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Baixa de mananciais causada pela seca ameaça abastecimento

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Chuvas esperadas para este mês devem ocorrer em outubro; volume do Rio Claro caiu 38 pontos percentuais em um ano


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

10/09/2020 | 00:01


Todos os mananciais que abastecem a Região Metropolitana estão com os níveis mais baixos, o que significa ameaça ao fornecimento. Segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), o volume do Sistema Rio Claro, que abastece cerca de 1,5 milhão de moradores de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, estava com o volume a 63,9% ontem. Há um ano, marcava 102%, ou seja, 38,1 pontos percentuais a mais.

O Rio Grande, responsável pelo abastecimento de pelo menos 1,2 milhão de pessoas em Santo André, São Bernardo e Diadema, estava com volume de 76,6%, ante 101,9% em 2019. Já no Cantareira, que supre São Caetano, o percentual observado ontem foi de 46,1%, contra 49,9% do volume computado em setembro do ano passado. Considerando os sete mananciais que abastecem a Região Metropolitana, o número caiu de 69,2% para 54,5%.

Marta Marcondes, bióloga e coordenadora do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), explica que um dos fatores é a alteração do início do período de chuvas, que normalmente começa em meados de setembro, mas que neste ano é esperado para outubro. “(A demora) É por causa de toda mudança climática que está acontecendo no planeta. A pandemia interfere apenas no gasto de água (que aumentou aproximadamente 5% na quarentena, conforme a Sabesp). O que temos é desmatamento e falta de comprometimento com ecossistemas, principalmente com a Mata Atlântica (presente no entorno dos mananciais que abastecem o Grande ABC)”, explicou.

O abastecimento nas casas pode passar por problemas a curto prazo em todo Estado. Aliás, a especialista lembra que na crise hídrica de 2015, a Represa Billings foi considerada a caixa-d’água da Região Metropolitana, já que teve a água bombeada para contribuir no volume de outros mananciais. Exemplo é o braço Taquecetuba, que banha o bairro de mesmo nome em São Bernardo, cuja água é bombeada para a Represa Guarapiranga.

SOLUÇÕES
Marta assinala que não há como mudar os impactos da mudança climática. Entretanto, diz ser possível frear os prejuízos por meio de medidas mais rígidas. “Há anos que não se faz política séria contra desmatamento no Brasil. Temos queimadas e, para piorar, desde ano passado temos uma política que flexibiliza isso. Sem floresta, não tem água”, apontou a especialista.

No Grande ABC, a docente afirma que as administrações não poderiam autorizar a construção de prédios, casas ou quaisquer empreendimentos que ameacem a preservação da Mata Atlântica.

Exemplo é que, em agosto, a Prefeitura de São Bernardo autorizou, por meio da Defesa Civil, a retirada de 26 árvores de terreno localizado no Grande Alvarenga, em área de manancial. A obra não tem alvará para movimentação de terra e construção, por isso, foi autuada pela Secretaria de Meio Ambiente. 



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Baixa de mananciais causada pela seca ameaça abastecimento

Chuvas esperadas para este mês devem ocorrer em outubro; volume do Rio Claro caiu 38 pontos percentuais em um ano

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

10/09/2020 | 00:01


Todos os mananciais que abastecem a Região Metropolitana estão com os níveis mais baixos, o que significa ameaça ao fornecimento. Segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), o volume do Sistema Rio Claro, que abastece cerca de 1,5 milhão de moradores de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, estava com o volume a 63,9% ontem. Há um ano, marcava 102%, ou seja, 38,1 pontos percentuais a mais.

O Rio Grande, responsável pelo abastecimento de pelo menos 1,2 milhão de pessoas em Santo André, São Bernardo e Diadema, estava com volume de 76,6%, ante 101,9% em 2019. Já no Cantareira, que supre São Caetano, o percentual observado ontem foi de 46,1%, contra 49,9% do volume computado em setembro do ano passado. Considerando os sete mananciais que abastecem a Região Metropolitana, o número caiu de 69,2% para 54,5%.

Marta Marcondes, bióloga e coordenadora do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), explica que um dos fatores é a alteração do início do período de chuvas, que normalmente começa em meados de setembro, mas que neste ano é esperado para outubro. “(A demora) É por causa de toda mudança climática que está acontecendo no planeta. A pandemia interfere apenas no gasto de água (que aumentou aproximadamente 5% na quarentena, conforme a Sabesp). O que temos é desmatamento e falta de comprometimento com ecossistemas, principalmente com a Mata Atlântica (presente no entorno dos mananciais que abastecem o Grande ABC)”, explicou.

O abastecimento nas casas pode passar por problemas a curto prazo em todo Estado. Aliás, a especialista lembra que na crise hídrica de 2015, a Represa Billings foi considerada a caixa-d’água da Região Metropolitana, já que teve a água bombeada para contribuir no volume de outros mananciais. Exemplo é o braço Taquecetuba, que banha o bairro de mesmo nome em São Bernardo, cuja água é bombeada para a Represa Guarapiranga.

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Marta assinala que não há como mudar os impactos da mudança climática. Entretanto, diz ser possível frear os prejuízos por meio de medidas mais rígidas. “Há anos que não se faz política séria contra desmatamento no Brasil. Temos queimadas e, para piorar, desde ano passado temos uma política que flexibiliza isso. Sem floresta, não tem água”, apontou a especialista.

No Grande ABC, a docente afirma que as administrações não poderiam autorizar a construção de prédios, casas ou quaisquer empreendimentos que ameacem a preservação da Mata Atlântica.

Exemplo é que, em agosto, a Prefeitura de São Bernardo autorizou, por meio da Defesa Civil, a retirada de 26 árvores de terreno localizado no Grande Alvarenga, em área de manancial. A obra não tem alvará para movimentação de terra e construção, por isso, foi autuada pela Secretaria de Meio Ambiente. 

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