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S.Bernardo: composição da Câmara garante suporte para Dib


Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

17/11/2004 | 09:19


O prefeito reeleito de São Bernardo, William Dib (PSB), terá governabilidade garantida por mais quatro anos e com larga vantagem na Câmara Municipal: serão 17 vereadores da sustentação contra apenas quatro oposicionistas. O saldo do chefe do Executivo aumentou, se comparado ao da última eleição, quando o então prefeito Maurício Soares (PSDB) mantinha 16 vereadores a seu lado, que faziam frente a cinco petistas.

Para se ter idéia da amarração política, no atual governo apenas um vereador de sustentação abandonou o ninho e decidiu alçar vôos maiores no reduto da oposição. Trata-se do pemedebista Tunico Vieira, que desistiu de defender a administração em meados de março, quando começaram as articulações para que saísse como vice na chapa do deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT). Derrotado nas eleições, Tunico Vieira ficou de fora também da Câmara. Duas cadeiras a menos para a oposição, já que Fátima Araújo (PT), que assumiu no lugar de Ana do Carmo em 2002, não conseguiu eleger-se, ficando como suplente.

Para o coordenador de Ações Comunitárias e ex-coordenador de campanha de Dib, Ademir Silvestre, a situação na Câmara será tranqüila para os projetos do Executivo. “Até porque os adversários (PT), que tinham cinco cadeiras neste mandato, terão só quatro. Além disso, o Tunico Vieira sempre foi da situação, foi eleito pela coligação do Dib. Só no finalzinho deu trairada. Ele é daqueles que cospe no prato que comeu”, diz. Silvestre acredita que o atual prefeito não terá problema em manter governabilidade. “Há oito anos não temos problemas com a governabilidade. Nos dois governos do Maurício e nesse do Dib estivemos em situação confortável.”

Para Silvestre, embora a situação seja favorável ao Executivo, os projetos são sempre discutidos na Câmara, às segundas-feiras. “Temos um fórum do governo com a bancada de situação para apresentar projetos. Nenhum projeto desce antes que seja apresentado para a bancada de situação. Sempre foi assim, desde que o Maurício assumiu. É um acordo e deverá seguir porque deu certo.”

Questionado sobre a reclamação corriqueira da oposição, de que não pode participar dessas reuniões, Silvestre foi simplista. “Hoje temos 17 de 21 parlamentares. Antes tínhamos 16 e depois passamos para 15. Quando ganharem eleição, eles participam. Quem ganha eleição lidera. Quem não ganha, fiscaliza.”

Aproveitando o tema, Ademir Silvestre faz críticas à atuação da atual bancada do PT. “É vergonhosa. Não tinha capacidade de formular nada.” Para ele, esse fator contribuiu muito para a aprovação do governo Dib. “É claro que fez parte de um conjunto de coisas. Vamos terminar o ano no dia 31, um mandato de oito anos, e conseguimos governar e realizar dez orçamentos. Isso é o que a população viu.”

O coordenador garante a governabilidade. “A população deseja que o prefeito tenha tranqüilidade para governar. Isso é um recado para os vereadores. Até porque uma população que deu quase 77% dos votos para Dib, ao mesmo tempo que direciona voto, vai exigir. Se não mantivermos os olhos voltados para coisas importantes, se dermos patinada, a população vai estar de olho. Mas acredito que com essa governabilidade mantida teremos mais quatro anos vitoriosos, mais aperfeiçoados.”

Silvestre acredita que a população aprovou o método da administração. “Sou capaz de desafiar: não existe um município com situação financeira tão equilibrada.” Ele afirma que, em 1997, Maurício herdou um péssimo orçamento, mas “com medidas saneadoras o município conquistou situação invejável”. “Do ponto de vista político-financeiro nenhuma cidade grande, média ou pequena pode se comparar a São Bernardo. Isso está explícito nos financiamentos que obtivemos com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), para parte viária, no valor de US$ 160 milhões, e com a Jica (Agência Japonesa de Cooperação Internacional), no valor de US$ 250 milhões para recuperação ambiental. São Bernardo tem direito de sonhar com essas coisas”, defende Silvestre.

