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Um ano depois, ‘Máfia do Óbito’ ainda sem conclusão


Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

23/07/2006 | 08:13


O médico cardiologista e ex-vereador de São Caetano Eduardo Agostini continua atendendo normalmente em seu consultório, no município, assim como o empresário Maurílio Teixeira Martins, que permanece vendendo caixões em sua empresa, a Funerária São Paulo, também de São Caetano, como se nada tivesse acontecido. Mas há exato um ano os dois protagonizaram um escândalo, que ficou conhecido como a Máfia do Óbito.

No dia 20 de julho de 2005, o Diário comprou por R$ 200 um atestado de óbito, assinado por Agostini, em nome de uma pessoa que havia morrido há 12 anos. A transação foi feita dentro da funerária pelo gerente da empresa na época, Pedro Azevedo Gazani, e autorizada por Maurílio pelo telefone. O documento foi assinado na residência do médico e em nenhum momento ele quis ver o suposto corpo. Antes, Pedro retirou o documento em branco do PS (Pronto-Socorro) municipal, sem autorização por escrito de Agostini. Toda a negociata demorou pouco mais de uma hora. A reportagem foi publicada no dia 27 de julho, um dia antes do aniversário de São Caetano, e caiu como uma bomba no meio político da cidade. Horas após a publicação da denúncia, diversas providências já haviam sido tomadas

O prefeito José Auricchio Júnior (PTB) agiu rapidamente. No mesmo dia, ele exonerou Maurílio, que, ironicamente, ocupava a direção do Secom (Serviços Comunitários Municipais), órgão público responsável pela fiscalização e administração das funerárias e dos cemitérios da cidade.

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) abriu sindicância para investigar a conduta do médico. A corregedoria municipal também investigou a participação de funcionários do PS no esquema, mas ninguém foi punido.

Apesar de a Polícia também ter se movimentado logo no dia seguinte à denúncia, as investigações ainda não foram concluídas. O inquérito – que indiciou os três por falsidade ideológica – foi e voltou inúmeras vezes ao Fórum de São Caetano. A documentação retornou pela primeira vez à delegacia no meio do ano passado, quando o MP (Ministério Público) solicitou à Polícia que ouvisse as famílias de todas as pessoas que tiveram atestados de óbito assinados por Agostini no último ano e que morreram em suas casas. A dificuldade, no entanto, tem sido em localizar parentes dos mortos. A expectativa é que o processo possa estar concluído de fato até o final do ano.

Procurado pelo Diário, Maurílio declarou que acredita no arquivamento do processo. “Não cometi crime nenhum. Minha empresa não recebeu nada. Continuo trabalhando normalmente porque todo mundo me conhece, já que fui cinco vezes vereador”. Mesmo assim, entrou em contradição ao confirmar que a intermediação foi feita dentro da funerária São Paulo. “O funcionário ligou para o médico. Não custa nada. Isso é rotina”.

Apesar de se dizer amigo de Agostini, Maurílio jogou toda a responsabilidade do episódio ao cardiologista. “Atestado quem assina é o médico. Se eu estou lá (na funerária), isso não teria acontecido. Ele deveria ter falado que entregaria o atestado assim que chegasse o corpo. A responsabilidade é dele”. Também procurado, Agostini não quis dar declarações.



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Um ano depois, ‘Máfia do Óbito’ ainda sem conclusão

Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

23/07/2006 | 08:13


O médico cardiologista e ex-vereador de São Caetano Eduardo Agostini continua atendendo normalmente em seu consultório, no município, assim como o empresário Maurílio Teixeira Martins, que permanece vendendo caixões em sua empresa, a Funerária São Paulo, também de São Caetano, como se nada tivesse acontecido. Mas há exato um ano os dois protagonizaram um escândalo, que ficou conhecido como a Máfia do Óbito.

No dia 20 de julho de 2005, o Diário comprou por R$ 200 um atestado de óbito, assinado por Agostini, em nome de uma pessoa que havia morrido há 12 anos. A transação foi feita dentro da funerária pelo gerente da empresa na época, Pedro Azevedo Gazani, e autorizada por Maurílio pelo telefone. O documento foi assinado na residência do médico e em nenhum momento ele quis ver o suposto corpo. Antes, Pedro retirou o documento em branco do PS (Pronto-Socorro) municipal, sem autorização por escrito de Agostini. Toda a negociata demorou pouco mais de uma hora. A reportagem foi publicada no dia 27 de julho, um dia antes do aniversário de São Caetano, e caiu como uma bomba no meio político da cidade. Horas após a publicação da denúncia, diversas providências já haviam sido tomadas

O prefeito José Auricchio Júnior (PTB) agiu rapidamente. No mesmo dia, ele exonerou Maurílio, que, ironicamente, ocupava a direção do Secom (Serviços Comunitários Municipais), órgão público responsável pela fiscalização e administração das funerárias e dos cemitérios da cidade.

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) abriu sindicância para investigar a conduta do médico. A corregedoria municipal também investigou a participação de funcionários do PS no esquema, mas ninguém foi punido.

Apesar de a Polícia também ter se movimentado logo no dia seguinte à denúncia, as investigações ainda não foram concluídas. O inquérito – que indiciou os três por falsidade ideológica – foi e voltou inúmeras vezes ao Fórum de São Caetano. A documentação retornou pela primeira vez à delegacia no meio do ano passado, quando o MP (Ministério Público) solicitou à Polícia que ouvisse as famílias de todas as pessoas que tiveram atestados de óbito assinados por Agostini no último ano e que morreram em suas casas. A dificuldade, no entanto, tem sido em localizar parentes dos mortos. A expectativa é que o processo possa estar concluído de fato até o final do ano.

Procurado pelo Diário, Maurílio declarou que acredita no arquivamento do processo. “Não cometi crime nenhum. Minha empresa não recebeu nada. Continuo trabalhando normalmente porque todo mundo me conhece, já que fui cinco vezes vereador”. Mesmo assim, entrou em contradição ao confirmar que a intermediação foi feita dentro da funerária São Paulo. “O funcionário ligou para o médico. Não custa nada. Isso é rotina”.

Apesar de se dizer amigo de Agostini, Maurílio jogou toda a responsabilidade do episódio ao cardiologista. “Atestado quem assina é o médico. Se eu estou lá (na funerária), isso não teria acontecido. Ele deveria ter falado que entregaria o atestado assim que chegasse o corpo. A responsabilidade é dele”. Também procurado, Agostini não quis dar declarações.

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