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Dez mil famílias vivem em área de risco na região


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

14/11/2004 | 16:10


Elas são rápidas. Em geral, não duram mais que 15 ou 30 minutos, mas seus efeitos podem ser devastadores. Potencialmente perigosas, as chuvas de verão, marca registrada dos meses que se aproximam – dezembro, janeiro, fevereiro e março –, representam uma ameaça real para pelo menos 10,2 mil famílias que hoje vivem em áreas de risco na região, à beira de encostas e córregos. É um batalhão de excluídos formado por quase 40 mil pessoas, volume semelhante ao conjunto de toda população de Rio Grande da Serra.

A estimativa é oficial e foi obtida a partir de levantamentos feitos pelas prefeituras de cinco das seis cidades que sofrem com o problema, isso porque Rio Grande não possui um mapeamento específico dessas áreas. Em toda região, São Caetano é o único município onde o problema não se configura. Para agravar ainda mais o quadro, a quantidade de encostas habitadas no Grande ABC que apresentam risco real de deslizamento de terras saltou de 51 para 70 pontos nos últimos dez anos, segundo estimativa das defesas civis de cada um dos municípios afetados pelo problema.

A explicação para esse acréscimo, de quase 50%, é dada pelos técnicos em habitação das cidades, que convivem diariamente com o problema. “Acredito que esse seja um resultado da ocupação desordenada das cidades, em especial com o aumento no número de ocupações irregulares em toda região que se acentuou no início da década de 90”, afirmou Luciano Roda, secretário de Habitação de Ribeirão Pires. Não se sabe, no entanto, se nos idos da década de 90, quando a região passou por suas maiores crises em relação às chuvas, esse mar de pessoas em área de risco era tão significativo quanto se apresenta hoje. As prefeituras dizem que não dispõem desses dados, perdidos com as administrações anteriores.

Apesar da causa para esse crescimento ser bastante discutida, muitos fatores auxiliam em seu entendimento. Nos últimos dez anos, a população do Grande ABC saltou de 2 milhões para 2,5 milhões de pessoas, um aumento de exatos 25%. No mesmo período, segundo estimativa da Fundação Seade/Dieese feitas a partir da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), a taxa de moradores da região fora do mercado de trabalho girou entre 17,7% e 21%, número superior ao registrado no restante da Região Metropolitana de São Paulo durante o mesmo período.

Para tentar evitar tragédias, como a que ocorreu no fim do ano passado em Rio Grande da Serra, quando mãe e filha morreram soterradas por um deslizamento, a Defesa Civil repetirá durante as chuvas de verão uma verdadeira operação de guerra, que está em vigor há anos. Caso o acumulado de chuvas seja superior a 100 mm em 72 horas, técnicos saem a campo para fazer o monitoramento das encostas. Diante de qualquer indício de deslizamento, as famílias são retiradas do local e as casas que correm risco são interditadas.

Enchentes – E se por um lado o risco de deslizamento de encostas habitadas é real no Grande ABC, as enchentes já não assustam tanto quanto há dez anos. A prova disso é que a quantidade de pontos de alagamento despencou na última década de 47 para 31 locais, segundo levantamentos paralelos feitos pelo Corpo de Bombeiros e pelas Defesas Civis de cada um dos municípios afetados.

“O problema é que as enchentes incomodam uma parcela muito maior de pessoas, independente da classe econômica em que se encontram, com os engarrafamentos no trânsito e os pontos de alagamentos, que ocorrem tanto em áreas nobres, quanto periféricas”, disse o arquiteto e urbanista Gilson Lameira, pesquisador da Fundação Santo André e autor de uma tese de doutorado que remonta em detalhes a história das enchentes no Grande ABC.

Por esse motivo, Lameira acredita que as políticas públicas ao longo da década tiveram um enfoque centrado na solução dos alagamentos, reservando para segundo plano o problema dos deslizamentos nas encostas.

Prova disso é que muitos dos pontos que eram críticos há dez anos, mantiveram o mesmo grau de risco, como os Jardins Eldorado, Inamar e a favela Vinicius de Morais, em Diadema; a Vila Esperança, em São Bernardo; o Sítio dos Vianas e o Jardim Irene, em Santo André; a Vila Lopes, em Rio Grande da Serra; além da Vila Aparecida e o Morro do Careca, em Ribeirão Pires.



