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Luta de pastora lembra caso Iruan


Illenia Negrin
Do Diário do Grande ABC

14/11/2004 | 16:09


Quando os irmãos Guillermo, 10 anos, e Arturo Rojas Boehler, 7, foram seqüestrados em São Bernardo pelo pai, o paraguaio Eri Daniel Rojas Villalba, começou a batalha da mãe, a pastora metodista Genilma Boehler, para reencontrar os filhos. Ela viu as crianças pela última vez em 2 de fevereiro. Nesse dia, a espera de outra mulher pelo neto tinha os dias contados. Rosa Leocádia Ergui, que mora em Canoas (RS), logo poderia abraçar o pequeno Iruan Ergui Wu, 8, depois de dois anos e meio de uma briga internacional travada com o governo de Taiwan. As duas histórias guardam outra coincidência além da obstinação e de muita paciência. O ponto em comum é a atuação do promotor de justiça do Rio Grande do Sul Armando Konzen, que hoje acompanha o caso de Genilma. Antes, ajudou a garantir o final feliz para o drama de Rosa.

No entanto, o promotor explica que, do ponto de vista jurídico, os dois processos são totalmente diferentes. E diz que o fato de o seqüestro dos irmãos ainda não ter sido solucionado é “extremamente grave”. “O que se viu até agora é motivo suficiente para uma crise diplomática. Que razão pode ser maior para uma briga entre países do que o desrespeito aos direitos humanos?”, avaliou.

A opinião de Konzen faz sentido quando se recupera a memória de ambos os casos. Iruan nasceu em Porto Alegre e era filho da brasileira Marisa Tavares Ergui e do taiwanês Wu Teng-hsui. Marisa faleceu em 1998, e a avó materna, Rosa, assumiu a criação do menino. Em 2001, o pai levou o garoto a Taiwan para visitar os parentes e acabou morrendo duas semanas depois de chegar em seu país de origem. O tio de Iruan, Wu Huo-yen, assumiu a guarda do menino.

Para que retornasse, era preciso que a Justiça de Taiwan desse um parecer favorável a Rosa. “Depois que saiu a decisão, o governo honrou o compromisso e em três meses o Iruan já estava com a família brasileira”, contou Konzen.

Já no caso de Genilma, não há qualquer imbróglio jurídico. Ambos os países concordam que a mãe tem o direito de guarda. A própria justiça paraguaia determinou, em junho, a busca e apreensão de Guillermo e Arturo. Até agora, nenhuma pista. “Brasil e Taiwan sequer relações diplomáticas tinham. O Paraguai é país vizinho, com o qual mantemos relações comerciais intensas”, acrescentou o promotor.

Ele elogiou a atual postura diplomática brasileira e diz que as pressões não podem cessar. “Antes, a embaixada teve atuação tímida, meramente protocolar. Hoje, há o compromisso político de ambos os lados em encontrar os meninos. Genilma passou todo esse tempo lutando sozinha. É uma heroína. Me emociona profundamente a luta dessa mulher.”



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Luta de pastora lembra caso Iruan

Illenia Negrin
Do Diário do Grande ABC

14/11/2004 | 16:09


Quando os irmãos Guillermo, 10 anos, e Arturo Rojas Boehler, 7, foram seqüestrados em São Bernardo pelo pai, o paraguaio Eri Daniel Rojas Villalba, começou a batalha da mãe, a pastora metodista Genilma Boehler, para reencontrar os filhos. Ela viu as crianças pela última vez em 2 de fevereiro. Nesse dia, a espera de outra mulher pelo neto tinha os dias contados. Rosa Leocádia Ergui, que mora em Canoas (RS), logo poderia abraçar o pequeno Iruan Ergui Wu, 8, depois de dois anos e meio de uma briga internacional travada com o governo de Taiwan. As duas histórias guardam outra coincidência além da obstinação e de muita paciência. O ponto em comum é a atuação do promotor de justiça do Rio Grande do Sul Armando Konzen, que hoje acompanha o caso de Genilma. Antes, ajudou a garantir o final feliz para o drama de Rosa.

No entanto, o promotor explica que, do ponto de vista jurídico, os dois processos são totalmente diferentes. E diz que o fato de o seqüestro dos irmãos ainda não ter sido solucionado é “extremamente grave”. “O que se viu até agora é motivo suficiente para uma crise diplomática. Que razão pode ser maior para uma briga entre países do que o desrespeito aos direitos humanos?”, avaliou.

A opinião de Konzen faz sentido quando se recupera a memória de ambos os casos. Iruan nasceu em Porto Alegre e era filho da brasileira Marisa Tavares Ergui e do taiwanês Wu Teng-hsui. Marisa faleceu em 1998, e a avó materna, Rosa, assumiu a criação do menino. Em 2001, o pai levou o garoto a Taiwan para visitar os parentes e acabou morrendo duas semanas depois de chegar em seu país de origem. O tio de Iruan, Wu Huo-yen, assumiu a guarda do menino.

Para que retornasse, era preciso que a Justiça de Taiwan desse um parecer favorável a Rosa. “Depois que saiu a decisão, o governo honrou o compromisso e em três meses o Iruan já estava com a família brasileira”, contou Konzen.

Já no caso de Genilma, não há qualquer imbróglio jurídico. Ambos os países concordam que a mãe tem o direito de guarda. A própria justiça paraguaia determinou, em junho, a busca e apreensão de Guillermo e Arturo. Até agora, nenhuma pista. “Brasil e Taiwan sequer relações diplomáticas tinham. O Paraguai é país vizinho, com o qual mantemos relações comerciais intensas”, acrescentou o promotor.

Ele elogiou a atual postura diplomática brasileira e diz que as pressões não podem cessar. “Antes, a embaixada teve atuação tímida, meramente protocolar. Hoje, há o compromisso político de ambos os lados em encontrar os meninos. Genilma passou todo esse tempo lutando sozinha. É uma heroína. Me emociona profundamente a luta dessa mulher.”

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