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Obras no Rudge afetarão lojas

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Revitalização da Praça São João Batista, promovida
pela Prefeitura, acabará com as vagas de Zona Azul


Vanessa de Oliveira
do Diário do Grande ABC

20/04/2015 | 07:07


Iniciadas na última semana, as obras de revitalização da Praça São João Batista, no Rudge Ramos, em São Bernardo, mal começaram, mas já dão dor de cabeça a centenas de comerciantes do entorno. O motivo não são os transtornos temporários que a execução dos trabalhos causam, mas sim um impacto definitivo imposto a eles: a extinção das vagas de Zona Azul, fundamentais para atrair a clientela aos estabelecimentos.

De acordo com o projeto da Prefeitura, o estacionamento rotativo que fica em frente à igreja, com 70 vagas, não existirá mais para, conforme a administração municipal, ampliar a área destinada ao lazer da população. O estacionamento rotativo da Rua Piagentini, que, somado ao anterior, totaliza cerca de 117 vagas, também será desativado. O projeto destaca que, para compensar, há mais de 600 vagas de Zona Azul em ruas próximas.

Para os comerciantes, não adianta. “A gente sabe que o cliente não anda mais que 500 metros para fazer as compras. Ele quer comodidade”, argumentou Luiz Diogo, 53 anos, dono de quatro lojas de calçados no entorno do Largo do Rudge.

Embora a Secretaria de Obras tenha realizado audiência pública no dia 8 para apresentar as propostas aos lojistas, não couberam sugestões. Inclusive, a reunião só foi marcada após pressão dos comerciantes e o convite chegou com apenas dois dias de antecedência. “Trabalho aqui há 35 anos e nunca vi tanto descaso”, lamentou Diogo.

Com grande movimentação aos fins de semana devido aos casamentos e missas, a falta de estacionamento por perto também preocupa o padre Roberto Alves Marangon. “A modernização da praça é muito bem-vinda, mas poderiam pensar com um pouco mais de carinho e critério como adequar os estacionamentos.”

Segundo Diogo, na sexta-feira técnico do Executivo declarou aos comerciantes que será estudada a possibilidade de não extinguir todas as vagas e ficou de retornar com parecer dentro de dez dias.

As obras tiveram início pela pracinha que fica na esquina da Avenida Doutor Rudge Ramos, onde está instalada feira de ambulantes e um ponto de ônibus que deixou de funcionar. Duas novas paradas foram improvisadas – uma na própria Avenida Doutor Rudge Ramos, em frente ao número 95, e outra na Avenida Caminho do Mar, diante do Supermercado Extra. As calçadas, no entanto, são muito estreitas, o que, com o grande número de pessoas esperando pelos coletivos, obriga pedestres a caminharem pela rua. “Colocaram na segunda-feira e, no mesmo dia, uma senhora foi atropelada”, contou Diogo.

A modernização do espaço envolve outros impactos, que terão início em julho e previsão de entrega para novembro, com investimento de R$ 6 milhões. Na Travessa Daré e Rua Laurindo Adamo, será feito calçadão. Para esta última via, serão realocados a base de segurança da Polícia Militar e o ponto de táxi. O tráfego também sofrerá alterações, fazendo com que os ônibus, que hoje possuem portas do lado direito, parem do lado esquerdo. A Prefeitura diz que coletivos municipais serão adaptados, mas não esclareceu como ficará a situação das linhas intermunicipais. O trânsito local, já complicado, tende a piorar. “Os ônibus vão parar do lado da igreja. Quem vem da Avenida Senador Vergueiro para subir para a Caminho do Mar não vai conseguir, a fila de coletivos vai travar tudo. Não tem planejamento”, reclamou o comerciante Gustavo Romão da Mota, 30.

Para embelezar a praça, chafariz será instalado. Os lojistas, porém, acham que o adorno trará problemas. “Trabalhei 15 anos do lado da Igreja Matriz, no Centro, e quando tinha fonte lá, o pessoal que mora na rua usava para tomar banho. Aqui na praça vivem cerca de dez moradores de rua”, disse Simone Melo Martinez, 42, proprietária de uma loja de chocolates.

