. Em um deles, um morador de São Caetano diz que a cidade teve três casos. Na verdade foram dois, mesmo número de Diadema. Relatos assustadores de mulheres completamente brutalizadas e indicações de ruas onde o criminoso costuma aparecer também surgem constantemente aos policiais.

"Essas evidências de crimes sexuais provocam reação pública extrema", afirmou o psiquiatra Danilo Baltieri, especialista em transtornos sexuais da Faculdade de Medicina do ABC.

Para ele, é natural que a população esteja com medo, tranque as portas durante o dia e evite sair às ruas à noite, além de outras medidas, como buscar as filhas adolescentes na escola e demonstrar receio de motoqueiros. "Mas o medo, para ele, é excitante. Ele é extremamente vaidoso. Por isso precisa ser contido. Um agressor em série tem alto nível de impulsão sexual. Não respeita normas afetivas", completou Baltieri. "Isso não o torna livre de transtornos psíquicos. Precisa de tratamento."


Estupradores continuam na memória mesmo após prisão

Desde que Jack, o Estripador saiu da história no Século 19 para os livros de ficção, os maníacos povoam o imaginário do medo dos cidadãos. No Brasil, perto da região, o caso mais famoso foi o do motoboy Francisco de Assis Pereira, conhecido como maníaco do parque. Em 1998, ele violentou, torturou e matou 11 mulheres no Parque do Estado, na divisa com Diadema. Mesmo cumprindo parte da pena de 271 anos de cadeia e se dizendo reabilitado, ainda é o caso mais lembrado pelos brasileiros em pesquisas da polícia.

No Grande ABC, os casos de estupradores foram constantes ao longo da última década. Os criminosos costumam utilizar os mesmos meios para intimidar: um veículo para conduzir a vítima e uma arma para obrigá-la a realizar os atos sexuais. Como Pereira, a maioria prometia transformar suas vítimas em modelos famosas para poder seduzi-las.

Também com uma moto e com o mesmo apelido do criminoso atual, o mecânico Josenildo da Silva cometeu 15 estupros no Grande ABC, entre abril e dezembro de 2003. Seus crimes aconteciam debaixo de um viaduto em Santo André. Preso, cumpre pena de 59 anos.

A dupla Agnaldo Pereira e Antônio Carlos Lima Guedes amendrontou as mulheres de São Caetano usando um Fusca verde e atacando em academias. O número de vítimas é incerto até hoje, mas gira em torno de 17 casos. Ambos foram mortos, o primeiro em confronto com a polícia, o segundo na cadeia onde cumpria a pena.

Nos últimos anos, vêm se tornando comum os casos de estupradores em massa. O ajudante geral André Rodrigues Rocha protagonizou 11 casos antes de ser preso em São Bernardo, em 2008.

O taxista Ederaldo dos Santos, 38 anos, foi preso em flagrante na terça-feira em Santo André e confundido com o maníaco da moto. Seis mulheres da cidade já o reconheceram e o número pode aumentar até o fim do mês, segundo os investigadores do 3º DP (Vila Pires), onde o caso foi registrado.

"Esses indivíduos têm a impressão de que a vítima tem prazer com o ato, de alguma forma", alertou o psiquiatra Danilo Baltieri.



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Medo de maníaco causa onda de boatos na região

Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

05/12/2011 | 07:00


A paciência vem sendo a principal tática da Polícia Civil para investigar o caso do criminoso apelidado de maníaco da moto. Também pudera. Após 11 ataques sexuais a mulheres, sendo sete no Grande ABC e o restante na Capital, a fama do estuprador cresceu e fez as pessoas mudarem a rotina na mesma proporção em que os boatos se espalham pela região.

"É um fenômeno", admitiu Rafael Rabinovici, delegado seccional de São Bernardo, onde aconteceram três ataques do maníaco. No Jardim Independência, palco dos dois últimos, a audácia do bandido em invadir a residência de uma cabeleireira aumentou as denúncias e chamadas à polícia. Apesar dos ataques ocorrerem desde outubro, moradores contam que era comum vê-lo roubando pelo bairro, antes. E que constantemente andava pelas ruas fazendo ameaças e escolhendo suas futuras vítimas.

