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Fim da linha para o Fusca

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Volkswagen anuncia encerramento da montagem do Beetle, sucessor do icônico ‘besouro'


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

12/07/2019 | 07:00


Um ícone automotivo mundial teve o fim da linha anunciado nesta semana. A Volkswagen do México publicou nas redes sociais que na quarta-feira foi produzido o último Beetle, sucessor do Fusca. Ou seja, após 84 anos do lançamento na Alemanha e 81 anos do primeiro carro produzido também em terras germânicas, o Besouro não está presente em nenhuma fábrica do mundo.

A planta de Puebla, no México, preparou grande festa para dar adeus ao último Beetle, da série Last Edition – que ganhará espaço em um museu naquele país. “Assim se despede um dos grandes. Obrigado por tudo”, dizia trecho da postagem. A versão que sucedeu o Fusca foi lançada em 1997 e, pelo menos no Brasil, não caiu nas graças do consumidor, apesar de ter obtido sucesso principalmente no mercado da América do Norte. Ainda assim, justamente pela árvore genealógica, sempre teve sua importância.

“É impossível imaginar onde a Volkswagen estaria sem o Fusca”, declarou, em comunicado, o presidente e CEO da Volkswagen na América, Scott Keogh. “Embora tenha chegado a hora, o papel que ele desempenhou na evolução de nossa marca fará que seja amado para sempre”, completou.

O Fusca, inclusive, tem grande relação com o Grande ABC. Em 1959, saíram da fábrica de São Bernardo os modelos nacionais daquele que se transformaria no xodó dos motoristas brasileiros. E os números comprovam: até 1986 e entre 1993 e 1996 – quando o então presidente Itamar Franco solicitou o reinício da fabricação –, a planta são-bernardense produziu nada menos do que 3.372.896 de unidades das mais diferentes versões que o carro ganhou neste meio tempo.

Não à toa, liderou o mercado por 24 anos consecutivos. E ainda segue presente nas nossas vias. Em levantamento trazido pelo Diário no início do ano, 55.661 fuscas rodam pelo Grande ABC, fatia significativa entre os 887.234 que estão registrados no Estado – segundo dados do Detran-SP.

Carros de serviço, transporte, auto-escola, caracterizado como personagens de filmes ou seriados. Seja onde ou como for, o Fusca marcou presença em pelo menos três gerações pelo mundo. É muito difícil encontrar alguma família brasileira em que pai/mãe, avô/avó ou bisavô/bisavó não tiveram – ao menos – um.

Primeiros modelos foram montados em S.Bernardo

O Fusca é uma das raras boas heranças de um maluco alemão chamado Adolf Hitler: oferecer um veículo automotor ao alcance das camadas menos abastadas e que exigisse fácil manutenção. E o modelo VW chegou ao Brasil antes da criação da indústria automobilística nacional, obra creditada ao presidente JK, mas já pensada no governo democrático de Getúlio Vargas.

Quando os primeiros modelos foram montados, a própria Volkswagen não tinha ainda aberto montadora no Brasil. A primazia coube à Brasmotor, do boliviano Miguel Etchenique, que não sem motivo escolheu São Bernardo para a construção da sua fábrica, nos idos de 1948, atraído pela facilidade proporcionada pela Via Anchieta, inaugurada um ano antes. Afinal, a nova estrada facilitaria o transporte das peças importadas chegadas ao Porto de Santos, da mesma forma que tornaria tranquila a expedição do produto pronto para outras praças – de São Paulo para o interior, de Santos para as demais cidades portuárias e destas para o interior do País.

Assim, “no fim da Vila”, como diziam os são-bernardenses, erigiu-se grande fábrica, que ao deixar de produzir os carros populares da Volks passou a se dedicar a aparelhos eletrodomésticos com o nome de Brastemp, na bifurcação da Rua Marechal Deodoro com Avenida Rotary. Um dos operários da Brasmotor, o mecânico João Ruy, guardou até o fim da vida um tambor de aço daqueles usados pela Matriz Volkswagen alemã para o envio, ao Brasil, das peças do Fusca para aqui serem montados.

A indústria automobilística finalmente foi criada. O GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística – exigiu que em poucos anos as peças de todos os veículos fossem nacionalizadas, o que ocorreu também com os fusquinhas (1300) e fuscões (1500). As vias públicas – até então percorridas pelos carrões americanos importados – ficaram lotadas dos pequeninos automóveis, geralmente o primeiro carro que todo jovem adquiria.

Criou-se o Fusca Clube do Brasil, em pleno funcionamento até hoje. Depois, bem, depois a marca saiu de catálogo. Veio o modelo Beetle. O México ficou com a incumbência de dar sequência à produção. Até que chega a notícia menos aguardada pelos colecionadores. 



