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Acusados de tortura, PMs têm prisão decretada


Giba Bergamim Jr.
Do Diário do Grande ABC

14/08/2004 | 00:44


A juíza substituta da 4ª Vara Criminal de São Bernardo, Ana Paula Gomes Galvão Arcuri, decretou nesta sexta a prisão preventiva de quatro policiais militares do 6º Batalhão da PM da cidade. Os soldados Wilson Russi Schilive, Adenilson Ramos, Admilson Viana de Lima e Sandro da Silva Serra são acusados de torturar cinco jovens – entre elas uma garota – numa base comunitária da praça Giovanni Breda, no bairro Assunção.

O coronel do 6º Batalhão. Márcio Matheus, informou que todos estavam sendo procurados desde a tarde desta sexta. Ramos está de férias há uma semana. Lima e Serra estão licenciados, e Schilive, que ficou detido por cinco dias na Corregedoria da PM, na semana passada, pediu exoneração da instituição e estaria na região de Águas da Prata (interior de SP).

O pedido de prisão foi feito pelo promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior, nesta sexta, quando ele apresentou a denúncia contra os quatro.

Os cinco jovens – entre 21 e 24 anos – foram presos em uma operação policial em 18 de fevereiro deste ano. Eles fariam parte de uma suposta quadrilha de ladrões de carro do bairro Assunção e ficaram presos por 112 dias, na cadeia de Mogi das Cruzes.

Quando soltos, declararam ter confessado um roubo após sessões de tortura dentro do batalhão. Nas sessões, foram usados martelos, alicates e pedaços de madeira. Exames de corpo de delito identificaram lesões em todos os jovens.

A suposta vítima do roubo foi o PM Schilive, que agora assume a posição de denunciado. O policial estava de folga no dia 18 de fevereiro de 2004, quando fora abordado por ladrões. Ele foi ao 3º DP de São Bernardo e reconheceu os jovens como os autores do roubo de seu carro.

No B.O 1.519/04, Schilive afirma ter sido abordado pelos cinco na frente da casa de um amigo. O próprio PM avisou os colegas, que iniciaram uma operação em busca dos supostos autores do crime. Localizados, os jovens sofreram uma hora e meia de tortura. Tiveram partes do corpo apertadas com alicates e os dedos atingidos por marteladas. A moça teve os bicos do seio apertados com alicates.

O caso passou a ser investigado pela Corregedoria da Polícia Judiciária de São Bernardo e fora denunciada a entidades de direitos humanos. Em 17 de março, os familiares falaram sobre a tortura ao juiz-corregedor Luís Geraldo Lanfredi. Na decisão desta sexta, a juíza justificou a necessidade de prisão dizendo que “os fatos imputados aos réus são graves, ainda se levando em conta a função pública exercida pelos réus”. Além das acusações de tortura, os PMs respondem por fraude processual. Schilive apresentou medidores de pressão de óleo e combustível como tendo sido roubados de seu carro pelos supostos ladrões. Os objetos teriam sido encontrados no veículo de uma das vítimas pouco tempo após o horário do crime. Parentes dos torturados apresentaram notas fiscais da compra dos equipamentos.



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Acusados de tortura, PMs têm prisão decretada

Giba Bergamim Jr.
Do Diário do Grande ABC

14/08/2004 | 00:44


A juíza substituta da 4ª Vara Criminal de São Bernardo, Ana Paula Gomes Galvão Arcuri, decretou nesta sexta a prisão preventiva de quatro policiais militares do 6º Batalhão da PM da cidade. Os soldados Wilson Russi Schilive, Adenilson Ramos, Admilson Viana de Lima e Sandro da Silva Serra são acusados de torturar cinco jovens – entre elas uma garota – numa base comunitária da praça Giovanni Breda, no bairro Assunção.

O coronel do 6º Batalhão. Márcio Matheus, informou que todos estavam sendo procurados desde a tarde desta sexta. Ramos está de férias há uma semana. Lima e Serra estão licenciados, e Schilive, que ficou detido por cinco dias na Corregedoria da PM, na semana passada, pediu exoneração da instituição e estaria na região de Águas da Prata (interior de SP).

O pedido de prisão foi feito pelo promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior, nesta sexta, quando ele apresentou a denúncia contra os quatro.

Os cinco jovens – entre 21 e 24 anos – foram presos em uma operação policial em 18 de fevereiro deste ano. Eles fariam parte de uma suposta quadrilha de ladrões de carro do bairro Assunção e ficaram presos por 112 dias, na cadeia de Mogi das Cruzes.

Quando soltos, declararam ter confessado um roubo após sessões de tortura dentro do batalhão. Nas sessões, foram usados martelos, alicates e pedaços de madeira. Exames de corpo de delito identificaram lesões em todos os jovens.

A suposta vítima do roubo foi o PM Schilive, que agora assume a posição de denunciado. O policial estava de folga no dia 18 de fevereiro de 2004, quando fora abordado por ladrões. Ele foi ao 3º DP de São Bernardo e reconheceu os jovens como os autores do roubo de seu carro.

No B.O 1.519/04, Schilive afirma ter sido abordado pelos cinco na frente da casa de um amigo. O próprio PM avisou os colegas, que iniciaram uma operação em busca dos supostos autores do crime. Localizados, os jovens sofreram uma hora e meia de tortura. Tiveram partes do corpo apertadas com alicates e os dedos atingidos por marteladas. A moça teve os bicos do seio apertados com alicates.

O caso passou a ser investigado pela Corregedoria da Polícia Judiciária de São Bernardo e fora denunciada a entidades de direitos humanos. Em 17 de março, os familiares falaram sobre a tortura ao juiz-corregedor Luís Geraldo Lanfredi. Na decisão desta sexta, a juíza justificou a necessidade de prisão dizendo que “os fatos imputados aos réus são graves, ainda se levando em conta a função pública exercida pelos réus”. Além das acusações de tortura, os PMs respondem por fraude processual. Schilive apresentou medidores de pressão de óleo e combustível como tendo sido roubados de seu carro pelos supostos ladrões. Os objetos teriam sido encontrados no veículo de uma das vítimas pouco tempo após o horário do crime. Parentes dos torturados apresentaram notas fiscais da compra dos equipamentos.

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