Para o dirigente, o discurso de Dib sobre a cidade “caiu como uma luva”. “Ele (Dib) dizia: ‘olha, quem aprovou os oito anos precisa dar um voto de confiança para termos mais quatro anos de desenvolvimento econômico, porque sem isso não há desenvolvimento social’.” O coordenador aponta ainda que Dib, Maurício e o grupo político, além dos vereadores, ajudaram na reeleição porque existe interação. “O objetivo é fazer desenvolvimento amplo, geral e irrestrito, para que pessoas da cidade produzam riqueza, tenham renda. Acho que conseguimos esse resultado porque a administração está antenada para as coisas importantes.”

Oposição - O ex-deputado estadual e vereador eleito Wagner Lino (PT) acredita que manter a governabilidade somente com a maioria não é a maneira mais correta. Ele defende a discussão dos projetos com setores da sociedade antes de enviá-los à Câmara. “Assim, a população apóia a matéria, fica do lado do autor e dificilmente o projeto é rejeitado. Não só o PT, mas os demais partidos deveriam adotar essa postura”, diz.

Cotado para assumir uma das cadeiras da Assembléia Legislativa – que tem apenas mais dois anos de mandato – Lino estaria de volta à Câmara de São Bernardo após ficar afastado por duas legislaturas. Critica a forma de tramitação dos projetos na cidade que, segundo ele, não cumpre o tempo regimental para que todos analisem a proposta. “Em São Bernardo, as matérias chegam em um dia e são votadas no outro. Quando o PT foi governo, de 1988 a 1992 (com Maurício Soares), colocamos à disposição os projetos. A coisa mais perversa é quando se coloca um projeto e em regime de urgência e não se cumpre o tempo regimental”, diz.

Lino afirma ainda que em muitas ocasiões o parecer é verbal para ser votado o mais rápido possível. “Até vereador da situação, muitas vezes, não sabe o que está votando. Se fizer sabatina com qualquer um vai ver que não sabem nada. Votam por questão de fidelidade. Na dúvida, sempre votamos contra, pois desconhecemos os detalhes.”

Quanto à reclamação recorrente de não incluir a oposição nas reuniões de segunda-feira, Lino concorda com o Executivo. “Acho que o prefeito não tem obrigação nenhuma de convidar oposição para discutir projetos, principalmente aqueles de interesse particular, como criação de secretarias. Mas alguns projetos que não são trem da alegria, mas sim de interesse da população, deveriam ser discutidos com os vereadores para facilitar a tramitação”, defende o parlamentar.

Lino critica ainda a criação de secretarias. “Criar Secretaria de Comunicação significa mais gastos e mais cargos de confiança à disposição para colocar aliados.”

Outro ponto negativo, segundo Lino, é a dificuldade para questionar a Prefeitura, já que até para requerimento de informação o vereador depende de outros vereadores. “Nunca passa. A gente está aqui para defender a população e não os interesses do PT. Temos de fiscalizar o Executivo. A Câmara é quase uma feira. Vereadores apenas levantam a mão.”

Demarchi - O único período conturbado na história do Legislativo de São Bernardo foi durante a administração de Walter Demarchi, eleito pelo PTB e que assumiu a Prefeitura no período de 1993 a 1996, logo após a administração petista. Para Lino, vereador no período, o maior problema é que a Prefeitura tinha dois comandos: o do prefeito e o do deputado estadual Waldir Cartola.

A dobradinha chegou a provocar um racha na administração durante as eleições de 1996. O fato é que ninguém queria Cartola como candidato. Mas prevaleceu a vontade de Demarchi.

“Cartola era a figura mais forte. Ele foi secretário de Assuntos Jurídicos. Mas as forças balançavam muito. Foi um dos piores governos da cidade. Eles tiveram dificuldade porque não tinham direcionamento de governo, não tinham plano, metas, e o resultado foi esse.” Lino lembra que a briga chegou até a bancada de sustentação, que acabou rachada. “Nós éramos oposição, mas não tivemos influência na bagunça. A culpa foi do governo, da falta de compasso. Todo mundo queria mandar”, lembra o vereador, que acrescentou: “Demarchi pegou a Prefeitura saneada, sem problemas financeiros e com 70% de aprovação da população. Mas não conseguiu tocar.”



