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Floriano Peixoto: densidade sem preconceito


Danielle Araújo
Da TV Press

18/07/2005 | 08:41


Floriano Peixoto já tinha um longo currículo nos palcos quando fez sua primeira novela Explode Coração (Globo, 1995), em que fazia o travesti Sarita. Nesses 10 anos, o ator de 46 anos já interpretou diversos outros tipos na TV, mas todos com uma característica em comum: a densidade. Floriano garante que não é nada intencional, mas não consegue evitar. Resquício, certamente, de seu passado teatral. Ao se deparar com um pequeno conflito, ele se aprofunda instintivamente nos problemas de seu personagem. "Eu tenho facilidade para ganhar papéis com alma complexa. Às vezes, até me questiono: Será que sou assim?. Acho, porém, que não encaro a vida com essa densidade toda", diz.

Denso, para Floriano, é o atuar na TV. Embora já tenha experiência, o ator ainda considera difícil o trabalho de estúdio. Vira e mexe, se desliga das câmaras, marcações e microfones. Como um bom ator de teatro, sente falta do tempo dedicado aos ensaios. "Chegar lá e fazer, para mim, ainda é muito complicado", admite. Mas há características do trabalho nas novelas de que Floriano gosta. Como descobrir o destino de seu personagem de acordo com o desenrolar da trama - o que significa que seu desempenho ajuda a escrever a história do personagem. Tanto que se surpreendeu quando leu no script de América que o Tony viveria um triângulo amoroso com Haydeé e Raíssa, papéis de Christiane Torloni e Mariana Ximenes. Para o ator, foi justamente esse romance com mãe e filha que deu maior destaque ao seu papel. Até ali, Tony tinha uma presença discreta no núcleo de Miami. "No começo, o Tony era misterioso até para mim. Mas achei fascinante essa história que a Glória criou".

Foi também Glória Perez a criadora de seu personagem preferido na TV: a Sarita de Explode Coração. Floriano considera que o papel quebrou todos seus paradigmas profissionais. Pelo tom de voz grave e pelo tipo físico graúdo, o ator jamais imaginou que seria chamado - mesmo no teatro - para viver um homossexual. Na época, ficou tão intrigado com a proposta que nem cogitou rejeitar o papel. E assim que recebeu a sinopse, caprichou na mudança de visual: depilou o corpo inteiro, cortou a sobrancelha, colocou aplique no cabelo e fez a unha. "Isso me deu trabalho, prazer, dor, cansaço. Enfim, foi o papel que mais mexeu comigo emocionalmente", recorda.

Desde que interpretou a Sarita, Floriano não tem mais sossego nas ruas. Basta sair de casa para alguém o parar e fazer um comentário sobre o trabalho. Tímido, Floriano confessa ainda não ter muito jogo de cintura para lidar com o assédio do público. Ao mesmo tempo em que se sente deslocado, no entanto, ele procura dar atenção aos fãs. "De uma certa maneira, essa profissão me ajuda na hora de relacionar com as pessoas". E pensar que foi por pouco que Floriano não desistiu da carreira. Aos 27 anos, formado em jornalismo, o ator teve dificuldade em largar a redação do Jornal do Brasil e investir no teatro, mesmo acompanhado pelo desemprego (no que contou com o apoio dos pais). "Não levo jeito para o jornalismo porque seria capaz de mentir muito. Gosto de fantasiar as coisas. Já, no teatro, posso usar toda minha criatividade", explica.

Floriano enche-se de orgulho para dizer que fez a melhor opção profissional. No seu currículo, já constam oito novelas, mais de 20 peças e vários filmes, como Veja Esta Canção, de 1994, Carandiru, de 2003, e Olga, de 2004. "Sinto-me pleno", garante. Mas as coisas nem sempre foram simples assim. Floriano tinha resistência a trabalhar na TV. Recusou papéis em O Rei do Gado e Irmãos Coragem por puro preconceito. Hoje, não se imagina longe do vídeo e dedica todas suas energias a América. "A TV me abre portas, inclusive no teatro, e me ajuda financeiramente. Seria muito difícil constituir uma família só com teatro", afirma. Floriano é casado com a atriz Christine Fernandes, a Aurélia de Essas Mulheres, da Record, com quem tem o filho Pedro, 2 anos.



