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No Grande ABC, maioria dos candidatos é homem e branco

EBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Perfil de prefeituráveis e pleiteantes a vereador na região nesta eleição destoa do retrato do eleitorado das sete cidades


Junior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

04/10/2020 | 07:00


Homem, branco e de meia idade. Esse é o perfil da maioria dos candidatos no Grande ABC, seja a prefeito ou vereador. Levantamento feito pelo Diário, com base em dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostra que o retrato dos políticos que concorrem no pleito deste ano na região destoa do seu próprio eleitorado.

Maioria entre os eleitores do Grande ABC, as mulheres estão longe de estarem em pé de igualdade com os homens nas disputas por vagas aos Paços e às câmaras nas sete cidades. Do total de candidaturas na região (3.828), apenas 33,38% (1.278 candidatas) são mulheres. Já os candidatos do sexo masculino representam 66,56% (2.548) dos projetos. Quando a avaliação é a raça predominante entre os candidatos, a desigualdade é no mesmo patamar. Ao todo, são 61,8% de brancos, contra 35,4% de pretos e pardos (veja perfil completo ao lado).

Conforme o TSE, na região são 53,2% eleitoras – dos 2.093.026 aptos ao voto, 1.112.644 são mulheres (979.333 homens).

A juventude também aparece subrepresentada. Na maioria dos municípios, a maior oferta de candidatos é de homens entre 45 e 49 anos. Em pelo menos dois deles (São Bernardo e Diadema), a faixa etária predominante entre os pleiteantes é de 45 a 49 anos. Em pelo menos dois municípios (São Bernardo e Diadema) boa parcela dos candidatos beira os 60 anos. Já a escolaridade média entre os candidatos é o ensino médio completo. Em São Caetano, a maioria dos nomes possui diploma superior.

Para a cientista política Maria Teresa Sadek, da USP (Universidade de São Paulo), essas desigualdades não surpreendem. “A nossa sociedade é extremamente paternalista e isso se reflete na política também. Uma mudança na cultura é sempre gradual, você não vai ver essa igualdade de um dia para o outro”, avalia. Para a especialista, são importantes os dispositivos legais criados ao longo do tempo para garantir a equidade, como a cota de gênero na formação das chapas e a iminente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em determinar a aplicação já nestas eleições da distribuição igualitária de recursos e tempo de propaganda entre candidatos brancos e negros. “Acho que são passos iniciais importantes, mas certamente não é suficiente”.

No quesito gênero, as maiores discrepâncias estão em Mauá e Ribeirão Pires, onde 68% dos candidatos são homens, contra aproximadamente 31% de projetos femininos. Em Santo André, essa diferença é de 66% a 34%; São Bernardo (65,8% a 34,2%); São Caetano e Diadema (66% a 34%); Rio Grande da Serra (66% a 33,7%) vêm na sequência. Já a desigualdade racial entre as candidaturas, no geral, é de 61,8% de brancos e 35,4% de candidatos pretos e pardos. O maior desequilíbrio racial é registrado em São Caetano, onde as candidaturas de pessoas brancas atingem vultuosos 83,2%.

LEVE MELHORA
Se comparados os dados deste pleito com os da última eleição municipal, em 2016, é possível identificar que houve tímida redução das desigualdades e consequente maior diversidade de candidaturas. Proporcionalmente, a parcela de candidaturas de mulheres subiu de 31,3% para 33,3%. Já os projetos de pretos e pardos saiu de 33% no pleito passado para 35,4% na disputa deste ano. Quantitativamente, as candidaturas de mulheres e de pretos e pardos também cresceram em todas as sete cidades. “Ainda que o avanço seja pequeno, temos de reconhecer que houve uma mudança”, destacou a cientista política.

O perfil dos candidatos pode ser visto detalhadamente no Divulgacand (divulgacandcontas.tse.jus.br).



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No Grande ABC, maioria dos candidatos é homem e branco

Perfil de prefeituráveis e pleiteantes a vereador na região nesta eleição destoa do retrato do eleitorado das sete cidades

Junior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

04/10/2020 | 07:00


Homem, branco e de meia idade. Esse é o perfil da maioria dos candidatos no Grande ABC, seja a prefeito ou vereador. Levantamento feito pelo Diário, com base em dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostra que o retrato dos políticos que concorrem no pleito deste ano na região destoa do seu próprio eleitorado.

Maioria entre os eleitores do Grande ABC, as mulheres estão longe de estarem em pé de igualdade com os homens nas disputas por vagas aos Paços e às câmaras nas sete cidades. Do total de candidaturas na região (3.828), apenas 33,38% (1.278 candidatas) são mulheres. Já os candidatos do sexo masculino representam 66,56% (2.548) dos projetos. Quando a avaliação é a raça predominante entre os candidatos, a desigualdade é no mesmo patamar. Ao todo, são 61,8% de brancos, contra 35,4% de pretos e pardos (veja perfil completo ao lado).

Conforme o TSE, na região são 53,2% eleitoras – dos 2.093.026 aptos ao voto, 1.112.644 são mulheres (979.333 homens).

A juventude também aparece subrepresentada. Na maioria dos municípios, a maior oferta de candidatos é de homens entre 45 e 49 anos. Em pelo menos dois deles (São Bernardo e Diadema), a faixa etária predominante entre os pleiteantes é de 45 a 49 anos. Em pelo menos dois municípios (São Bernardo e Diadema) boa parcela dos candidatos beira os 60 anos. Já a escolaridade média entre os candidatos é o ensino médio completo. Em São Caetano, a maioria dos nomes possui diploma superior.

Para a cientista política Maria Teresa Sadek, da USP (Universidade de São Paulo), essas desigualdades não surpreendem. “A nossa sociedade é extremamente paternalista e isso se reflete na política também. Uma mudança na cultura é sempre gradual, você não vai ver essa igualdade de um dia para o outro”, avalia. Para a especialista, são importantes os dispositivos legais criados ao longo do tempo para garantir a equidade, como a cota de gênero na formação das chapas e a iminente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em determinar a aplicação já nestas eleições da distribuição igualitária de recursos e tempo de propaganda entre candidatos brancos e negros. “Acho que são passos iniciais importantes, mas certamente não é suficiente”.

No quesito gênero, as maiores discrepâncias estão em Mauá e Ribeirão Pires, onde 68% dos candidatos são homens, contra aproximadamente 31% de projetos femininos. Em Santo André, essa diferença é de 66% a 34%; São Bernardo (65,8% a 34,2%); São Caetano e Diadema (66% a 34%); Rio Grande da Serra (66% a 33,7%) vêm na sequência. Já a desigualdade racial entre as candidaturas, no geral, é de 61,8% de brancos e 35,4% de candidatos pretos e pardos. O maior desequilíbrio racial é registrado em São Caetano, onde as candidaturas de pessoas brancas atingem vultuosos 83,2%.

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Se comparados os dados deste pleito com os da última eleição municipal, em 2016, é possível identificar que houve tímida redução das desigualdades e consequente maior diversidade de candidaturas. Proporcionalmente, a parcela de candidaturas de mulheres subiu de 31,3% para 33,3%. Já os projetos de pretos e pardos saiu de 33% no pleito passado para 35,4% na disputa deste ano. Quantitativamente, as candidaturas de mulheres e de pretos e pardos também cresceram em todas as sete cidades. “Ainda que o avanço seja pequeno, temos de reconhecer que houve uma mudança”, destacou a cientista política.

O perfil dos candidatos pode ser visto detalhadamente no Divulgacand (divulgacandcontas.tse.jus.br).

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