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Ato na Paulista reúne 1,4 milhão

Manifestação pró-impeachment em S.Paulo, segundo a PM, reuniu 1,4 milhão; Datafolha fala em 500 mil; números ultrapassam Diretas Já


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

14/03/2016 | 07:00


A manifestação pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), realizada ontem na Avenida Paulista, na Capital, superou todos os protestos políticos da história. Segundo a PM (Polícia Militar), o ato reuniu 1,4 milhão de manifestantes. Já o Datafolha diz que 500 mil pessoas estiveram no local.

Apesar da discrepância entre as estimativas, os dois números ultrapassam todas as manifestações contra Dilma firmadas no ano passado e até mesmo o Diretas Já, ocorrido em 1984, quando 400 mil pessoas, de acordo com o mesmo instituto, exigiram o direito às eleições diretas no Brasil. Até mesmo as manifestações de junho de 2013 ficaram para trás. À época, o ato que ganhou destaque nacional por conta da luta contra o aumento das tarifas do transporte público mobilizou 110 mil.

No auge da manifestação de ontem, por volta de 15h30, vários pontos da Paulista estavam intransitáveis. Alguns manifestantes passaram mal e tiveram que procurar abrigo para tentar recuperação. Irritado com o tumulto, um dos participantes insultou a vendedora de cachorro quente Alcione Rodrigues, 31. “Vai com esse carrinho para lá, aqui não é lugar (de vender o alimento)”, esbravejou o homem, que foi reprimido por outros manifestantes. “Não me sinto ofendida, finjo que não estou vendo”, minimizou a comerciante, moradora do Campão Redondo, na Zona Leste da Capital.

Responsável pela Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro foi ovacionado nas ruas. Faixas e cartazes em apoio ao magistrado se espalhavam pela Paulista. Eram raras as placas contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), primeiro político com mandato a virar réu no STF (Supremo Tribunal Federal), acusado de ser um dos beneficiários no esquema de corrupção na Petrobras.

Para a administradora de empresas Marisa da Câmara, 60, a queda de Dilma “talvez não seja solução”. “Pela linha sucessória, Cunha seria o segundo político mais importante caso o (vice-presidente da República, Michel) Temer (PMDB), assuma a Presidência. Tem que cair todo mundo”, alegou. “Tanto PT quanto PSDB são corruptos, mas contra os petistas existem provas. Tudo o que está passando na TV (comprova os atos ilícitos). A prova é a condenação do povo”, sentenciou a advogada Vera Lúcia, 54, de Moema, em meio a goles de café gelado em sofisticada cafeteria da Paulista.

Além dos cartazes pedindo impeachment e renúncia de Dilma, os defensores de intervenção militar também marcaram presença. A podóloga Maria de Lima, 55, da Penha, na Zona Leste, aplaudia um dos caminhões de som que pregava a volta dos militares ao poder. “Sou a favor da democracia, mas o que for melhor para o País, tem que acontecer”.

O público estimado no ato de ontem reacendeu a então enfraquecida pauta do impeachment. Desde a primeira manifestação, em 15 de março de 2015 (reuniu 1 milhão, de acordo com a PM), os protestos perderam fôlego ao longo do ano. Em agosto, 135 mil foram à Paulista e, em dezembro, apenas 40,3 mil. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou, em nota, que não houve confrontos sérios entre os manifestantes e que foram “registrados dois furtos de celular e um desacato”. 

Políticos são hostilizados durante atividade

Principais lideranças da oposição e do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o presidente nacional do partido, o senador mineiro Aécio Neves, foram hostilizados pelos manifestantes quando chegaram à Avenida Paulista. Os tucanos não chegaram a discursar e permaneceram só por meia hora no protesto, cercados de seguranças e próximos ao grupo MBL (Movimento Brasil Livre).

Esta foi a primeira vez que o PSDB apoiou formalmente as manifestações pró-impeachment, embora figuras do partido já tivessem participado de outros atos e tirado selfies com os manifestantes. A ex-prefeita da Capital e pré-candidata pelo PMDB à Prefeitura paulistana, a senadora Marta Suplicy (ex-PT), também foi criticada. 

Aécio e Alckmin foram à manifestação juntos, em ‘comboio’ que também reuniu outras autoridades da oposição, como o deputado federal Paulinho da Força (SD) e o senador Aloysio Nunes (PSDB). Mais cedo, Alckmin concedeu entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, onde falou que o Brasil precisa “virar a página” das crises política e econômica. “(A crise) atingiu a vida dos brasileiros, que perderam emprego e esperança. Precisamos virar essa página. O País não pode perder tempo, é preciso de solução rápida”, discorreu o tucano. 