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Fim da linha para o Fusca

Volkswagen anuncia encerramento da montagem do Beetle, sucessor do icônico ‘besouro'

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

12/07/2019 | 07:00


Um ícone automotivo mundial teve o fim da linha anunciado nesta semana. A Volkswagen do México publicou nas redes sociais que na quarta-feira foi produzido o último Beetle, sucessor do Fusca. Ou seja, após 84 anos do lançamento na Alemanha e 81 anos do primeiro carro produzido também em terras germânicas, o Besouro não está presente em nenhuma fábrica do mundo.

A planta de Puebla, no México, preparou grande festa para dar adeus ao último Beetle, da série Last Edition – que ganhará espaço em um museu naquele país. “Assim se despede um dos grandes. Obrigado por tudo”, dizia trecho da postagem. A versão que sucedeu o Fusca foi lançada em 1997 e, pelo menos no Brasil, não caiu nas graças do consumidor, apesar de ter obtido sucesso principalmente no mercado da América do Norte. Ainda assim, justamente pela árvore genealógica, sempre teve sua importância.

“É impossível imaginar onde a Volkswagen estaria sem o Fusca”, declarou, em comunicado, o presidente e CEO da Volkswagen na América, Scott Keogh. “Embora tenha chegado a hora, o papel que ele desempenhou na evolução de nossa marca fará que seja amado para sempre”, completou.

O Fusca, inclusive, tem grande relação com o Grande ABC. Em 1959, saíram da fábrica de São Bernardo os modelos nacionais daquele que se transformaria no xodó dos motoristas brasileiros. E os números comprovam: até 1986 e entre 1993 e 1996 – quando o então presidente Itamar Franco solicitou o reinício da fabricação –, a planta são-bernardense produziu nada menos do que 3.372.896 de unidades das mais diferentes versões que o carro ganhou neste meio tempo.

Não à toa, liderou o mercado por 24 anos consecutivos. E ainda segue presente nas nossas vias. Em levantamento trazido pelo Diário no início do ano, 55.661 fuscas rodam pelo Grande ABC, fatia significativa entre os 887.234 que estão registrados no Estado – segundo dados do Detran-SP.

Carros de serviço, transporte, auto-escola, caracterizado como personagens de filmes ou seriados. Seja onde ou como for, o Fusca marcou presença em pelo menos três gerações pelo mundo. É muito difícil encontrar alguma família brasileira em que pai/mãe, avô/avó ou bisavô/bisavó não tiveram – ao menos – um.

Primeiros modelos foram montados em S.Bernardo

O Fusca é uma das raras boas heranças de um maluco alemão chamado Adolf Hitler: oferecer um veículo automotor ao alcance das camadas menos abastadas e que exigisse fácil manutenção. E o modelo VW chegou ao Brasil antes da criação da indústria automobilística nacional, obra creditada ao presidente JK, mas já pensada no governo democrático de Getúlio Vargas.

Quando os primeiros modelos foram montados, a própria Volkswagen não tinha ainda aberto montadora no Brasil. A primazia coube à Brasmotor, do boliviano Miguel Etchenique, que não sem motivo escolheu São Bernardo para a construção da sua fábrica, nos idos de 1948, atraído pela facilidade proporcionada pela Via Anchieta, inaugurada um ano antes. Afinal, a nova estrada facilitaria o transporte das peças importadas chegadas ao Porto de Santos, da mesma forma que tornaria tranquila a expedição do produto pronto para outras praças – de São Paulo para o interior, de Santos para as demais cidades portuárias e destas para o interior do País.

Assim, “no fim da Vila”, como diziam os são-bernardenses, erigiu-se grande fábrica, que ao deixar de produzir os carros populares da Volks passou a se dedicar a aparelhos eletrodomésticos com o nome de Brastemp, na bifurcação da Rua Marechal Deodoro com Avenida Rotary. Um dos operários da Brasmotor, o mecânico João Ruy, guardou até o fim da vida um tambor de aço daqueles usados pela Matriz Volkswagen alemã para o envio, ao Brasil, das peças do Fusca para aqui serem montados.

A indústria automobilística finalmente foi criada. O GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística – exigiu que em poucos anos as peças de todos os veículos fossem nacionalizadas, o que ocorreu também com os fusquinhas (1300) e fuscões (1500). As vias públicas – até então percorridas pelos carrões americanos importados – ficaram lotadas dos pequeninos automóveis, geralmente o primeiro carro que todo jovem adquiria.

Criou-se o Fusca Clube do Brasil, em pleno funcionamento até hoje. Depois, bem, depois a marca saiu de catálogo. Veio o modelo Beetle. O México ficou com a incumbência de dar sequência à produção. Até que chega a notícia menos aguardada pelos colecionadores. 

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