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Dez mil famílias vivem em área de risco na região

Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

14/11/2004 | 16:10


Elas são rápidas. Em geral, não duram mais que 15 ou 30 minutos, mas seus efeitos podem ser devastadores. Potencialmente perigosas, as chuvas de verão, marca registrada dos meses que se aproximam – dezembro, janeiro, fevereiro e março –, representam uma ameaça real para pelo menos 10,2 mil famílias que hoje vivem em áreas de risco na região, à beira de encostas e córregos. É um batalhão de excluídos formado por quase 40 mil pessoas, volume semelhante ao conjunto de toda população de Rio Grande da Serra.

A estimativa é oficial e foi obtida a partir de levantamentos feitos pelas prefeituras de cinco das seis cidades que sofrem com o problema, isso porque Rio Grande não possui um mapeamento específico dessas áreas. Em toda região, São Caetano é o único município onde o problema não se configura. Para agravar ainda mais o quadro, a quantidade de encostas habitadas no Grande ABC que apresentam risco real de deslizamento de terras saltou de 51 para 70 pontos nos últimos dez anos, segundo estimativa das defesas civis de cada um dos municípios afetados pelo problema.

A explicação para esse acréscimo, de quase 50%, é dada pelos técnicos em habitação das cidades, que convivem diariamente com o problema. “Acredito que esse seja um resultado da ocupação desordenada das cidades, em especial com o aumento no número de ocupações irregulares em toda região que se acentuou no início da década de 90”, afirmou Luciano Roda, secretário de Habitação de Ribeirão Pires. Não se sabe, no entanto, se nos idos da década de 90, quando a região passou por suas maiores crises em relação às chuvas, esse mar de pessoas em área de risco era tão significativo quanto se apresenta hoje. As prefeituras dizem que não dispõem desses dados, perdidos com as administrações anteriores.

Apesar da causa para esse crescimento ser bastante discutida, muitos fatores auxiliam em seu entendimento. Nos últimos dez anos, a população do Grande ABC saltou de 2 milhões para 2,5 milhões de pessoas, um aumento de exatos 25%. No mesmo período, segundo estimativa da Fundação Seade/Dieese feitas a partir da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), a taxa de moradores da região fora do mercado de trabalho girou entre 17,7% e 21%, número superior ao registrado no restante da Região Metropolitana de São Paulo durante o mesmo período.

Para tentar evitar tragédias, como a que ocorreu no fim do ano passado em Rio Grande da Serra, quando mãe e filha morreram soterradas por um deslizamento, a Defesa Civil repetirá durante as chuvas de verão uma verdadeira operação de guerra, que está em vigor há anos. Caso o acumulado de chuvas seja superior a 100 mm em 72 horas, técnicos saem a campo para fazer o monitoramento das encostas. Diante de qualquer indício de deslizamento, as famílias são retiradas do local e as casas que correm risco são interditadas.

Enchentes – E se por um lado o risco de deslizamento de encostas habitadas é real no Grande ABC, as enchentes já não assustam tanto quanto há dez anos. A prova disso é que a quantidade de pontos de alagamento despencou na última década de 47 para 31 locais, segundo levantamentos paralelos feitos pelo Corpo de Bombeiros e pelas Defesas Civis de cada um dos municípios afetados.

“O problema é que as enchentes incomodam uma parcela muito maior de pessoas, independente da classe econômica em que se encontram, com os engarrafamentos no trânsito e os pontos de alagamentos, que ocorrem tanto em áreas nobres, quanto periféricas”, disse o arquiteto e urbanista Gilson Lameira, pesquisador da Fundação Santo André e autor de uma tese de doutorado que remonta em detalhes a história das enchentes no Grande ABC.

Por esse motivo, Lameira acredita que as políticas públicas ao longo da década tiveram um enfoque centrado na solução dos alagamentos, reservando para segundo plano o problema dos deslizamentos nas encostas.

Prova disso é que muitos dos pontos que eram críticos há dez anos, mantiveram o mesmo grau de risco, como os Jardins Eldorado, Inamar e a favela Vinicius de Morais, em Diadema; a Vila Esperança, em São Bernardo; o Sítio dos Vianas e o Jardim Irene, em Santo André; a Vila Lopes, em Rio Grande da Serra; além da Vila Aparecida e o Morro do Careca, em Ribeirão Pires.

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