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Floriano Peixoto: densidade sem preconceito

Danielle Araújo
Da TV Press

18/07/2005 | 08:41


Floriano Peixoto já tinha um longo currículo nos palcos quando fez sua primeira novela Explode Coração (Globo, 1995), em que fazia o travesti Sarita. Nesses 10 anos, o ator de 46 anos já interpretou diversos outros tipos na TV, mas todos com uma característica em comum: a densidade. Floriano garante que não é nada intencional, mas não consegue evitar. Resquício, certamente, de seu passado teatral. Ao se deparar com um pequeno conflito, ele se aprofunda instintivamente nos problemas de seu personagem. "Eu tenho facilidade para ganhar papéis com alma complexa. Às vezes, até me questiono: Será que sou assim?. Acho, porém, que não encaro a vida com essa densidade toda", diz.

Denso, para Floriano, é o atuar na TV. Embora já tenha experiência, o ator ainda considera difícil o trabalho de estúdio. Vira e mexe, se desliga das câmaras, marcações e microfones. Como um bom ator de teatro, sente falta do tempo dedicado aos ensaios. "Chegar lá e fazer, para mim, ainda é muito complicado", admite. Mas há características do trabalho nas novelas de que Floriano gosta. Como descobrir o destino de seu personagem de acordo com o desenrolar da trama - o que significa que seu desempenho ajuda a escrever a história do personagem. Tanto que se surpreendeu quando leu no script de América que o Tony viveria um triângulo amoroso com Haydeé e Raíssa, papéis de Christiane Torloni e Mariana Ximenes. Para o ator, foi justamente esse romance com mãe e filha que deu maior destaque ao seu papel. Até ali, Tony tinha uma presença discreta no núcleo de Miami. "No começo, o Tony era misterioso até para mim. Mas achei fascinante essa história que a Glória criou".

Foi também Glória Perez a criadora de seu personagem preferido na TV: a Sarita de Explode Coração. Floriano considera que o papel quebrou todos seus paradigmas profissionais. Pelo tom de voz grave e pelo tipo físico graúdo, o ator jamais imaginou que seria chamado - mesmo no teatro - para viver um homossexual. Na época, ficou tão intrigado com a proposta que nem cogitou rejeitar o papel. E assim que recebeu a sinopse, caprichou na mudança de visual: depilou o corpo inteiro, cortou a sobrancelha, colocou aplique no cabelo e fez a unha. "Isso me deu trabalho, prazer, dor, cansaço. Enfim, foi o papel que mais mexeu comigo emocionalmente", recorda.

Desde que interpretou a Sarita, Floriano não tem mais sossego nas ruas. Basta sair de casa para alguém o parar e fazer um comentário sobre o trabalho. Tímido, Floriano confessa ainda não ter muito jogo de cintura para lidar com o assédio do público. Ao mesmo tempo em que se sente deslocado, no entanto, ele procura dar atenção aos fãs. "De uma certa maneira, essa profissão me ajuda na hora de relacionar com as pessoas". E pensar que foi por pouco que Floriano não desistiu da carreira. Aos 27 anos, formado em jornalismo, o ator teve dificuldade em largar a redação do Jornal do Brasil e investir no teatro, mesmo acompanhado pelo desemprego (no que contou com o apoio dos pais). "Não levo jeito para o jornalismo porque seria capaz de mentir muito. Gosto de fantasiar as coisas. Já, no teatro, posso usar toda minha criatividade", explica.

Floriano enche-se de orgulho para dizer que fez a melhor opção profissional. No seu currículo, já constam oito novelas, mais de 20 peças e vários filmes, como Veja Esta Canção, de 1994, Carandiru, de 2003, e Olga, de 2004. "Sinto-me pleno", garante. Mas as coisas nem sempre foram simples assim. Floriano tinha resistência a trabalhar na TV. Recusou papéis em O Rei do Gado e Irmãos Coragem por puro preconceito. Hoje, não se imagina longe do vídeo e dedica todas suas energias a América. "A TV me abre portas, inclusive no teatro, e me ajuda financeiramente. Seria muito difícil constituir uma família só com teatro", afirma. Floriano é casado com a atriz Christine Fernandes, a Aurélia de Essas Mulheres, da Record, com quem tem o filho Pedro, 2 anos.

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