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S.Bernardo: composição da Câmara garante suporte para Dib

Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

17/11/2004 | 09:19


O prefeito reeleito de São Bernardo, William Dib (PSB), terá governabilidade garantida por mais quatro anos e com larga vantagem na Câmara Municipal: serão 17 vereadores da sustentação contra apenas quatro oposicionistas. O saldo do chefe do Executivo aumentou, se comparado ao da última eleição, quando o então prefeito Maurício Soares (PSDB) mantinha 16 vereadores a seu lado, que faziam frente a cinco petistas.

Para se ter idéia da amarração política, no atual governo apenas um vereador de sustentação abandonou o ninho e decidiu alçar vôos maiores no reduto da oposição. Trata-se do pemedebista Tunico Vieira, que desistiu de defender a administração em meados de março, quando começaram as articulações para que saísse como vice na chapa do deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT). Derrotado nas eleições, Tunico Vieira ficou de fora também da Câmara. Duas cadeiras a menos para a oposição, já que Fátima Araújo (PT), que assumiu no lugar de Ana do Carmo em 2002, não conseguiu eleger-se, ficando como suplente.

Para o coordenador de Ações Comunitárias e ex-coordenador de campanha de Dib, Ademir Silvestre, a situação na Câmara será tranqüila para os projetos do Executivo. “Até porque os adversários (PT), que tinham cinco cadeiras neste mandato, terão só quatro. Além disso, o Tunico Vieira sempre foi da situação, foi eleito pela coligação do Dib. Só no finalzinho deu trairada. Ele é daqueles que cospe no prato que comeu”, diz. Silvestre acredita que o atual prefeito não terá problema em manter governabilidade. “Há oito anos não temos problemas com a governabilidade. Nos dois governos do Maurício e nesse do Dib estivemos em situação confortável.”

Para Silvestre, embora a situação seja favorável ao Executivo, os projetos são sempre discutidos na Câmara, às segundas-feiras. “Temos um fórum do governo com a bancada de situação para apresentar projetos. Nenhum projeto desce antes que seja apresentado para a bancada de situação. Sempre foi assim, desde que o Maurício assumiu. É um acordo e deverá seguir porque deu certo.”

Questionado sobre a reclamação corriqueira da oposição, de que não pode participar dessas reuniões, Silvestre foi simplista. “Hoje temos 17 de 21 parlamentares. Antes tínhamos 16 e depois passamos para 15. Quando ganharem eleição, eles participam. Quem ganha eleição lidera. Quem não ganha, fiscaliza.”

Aproveitando o tema, Ademir Silvestre faz críticas à atuação da atual bancada do PT. “É vergonhosa. Não tinha capacidade de formular nada.” Para ele, esse fator contribuiu muito para a aprovação do governo Dib. “É claro que fez parte de um conjunto de coisas. Vamos terminar o ano no dia 31, um mandato de oito anos, e conseguimos governar e realizar dez orçamentos. Isso é o que a população viu.”

O coordenador garante a governabilidade. “A população deseja que o prefeito tenha tranqüilidade para governar. Isso é um recado para os vereadores. Até porque uma população que deu quase 77% dos votos para Dib, ao mesmo tempo que direciona voto, vai exigir. Se não mantivermos os olhos voltados para coisas importantes, se dermos patinada, a população vai estar de olho. Mas acredito que com essa governabilidade mantida teremos mais quatro anos vitoriosos, mais aperfeiçoados.”

Silvestre acredita que a população aprovou o método da administração. “Sou capaz de desafiar: não existe um município com situação financeira tão equilibrada.” Ele afirma que, em 1997, Maurício herdou um péssimo orçamento, mas “com medidas saneadoras o município conquistou situação invejável”. “Do ponto de vista político-financeiro nenhuma cidade grande, média ou pequena pode se comparar a São Bernardo. Isso está explícito nos financiamentos que obtivemos com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), para parte viária, no valor de US$ 160 milhões, e com a Jica (Agência Japonesa de Cooperação Internacional), no valor de US$ 250 milhões para recuperação ambiental. São Bernardo tem direito de sonhar com essas coisas”, defende Silvestre.