A polícia já tem alguns dados concretos do maníaco, como suas características físicas: pardo, alto, forte e com cicatrizes no rosto. Sabe que ele utiliza duas motos, ambas do modelo Yamaha Fazer, uma preta e outra vermelha, além de carregar um revólver calibre 38. Mesmo com o retrato falado, confusões ocorreram. Na Capital, um motoqueiro parou para urinar em um muro e quase foi linchado. Em Santo André, cidade sem casos registrados do criminoso, um pedreiro foi flagrado em tentativa de estupro e um taxista foi reconhecido por seis vítimas. Os dois foram anunciados como sendo o bandido famoso, apesar das diferenças.

"Tem de continuar acreditando na polícia. Estamos empenhados, checando cada informação que recebemos. Por isso o reconhecimento precisa ser muito bem feito", disse Rabinovici.

Apavorada, a população se vê como refém do maníaco. Na internet, correntes de e-mail propagam informações falsas. Em um deles, um morador de São Caetano diz que a cidade teve três casos. Na verdade foram dois, mesmo número de Diadema. Relatos assustadores de mulheres completamente brutalizadas e indicações de ruas onde o criminoso costuma aparecer também surgem constantemente aos policiais.

"Essas evidências de crimes sexuais provocam reação pública extrema", afirmou o psiquiatra Danilo Baltieri, especialista em transtornos sexuais da Faculdade de Medicina do ABC.

Para ele, é natural que a população esteja com medo, tranque as portas durante o dia e evite sair às ruas à noite, além de outras medidas, como buscar as filhas adolescentes na escola e demonstrar receio de motoqueiros. "Mas o medo, para ele, é excitante. Ele é extremamente vaidoso. Por isso precisa ser contido. Um agressor em série tem alto nível de impulsão sexual. Não respeita normas afetivas", completou Baltieri. "Isso não o torna livre de transtornos psíquicos. Precisa de tratamento."


Estupradores continuam na memória mesmo após prisão

Desde que Jack, o Estripador saiu da história no Século 19 para os livros de ficção, os maníacos povoam o imaginário do medo dos cidadãos. No Brasil, perto da região, o caso mais famoso foi o do motoboy Francisco de Assis Pereira, conhecido como maníaco do parque. Em 1998, ele violentou, torturou e matou 11 mulheres no Parque do Estado, na divisa com Diadema. Mesmo cumprindo parte da pena de 271 anos de cadeia e se dizendo reabilitado, ainda é o caso mais lembrado pelos brasileiros em pesquisas da polícia.

No Grande ABC, os casos de estupradores foram constantes ao longo da última década. Os criminosos costumam utilizar os mesmos meios para intimidar: um veículo para conduzir a vítima e uma arma para obrigá-la a realizar os atos sexuais. Como Pereira, a maioria prometia transformar suas vítimas em modelos famosas para poder seduzi-las.

Também com uma moto e com o mesmo apelido do criminoso atual, o mecânico Josenildo da Silva cometeu 15 estupros no Grande ABC, entre abril e dezembro de 2003. Seus crimes aconteciam debaixo de um viaduto em Santo André. Preso, cumpre pena de 59 anos.

A dupla Agnaldo Pereira e Antônio Carlos Lima Guedes amendrontou as mulheres de São Caetano usando um Fusca verde e atacando em academias. O número de vítimas é incerto até hoje, mas gira em torno de 17 casos. Ambos foram mortos, o primeiro em confronto com a polícia, o segundo na cadeia onde cumpria a pena.

Nos últimos anos, vêm se tornando comum os casos de estupradores em massa. O ajudante geral André Rodrigues Rocha protagonizou 11 casos antes de ser preso em São Bernardo, em 2008.

O taxista Ederaldo dos Santos, 38 anos, foi preso em flagrante na terça-feira em Santo André e confundido com o maníaco da moto. Seis mulheres da cidade já o reconheceram e o número pode aumentar até o fim do mês, segundo os investigadores do 3º DP (Vila Pires), onde o caso foi registrado.

"Esses indivíduos têm a impressão de que a vítima tem prazer com o ato, de alguma forma", alertou o psiquiatra Danilo Baltieri.

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