Na ocasião, o governador também comentou sobre a ação da PM (Polícia Militar) na sexta-feira, quando diversos policiais fortemente armados invadiram a plenária pró-Lula, na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema. “Quero dizer ao PT que nós não fazemos provocação nem invadimos propriedades. A polícia de São Paulo é extremamente séria”, argumentou o tucano, encerrando a entrevista para se dirigir ao ato na Paulista.

Lava Jato e denúncias do MP intensificam ataques a Lula

Embora a principal pauta da manifestação de ontem na Avenida Paulista era o pedido de impechment da presidente Dilma Rousseff, os gritos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram mais intensos do que nos atos ocorridos desde o ano passado contra o governo petista. Diversos bonecos infláveis de Lula vestido de presidiário eram comercializados na avenida, além do famoso ‘pixuleco’. Coros de “Lula, cachaceiro. Devolve o meu dinheiro” eram entoados a todo momento.

A forte rejeição contra o ex-chefe da Nação ocorre uma semana depois de Lula ter sido levado coercitivamente para prestar depoimento à Polícia Federal, na 24ª fase da Operação Lava Jato. Na quarta-feira, outro episódio impulsionou o discursos contra o ex-presidente. O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) pediu a prisão preventiva de Lula, acusando o petista à Justiça paulista por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica na aquisição do triplex no Gurarujá, no Litoral. O processo tramita sob segredo de Justiça na 4ª Vara Criminal de São Paulo e não há prazo para que haja desfecho. O ex-presidente afirma veementemente que não é proprietário do apartamento, mas para o MP, Lula e sua mulher, a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, teriam sido beneficiados ilegalmente pela empreiteira OAS, que assumiu diversos empreendimentos imobiliários então gerenciados pela Bancoop (Coopertativa Habitacional dos Bancários) – o ex-presidente nega.

O empresário Cláudio Benedito de Oliveira, 59, se diz ex-petista e conta que esteve na Paulista na histórica festa da primeira vitória de Lula, na eleição de 2002. “Minha ideologia era de que o PT chegasse ao poder e mudasse o País, mas já que não fizeram, têm que sair”, opinou o comerciante, que vendia máscaras do ‘japonês da federal’ a R$ 5.



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Ato na Paulista reúne 1,4 milhão

Manifestação pró-impeachment em S.Paulo, segundo a PM, reuniu 1,4 milhão; Datafolha fala em 500 mil; números ultrapassam Diretas Já

Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

14/03/2016 | 07:00


A manifestação pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), realizada ontem na Avenida Paulista, na Capital, superou todos os protestos políticos da história. Segundo a PM (Polícia Militar), o ato reuniu 1,4 milhão de manifestantes. Já o Datafolha diz que 500 mil pessoas estiveram no local.

Apesar da discrepância entre as estimativas, os dois números ultrapassam todas as manifestações contra Dilma firmadas no ano passado e até mesmo o Diretas Já, ocorrido em 1984, quando 400 mil pessoas, de acordo com o mesmo instituto, exigiram o direito às eleições diretas no Brasil. Até mesmo as manifestações de junho de 2013 ficaram para trás. À época, o ato que ganhou destaque nacional por conta da luta contra o aumento das tarifas do transporte público mobilizou 110 mil.

No auge da manifestação de ontem, por volta de 15h30, vários pontos da Paulista estavam intransitáveis. Alguns manifestantes passaram mal e tiveram que procurar abrigo para tentar recuperação. Irritado com o tumulto, um dos participantes insultou a vendedora de cachorro quente Alcione Rodrigues, 31. “Vai com esse carrinho para lá, aqui não é lugar (de vender o alimento)”, esbravejou o homem, que foi reprimido por outros manifestantes. “Não me sinto ofendida, finjo que não estou vendo”, minimizou a comerciante, moradora do Campão Redondo, na Zona Leste da Capital.

Responsável pela Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro foi ovacionado nas ruas. Faixas e cartazes em apoio ao magistrado se espalhavam pela Paulista. Eram raras as placas contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), primeiro político com mandato a virar réu no STF (Supremo Tribunal Federal), acusado de ser um dos beneficiários no esquema de corrupção na Petrobras.

Para a administradora de empresas Marisa da Câmara, 60, a queda de Dilma “talvez não seja solução”. “Pela linha sucessória, Cunha seria o segundo político mais importante caso o (vice-presidente da República, Michel) Temer (PMDB), assuma a Presidência. Tem que cair todo mundo”, alegou. “Tanto PT quanto PSDB são corruptos, mas contra os petistas existem provas. Tudo o que está passando na TV (comprova os atos ilícitos). A prova é a condenação do povo”, sentenciou a advogada Vera Lúcia, 54, de Moema, em meio a goles de café gelado em sofisticada cafeteria da Paulista.

