Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 6 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Setor químico tem queda de produção


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

28/11/2008 | 07:00


A crise financeira internacional, que afetou os resultados do setor automotivo e da área agrícola, entre outros, também já se reflete na indústria química brasileira. O segmento, que produz insumos para os mais diversos ramos industriais, registrou em outubro queda de 17% nas vendas na comparação com o mês anterior e, com isso, acumula retração de 6% nos dez primeiros meses do ano. É o menor patamar dos últimos cinco anos.

A diretora técnica de Economia e Estatística da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), Fátima Giovanna Ferreira, assinala que o desempenho do mês passado também foi influenciada pela parada para manutenção da fábrica do grupo Quattor no Pólo Petroquímico do Grande ABC.

No entanto, a dirigente ressalta que a interrupção temporária das operações da Quattor - que foram retomadas no final do mês passado - já estava programada. Dessa forma, embora esse fato gere queda no indicador de produção (redução de 0,43% em outubro), o desempenho das vendas se deveu em grande parte às turbulências internacionais. "Essa foi a principal razão", afirmou.

Fátima acrescenta que o enfraquecimento da demanda e a necessidade de liquidez (ou seja, capacidade de ter recursos em dinheiro à disposição) por parte das empresas clientes prejudicaram a atividade.

O diretor da consultoria Maxiquim, Otávio Carvalho, tem avaliação semelhante. Segundo ele, já era esperado que a crise financeira nos Estados Unidos chegaria à economia real (o setor produtivo). "Há um processo de desestocagem (ou seja, as empresas reduzem seus estoques, para ter liquidez e diminuir gastos com capital de giro) nas indústrias para aguardar que a tormenta passe", disse.

A queda das vendas ocorre em um período que normalmente é o mais forte para o setor químico, as perspectivas dos especialistas para o primeiro bimestre de 2009 não são das melhores para a atividade. "Com a desestocagem, se a demanda pára, há uma combinação explosiva", disse Carvalho.

Importações contribuem para o resultado

A retração na demanda interna é atestada também pela queda nas importações de produtos químicos. A aquisição de itens do Exterior no mês passado caiu, em média, 20%, embora ainda registrem, no acumulado de janeiro a outubro, alta de 8,19% na comparação igual período do ano passado.

Por sua vez, as exportações nos dez meses deste ano apresentam queda de 5,45%, o que fez com que o déficit na balança comercial do setor alcançasse US$ 19,77 bilhões, valor 83,3% maior do que o de igual período de 2007.

MARGENS - Um dos poucos dados favoráveis no segmento é o fato de que o custo da principal matéria-prima (a nafta, que é um derivado do petróleo) registrou forte queda. Passou neste ano de cerca de US$ 1.100 a tonelada para em torno de US$ 500, enquanto os itens petroquímicos (as resinas plásticas, por exemplo) mantiveram cotação estável. Com isso, os fabricantes têm vendas fracas, mas podem melhorar suas margens de lucro.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Setor químico tem queda de produção

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

28/11/2008 | 07:00


A crise financeira internacional, que afetou os resultados do setor automotivo e da área agrícola, entre outros, também já se reflete na indústria química brasileira. O segmento, que produz insumos para os mais diversos ramos industriais, registrou em outubro queda de 17% nas vendas na comparação com o mês anterior e, com isso, acumula retração de 6% nos dez primeiros meses do ano. É o menor patamar dos últimos cinco anos.

A diretora técnica de Economia e Estatística da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), Fátima Giovanna Ferreira, assinala que o desempenho do mês passado também foi influenciada pela parada para manutenção da fábrica do grupo Quattor no Pólo Petroquímico do Grande ABC.

No entanto, a dirigente ressalta que a interrupção temporária das operações da Quattor - que foram retomadas no final do mês passado - já estava programada. Dessa forma, embora esse fato gere queda no indicador de produção (redução de 0,43% em outubro), o desempenho das vendas se deveu em grande parte às turbulências internacionais. "Essa foi a principal razão", afirmou.

Fátima acrescenta que o enfraquecimento da demanda e a necessidade de liquidez (ou seja, capacidade de ter recursos em dinheiro à disposição) por parte das empresas clientes prejudicaram a atividade.

O diretor da consultoria Maxiquim, Otávio Carvalho, tem avaliação semelhante. Segundo ele, já era esperado que a crise financeira nos Estados Unidos chegaria à economia real (o setor produtivo). "Há um processo de desestocagem (ou seja, as empresas reduzem seus estoques, para ter liquidez e diminuir gastos com capital de giro) nas indústrias para aguardar que a tormenta passe", disse.

A queda das vendas ocorre em um período que normalmente é o mais forte para o setor químico, as perspectivas dos especialistas para o primeiro bimestre de 2009 não são das melhores para a atividade. "Com a desestocagem, se a demanda pára, há uma combinação explosiva", disse Carvalho.

Importações contribuem para o resultado

A retração na demanda interna é atestada também pela queda nas importações de produtos químicos. A aquisição de itens do Exterior no mês passado caiu, em média, 20%, embora ainda registrem, no acumulado de janeiro a outubro, alta de 8,19% na comparação igual período do ano passado.

Por sua vez, as exportações nos dez meses deste ano apresentam queda de 5,45%, o que fez com que o déficit na balança comercial do setor alcançasse US$ 19,77 bilhões, valor 83,3% maior do que o de igual período de 2007.

MARGENS - Um dos poucos dados favoráveis no segmento é o fato de que o custo da principal matéria-prima (a nafta, que é um derivado do petróleo) registrou forte queda. Passou neste ano de cerca de US$ 1.100 a tonelada para em torno de US$ 500, enquanto os itens petroquímicos (as resinas plásticas, por exemplo) mantiveram cotação estável. Com isso, os fabricantes têm vendas fracas, mas podem melhorar suas margens de lucro.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;