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Arte começa a refletir efeitos do terror nos EUA


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

29/09/2001 | 15:06


A tragédia do atentado terrorista do dia 11 nos Estados Unidos começa, ainda que de modo tímido, a ser refletida pelas artes em geral naquele país. As editoras em quadrinhos saíram na frente com edições especiais; o cinema toma mais cuidado nos filmes de ação, mas o tom emocional se sobressai nas manifestações. “Não sei como as artes poderão mudar daqui para frente, mas sei que artistas como eu foram profundamente afetados”, diz Cynthia Malaran, 25 anos, senior designer de uma editora de livros infantis e moradora de Nova York, em entrevista por e-mail ao Diário.

Ela criou um site na internet (www.malaran.com/wtc) para divulgar seu ensaio fotográfico, feito a partir da visão da janela de seu quarto, com as torres gêmeas do World Trade Center. Cynthia vive no mesmo apartamento em Manhattan, Nova York, desde que nasceu, e esta vista é muito especial para ela. O ensaio foi iniciado há dois anos. Tem belas imagens de várias épocas e condições diferentes, sempre da mesma cena, terminando com a fumaça e a queda das torres.

“Não imaginava que o cenário mudaria. Mas estou determinada a não fazer deste evento o fim do trabalho, mas o meio. Aguardarei a reconstrução.” Cynthia ainda se sente abalada e amedrontada sobre a tragédia. “Meus amigos e família pensam o mesmo. Mais de 75 mil pessoas pelo mundo visitaram meu site e milhares assinaram o guestbook, procurando por alívio, me agradecendo e me confortando também.”

Os nova-iorquinos estão tristes, zangados, com medo. Alguns com sentimento de vingança, outros, conformados. “É difícil para mim passar pelos cartazes de desaparecidos. Desde o ataque, as pessoas estão silenciosas. Acredito que por respeito, não só pelos que morreram, mas pela parte de nós que morreu com eles”.

Seja qual for o sentimento, heroísmo está em alta, e violência e terrorismo em baixa (a HQ The Authority: Widescreen, que mostrava a destruição de parte de Nova York, foi cancelada). A primeira publicação a homenagear bombeiros e policiais que morreram ajudando a salvar vidas será uma edição especial da Marvel Comics, chamada Heroes. Terá 64 páginas, cada uma desenhada por um artista diferente e contará com vários roteiristas.

Stan Lee, Frank Miller, Todd McFarlane, Alex Ross, Neil Gaiman, Bill Sienkiewicz e muitos outros confirmaram participação. A gráfica Quebecor se ofereceu para imprimir gratuitamente. O lançamento está previsto para dia 17 de outubro nos Estados Unidos, com preço estimado em US$ 3,50. A arrecadação será revertida ao Corpo de Bombeiros, ao Departamento de Polícia e à Cruz Vermelha. A DC Comics relançou um pôster colorido do Super-Homem, feito em 1942 para homenagear os mortos em Pearl Harbor em 1941, com os dizeres “Nós saudamos os heróis da América”.

O atentado não ficará de fora dos gibis. O mais nova-iorquino dos heróis, o Homem-Aranha, protagonizará a primeira história com referência direta ao ataque terrorista ao World Trade Center. Enquanto isso, nas telas, Homem-Aranha, o Filme, não terá mais as cena na qual um helicóptero fica preso em uma teia gigante entre as duas torres.

No teatro, sabe-se que o diretor brasileiro Gerald Thomas, radicado em Nova York, pretende usar escombros do WTC nos cenários de sua nova peça, O Terceiro Subsolo.

Explosões e violência devem ceder lugar a comédia e romance no cinema, que costuma mudar de parâmetros após tragédias nacionais nos Estados Unidos. Com o assassinato de John Kennedy em 1963, filmes família foram os preferidos do público para superar o trauma, como A Noviça Rebelde. Durante a Segunda Guerra, fitas sobre o empenho do país em lutar contra a tirania entraram na ordem do dia. Hoje, sobram indefinições, como o destino de A Última Fortaleza, de Steven Spielberg, cuja campanha publicitária (que mostrava a bandeira norte-americana de cabeça para baixo), foi adiada.