Para o dirigente, o discurso de Dib sobre a cidade “caiu como uma luva”. “Ele (Dib) dizia: ‘olha, quem aprovou os oito anos precisa dar um voto de confiança para termos mais quatro anos de desenvolvimento econômico, porque sem isso não há desenvolvimento social’.” O coordenador aponta ainda que Dib, Maurício e o grupo político, além dos vereadores, ajudaram na reeleição porque existe interação. “O objetivo é fazer desenvolvimento amplo, geral e irrestrito, para que pessoas da cidade produzam riqueza, tenham renda. Acho que conseguimos esse resultado porque a administração está antenada para as coisas importantes.”

Oposição - O ex-deputado estadual e vereador eleito Wagner Lino (PT) acredita que manter a governabilidade somente com a maioria não é a maneira mais correta. Ele defende a discussão dos projetos com setores da sociedade antes de enviá-los à Câmara. “Assim, a população apóia a matéria, fica do lado do autor e dificilmente o projeto é rejeitado. Não só o PT, mas os demais partidos deveriam adotar essa postura”, diz.

Cotado para assumir uma das cadeiras da Assembléia Legislativa – que tem apenas mais dois anos de mandato – Lino estaria de volta à Câmara de São Bernardo após ficar afastado por duas legislaturas. Critica a forma de tramitação dos projetos na cidade que, segundo ele, não cumpre o tempo regimental para que todos analisem a proposta. “Em São Bernardo, as matérias chegam em um dia e são votadas no outro. Quando o PT foi governo, de 1988 a 1992 (com Maurício Soares), colocamos à disposição os projetos. A coisa mais perversa é quando se coloca um projeto e em regime de urgência e não se cumpre o tempo regimental”, diz.

Lino afirma ainda que em muitas ocasiões o parecer é verbal para ser votado o mais rápido possível. “Até vereador da situação, muitas vezes, não sabe o que está votando. Se fizer sabatina com qualquer um vai ver que não sabem nada. Votam por questão de fidelidade. Na dúvida, sempre votamos contra, pois desconhecemos os detalhes.”

Quanto à reclamação recorrente de não incluir a oposição nas reuniões de segunda-feira, Lino concorda com o Executivo. “Acho que o prefeito não tem obrigação nenhuma de convidar oposição para discutir projetos, principalmente aqueles de interesse particular, como criação de secretarias. Mas alguns projetos que não são trem da alegria, mas sim de interesse da população, deveriam ser discutidos com os vereadores para facilitar a tramitação”, defende o parlamentar.

Lino critica ainda a criação de secretarias. “Criar Secretaria de Comunicação significa mais gastos e mais cargos de confiança à disposição para colocar aliados.”

Outro ponto negativo, segundo Lino, é a dificuldade para questionar a Prefeitura, já que até para requerimento de informação o vereador depende de outros vereadores. “Nunca passa. A gente está aqui para defender a população e não os interesses do PT. Temos de fiscalizar o Executivo. A Câmara é quase uma feira. Vereadores apenas levantam a mão.”

Demarchi - O único período conturbado na história do Legislativo de São Bernardo foi durante a administração de Walter Demarchi, eleito pelo PTB e que assumiu a Prefeitura no período de 1993 a 1996, logo após a administração petista. Para Lino, vereador no período, o maior problema é que a Prefeitura tinha dois comandos: o do prefeito e o do deputado estadual Waldir Cartola.

A dobradinha chegou a provocar um racha na administração durante as eleições de 1996. O fato é que ninguém queria Cartola como candidato. Mas prevaleceu a vontade de Demarchi.

“Cartola era a figura mais forte. Ele foi secretário de Assuntos Jurídicos. Mas as forças balançavam muito. Foi um dos piores governos da cidade. Eles tiveram dificuldade porque não tinham direcionamento de governo, não tinham plano, metas, e o resultado foi esse.” Lino lembra que a briga chegou até a bancada de sustentação, que acabou rachada. “Nós éramos oposição, mas não tivemos influência na bagunça. A culpa foi do governo, da falta de compasso. Todo mundo queria mandar”, lembra o vereador, que acrescentou: “Demarchi pegou a Prefeitura saneada, sem problemas financeiros e com 70% de aprovação da população. Mas não conseguiu tocar.”

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