Além dos cartazes pedindo impeachment e renúncia de Dilma, os defensores de intervenção militar também marcaram presença. A podóloga Maria de Lima, 55, da Penha, na Zona Leste, aplaudia um dos caminhões de som que pregava a volta dos militares ao poder. “Sou a favor da democracia, mas o que for melhor para o País, tem que acontecer”.

O público estimado no ato de ontem reacendeu a então enfraquecida pauta do impeachment. Desde a primeira manifestação, em 15 de março de 2015 (reuniu 1 milhão, de acordo com a PM), os protestos perderam fôlego ao longo do ano. Em agosto, 135 mil foram à Paulista e, em dezembro, apenas 40,3 mil. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou, em nota, que não houve confrontos sérios entre os manifestantes e que foram “registrados dois furtos de celular e um desacato”. 

Políticos são hostilizados durante atividade

Principais lideranças da oposição e do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o presidente nacional do partido, o senador mineiro Aécio Neves, foram hostilizados pelos manifestantes quando chegaram à Avenida Paulista. Os tucanos não chegaram a discursar e permaneceram só por meia hora no protesto, cercados de seguranças e próximos ao grupo MBL (Movimento Brasil Livre).

Esta foi a primeira vez que o PSDB apoiou formalmente as manifestações pró-impeachment, embora figuras do partido já tivessem participado de outros atos e tirado selfies com os manifestantes. A ex-prefeita da Capital e pré-candidata pelo PMDB à Prefeitura paulistana, a senadora Marta Suplicy (ex-PT), também foi criticada. 

Aécio e Alckmin foram à manifestação juntos, em ‘comboio’ que também reuniu outras autoridades da oposição, como o deputado federal Paulinho da Força (SD) e o senador Aloysio Nunes (PSDB). Mais cedo, Alckmin concedeu entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, onde falou que o Brasil precisa “virar a página” das crises política e econômica. “(A crise) atingiu a vida dos brasileiros, que perderam emprego e esperança. Precisamos virar essa página. O País não pode perder tempo, é preciso de solução rápida”, discorreu o tucano. 

Na ocasião, o governador também comentou sobre a ação da PM (Polícia Militar) na sexta-feira, quando diversos policiais fortemente armados invadiram a plenária pró-Lula, na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema. “Quero dizer ao PT que nós não fazemos provocação nem invadimos propriedades. A polícia de São Paulo é extremamente séria”, argumentou o tucano, encerrando a entrevista para se dirigir ao ato na Paulista.

Lava Jato e denúncias do MP intensificam ataques a Lula

Embora a principal pauta da manifestação de ontem na Avenida Paulista era o pedido de impechment da presidente Dilma Rousseff, os gritos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram mais intensos do que nos atos ocorridos desde o ano passado contra o governo petista. Diversos bonecos infláveis de Lula vestido de presidiário eram comercializados na avenida, além do famoso ‘pixuleco’. Coros de “Lula, cachaceiro. Devolve o meu dinheiro” eram entoados a todo momento.

A forte rejeição contra o ex-chefe da Nação ocorre uma semana depois de Lula ter sido levado coercitivamente para prestar depoimento à Polícia Federal, na 24ª fase da Operação Lava Jato. Na quarta-feira, outro episódio impulsionou o discursos contra o ex-presidente. O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) pediu a prisão preventiva de Lula, acusando o petista à Justiça paulista por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica na aquisição do triplex no Gurarujá, no Litoral. O processo tramita sob segredo de Justiça na 4ª Vara Criminal de São Paulo e não há prazo para que haja desfecho. O ex-presidente afirma veementemente que não é proprietário do apartamento, mas para o MP, Lula e sua mulher, a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, teriam sido beneficiados ilegalmente pela empreiteira OAS, que assumiu diversos empreendimentos imobiliários então gerenciados pela Bancoop (Coopertativa Habitacional dos Bancários) – o ex-presidente nega.

O empresário Cláudio Benedito de Oliveira, 59, se diz ex-petista e conta que esteve na Paulista na histórica festa da primeira vitória de Lula, na eleição de 2002. “Minha ideologia era de que o PT chegasse ao poder e mudasse o País, mas já que não fizeram, têm que sair”, opinou o comerciante, que vendia máscaras do ‘japonês da federal’ a R$ 5.

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