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Arte começa a refletir efeitos do terror nos EUA

Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

29/09/2001 | 15:06


A tragédia do atentado terrorista do dia 11 nos Estados Unidos começa, ainda que de modo tímido, a ser refletida pelas artes em geral naquele país. As editoras em quadrinhos saíram na frente com edições especiais; o cinema toma mais cuidado nos filmes de ação, mas o tom emocional se sobressai nas manifestações. “Não sei como as artes poderão mudar daqui para frente, mas sei que artistas como eu foram profundamente afetados”, diz Cynthia Malaran, 25 anos, senior designer de uma editora de livros infantis e moradora de Nova York, em entrevista por e-mail ao Diário.

Ela criou um site na internet (www.malaran.com/wtc) para divulgar seu ensaio fotográfico, feito a partir da visão da janela de seu quarto, com as torres gêmeas do World Trade Center. Cynthia vive no mesmo apartamento em Manhattan, Nova York, desde que nasceu, e esta vista é muito especial para ela. O ensaio foi iniciado há dois anos. Tem belas imagens de várias épocas e condições diferentes, sempre da mesma cena, terminando com a fumaça e a queda das torres.

“Não imaginava que o cenário mudaria. Mas estou determinada a não fazer deste evento o fim do trabalho, mas o meio. Aguardarei a reconstrução.” Cynthia ainda se sente abalada e amedrontada sobre a tragédia. “Meus amigos e família pensam o mesmo. Mais de 75 mil pessoas pelo mundo visitaram meu site e milhares assinaram o guestbook, procurando por alívio, me agradecendo e me confortando também.”

Os nova-iorquinos estão tristes, zangados, com medo. Alguns com sentimento de vingança, outros, conformados. “É difícil para mim passar pelos cartazes de desaparecidos. Desde o ataque, as pessoas estão silenciosas. Acredito que por respeito, não só pelos que morreram, mas pela parte de nós que morreu com eles”.

Seja qual for o sentimento, heroísmo está em alta, e violência e terrorismo em baixa (a HQ The Authority: Widescreen, que mostrava a destruição de parte de Nova York, foi cancelada). A primeira publicação a homenagear bombeiros e policiais que morreram ajudando a salvar vidas será uma edição especial da Marvel Comics, chamada Heroes. Terá 64 páginas, cada uma desenhada por um artista diferente e contará com vários roteiristas.

Stan Lee, Frank Miller, Todd McFarlane, Alex Ross, Neil Gaiman, Bill Sienkiewicz e muitos outros confirmaram participação. A gráfica Quebecor se ofereceu para imprimir gratuitamente. O lançamento está previsto para dia 17 de outubro nos Estados Unidos, com preço estimado em US$ 3,50. A arrecadação será revertida ao Corpo de Bombeiros, ao Departamento de Polícia e à Cruz Vermelha. A DC Comics relançou um pôster colorido do Super-Homem, feito em 1942 para homenagear os mortos em Pearl Harbor em 1941, com os dizeres “Nós saudamos os heróis da América”.

O atentado não ficará de fora dos gibis. O mais nova-iorquino dos heróis, o Homem-Aranha, protagonizará a primeira história com referência direta ao ataque terrorista ao World Trade Center. Enquanto isso, nas telas, Homem-Aranha, o Filme, não terá mais as cena na qual um helicóptero fica preso em uma teia gigante entre as duas torres.

No teatro, sabe-se que o diretor brasileiro Gerald Thomas, radicado em Nova York, pretende usar escombros do WTC nos cenários de sua nova peça, O Terceiro Subsolo.

Explosões e violência devem ceder lugar a comédia e romance no cinema, que costuma mudar de parâmetros após tragédias nacionais nos Estados Unidos. Com o assassinato de John Kennedy em 1963, filmes família foram os preferidos do público para superar o trauma, como A Noviça Rebelde. Durante a Segunda Guerra, fitas sobre o empenho do país em lutar contra a tirania entraram na ordem do dia. Hoje, sobram indefinições, como o destino de A Última Fortaleza, de Steven Spielberg, cuja campanha publicitária (que mostrava a bandeira norte-americana de cabeça para baixo), foi adiada.

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