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Negros têm maior inserção no
mercado de trabalho da região

Rendimento, porém, corresponde a 59,9% do salário
de profissionais brancos que ocupam a mesma função


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

14/11/2012 | 07:00


A presença dos negros no mercado de trabalho do Grande ABC vem crescendo, porém, seus salários ainda seguem inferiores aos de profissionais brancos com a mesma função. Cerca de 30% dos trabalhadores da região são negros e pardos; entre os desempregados, a participação é maior, chegando a 37,3% do total. Esse percentual, porém, diminuiu dois pontos percentuais na última década. "Existe maior dificuldade de inserção deles no mercado de trabalho, porém, de 1999 a 2011 eles foram mais favorecidos do que os não negros (brancos e asiáticos) na diminuição das taxas de desemprego, que de 26,8% caiu para 11,7%, enquanto a dos não negros diminuiu de 18,9% para 9%. Embora a taxa ainda seja maior, esse é um dado muito positivo", avalia o coordenador de pesquisas do Seade Alexandre Loloian. No total, a taxa de desemprego se reduziu de 21,4% para 9,9%.

Os dados foram levantados a partir de recorte da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), realizada mensalmente pelo Seade/Dieese com base em entrevistas domiciliares de 600 lares. Desses, 20% não trabalham na região.

O estudo levou em conta o mercado de trabalho no biênio 2010-2011 e o comparou ao desempenho do período de 2001-2002. O boletim foi apresentado ontem no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, uma semana antes do Dia da Consciência Negra.

De acordo com a pesquisa, a redução no desemprego foi mais forte entre as mulheres afrodescendentes. No início da década, 27,2% delas estavam desempregadas; entre 2010 e 2011, eram 16%. No caso dos homens, também houve redução brusca de 19,5% para 10,1%. Entre os brancos, as diminuições foram mais brandas; o desemprego de mulheres não negras se reduziu de 20,5% para 11,8% e, dos homens, de 13% para 7,7%.

Para o coordenador do Grupo de Trabalho Igualdade Racial do Consórcio, Leon Padial, a maior participação da raça ajudou o País a sair da crise financeira internacional. "Com mais negros trabalhando, o consumo aumentou e, consequentemente, deixou a economia mais dinâmica."

SALÁRIOS - Apesar da maior inserção no mercado de trabalho das sete cidades, os salários ainda estão bem aquém dos pagos aos profissionais com a mesma qualificação que desempenham função igual, porém, têm raça diferente. O estudo aponta que o rendimento de um negro equivale a 59,9% do de um branco, portanto, se o valor da renda é de R$ 3.000, o negro receberá apenas R$ 1.797 - cerca de 40% menos.

Na separação por sexo, a diferença é ainda maior no caso das mulheres negras, que ganham salários quase 60% menores do que os pagos a brancas. Neste caso, se uma mulher branca recebe R$ 2.000, uma negra ganha R$ 800.

Os motivos que levam a essas diferenças gritantes são históricos; por terem acesso mais restrito à educação, muitos deles não estudaram e, consequentemente ocuparam empregos desqualificados. Mesmo com o programa de cotas e bolsas de estudo implementado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2002 a 2010), que favoreceu o acesso à universidade, muitos ainda são alvo de discriminação. "Na primeira década do século 21 ainda vemos o tamanho do foço da desigualdade racial", diz Padial. Para ele, a pesquisa é essencial para mostrar o cenário na região. "Vamos procurar entender essas causas e discutir na próxima reunião do grupo de trabalho."

 

 



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Negros têm maior inserção no
mercado de trabalho da região

Rendimento, porém, corresponde a 59,9% do salário
de profissionais brancos que ocupam a mesma função

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

14/11/2012 | 07:00


A presença dos negros no mercado de trabalho do Grande ABC vem crescendo, porém, seus salários ainda seguem inferiores aos de profissionais brancos com a mesma função. Cerca de 30% dos trabalhadores da região são negros e pardos; entre os desempregados, a participação é maior, chegando a 37,3% do total. Esse percentual, porém, diminuiu dois pontos percentuais na última década. "Existe maior dificuldade de inserção deles no mercado de trabalho, porém, de 1999 a 2011 eles foram mais favorecidos do que os não negros (brancos e asiáticos) na diminuição das taxas de desemprego, que de 26,8% caiu para 11,7%, enquanto a dos não negros diminuiu de 18,9% para 9%. Embora a taxa ainda seja maior, esse é um dado muito positivo", avalia o coordenador de pesquisas do Seade Alexandre Loloian. No total, a taxa de desemprego se reduziu de 21,4% para 9,9%.

Os dados foram levantados a partir de recorte da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), realizada mensalmente pelo Seade/Dieese com base em entrevistas domiciliares de 600 lares. Desses, 20% não trabalham na região.

O estudo levou em conta o mercado de trabalho no biênio 2010-2011 e o comparou ao desempenho do período de 2001-2002. O boletim foi apresentado ontem no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, uma semana antes do Dia da Consciência Negra.

De acordo com a pesquisa, a redução no desemprego foi mais forte entre as mulheres afrodescendentes. No início da década, 27,2% delas estavam desempregadas; entre 2010 e 2011, eram 16%. No caso dos homens, também houve redução brusca de 19,5% para 10,1%. Entre os brancos, as diminuições foram mais brandas; o desemprego de mulheres não negras se reduziu de 20,5% para 11,8% e, dos homens, de 13% para 7,7%.

Para o coordenador do Grupo de Trabalho Igualdade Racial do Consórcio, Leon Padial, a maior participação da raça ajudou o País a sair da crise financeira internacional. "Com mais negros trabalhando, o consumo aumentou e, consequentemente, deixou a economia mais dinâmica."

SALÁRIOS - Apesar da maior inserção no mercado de trabalho das sete cidades, os salários ainda estão bem aquém dos pagos aos profissionais com a mesma qualificação que desempenham função igual, porém, têm raça diferente. O estudo aponta que o rendimento de um negro equivale a 59,9% do de um branco, portanto, se o valor da renda é de R$ 3.000, o negro receberá apenas R$ 1.797 - cerca de 40% menos.

Na separação por sexo, a diferença é ainda maior no caso das mulheres negras, que ganham salários quase 60% menores do que os pagos a brancas. Neste caso, se uma mulher branca recebe R$ 2.000, uma negra ganha R$ 800.

Os motivos que levam a essas diferenças gritantes são históricos; por terem acesso mais restrito à educação, muitos deles não estudaram e, consequentemente ocuparam empregos desqualificados. Mesmo com o programa de cotas e bolsas de estudo implementado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2002 a 2010), que favoreceu o acesso à universidade, muitos ainda são alvo de discriminação. "Na primeira década do século 21 ainda vemos o tamanho do foço da desigualdade racial", diz Padial. Para ele, a pesquisa é essencial para mostrar o cenário na região. "Vamos procurar entender essas causas e discutir na próxima reunião do grupo de trabalho."

 

 

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