O Diário procurou a Prefeitura para comentar as reclamações das pessoas impactadas pelo projeto, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Ponto de táxi também mudará de lugar

Funcionando há 36 anos no mesmo local, na Avenida Senador Vergueiro, o ponto de táxi do Largo do Rudge será transferido para a Rua Laurindo Adamo, conforme prevê o projeto de revitalização da Praça São João Batista. Os taxistas reclamam da mudança e do descaso da administração de São Bernardo com a categoria, já que foram apenas comunicados da decisão, sem direito a sugestões.

“Os representes da Prefeitura deveriam chegar na gente, falar que tinham a ideia de mudar o ponto e ver o que achávamos. Essa parada é tradicional, a população está acostumada a vir aqui, é uma falta de respeito não nos consultarem”, falou o taxista Leandro Miralha, 28 anos. “Querem mudar forçando a barra e ninguém concorda”, ressaltou, sendo apoiado pelos colegas.

Um ponto do projeto reforça a insatisfação. “Pelo que foi falado, o ponto para onde vamos é para cinco, seis carros; aqui trabalhamos com 21. Se desmembrar, colocar um pouco lá e outro em rua mais longe, quem fica afastado não tem tanto movimento. Isso trará prejuízo para os taxistas. Estamos inseguros.”
 



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Obras no Rudge afetarão lojas

Revitalização da Praça São João Batista, promovida
pela Prefeitura, acabará com as vagas de Zona Azul

Vanessa de Oliveira
do Diário do Grande ABC

20/04/2015 | 07:07


Iniciadas na última semana, as obras de revitalização da Praça São João Batista, no Rudge Ramos, em São Bernardo, mal começaram, mas já dão dor de cabeça a centenas de comerciantes do entorno. O motivo não são os transtornos temporários que a execução dos trabalhos causam, mas sim um impacto definitivo imposto a eles: a extinção das vagas de Zona Azul, fundamentais para atrair a clientela aos estabelecimentos.

De acordo com o projeto da Prefeitura, o estacionamento rotativo que fica em frente à igreja, com 70 vagas, não existirá mais para, conforme a administração municipal, ampliar a área destinada ao lazer da população. O estacionamento rotativo da Rua Piagentini, que, somado ao anterior, totaliza cerca de 117 vagas, também será desativado. O projeto destaca que, para compensar, há mais de 600 vagas de Zona Azul em ruas próximas.

Para os comerciantes, não adianta. “A gente sabe que o cliente não anda mais que 500 metros para fazer as compras. Ele quer comodidade”, argumentou Luiz Diogo, 53 anos, dono de quatro lojas de calçados no entorno do Largo do Rudge.

Embora a Secretaria de Obras tenha realizado audiência pública no dia 8 para apresentar as propostas aos lojistas, não couberam sugestões. Inclusive, a reunião só foi marcada após pressão dos comerciantes e o convite chegou com apenas dois dias de antecedência. “Trabalho aqui há 35 anos e nunca vi tanto descaso”, lamentou Diogo.

Com grande movimentação aos fins de semana devido aos casamentos e missas, a falta de estacionamento por perto também preocupa o padre Roberto Alves Marangon. “A modernização da praça é muito bem-vinda, mas poderiam pensar com um pouco mais de carinho e critério como adequar os estacionamentos.”

Segundo Diogo, na sexta-feira técnico do Executivo declarou aos comerciantes que será estudada a possibilidade de não extinguir todas as vagas e ficou de retornar com parecer dentro de dez dias.

As obras tiveram início pela pracinha que fica na esquina da Avenida Doutor Rudge Ramos, onde está instalada feira de ambulantes e um ponto de ônibus que deixou de funcionar. Duas novas paradas foram improvisadas – uma na própria Avenida Doutor Rudge Ramos, em frente ao número 95, e outra na Avenida Caminho do Mar, diante do Supermercado Extra. As calçadas, no entanto, são muito estreitas, o que, com o grande número de pessoas esperando pelos coletivos, obriga pedestres a caminharem pela rua. “Colocaram na segunda-feira e, no mesmo dia, uma senhora foi atropelada”, contou Diogo.

A modernização do espaço envolve outros impactos, que terão início em julho e previsão de entrega para novembro, com investimento de R$ 6 milhões. Na Travessa Daré e Rua Laurindo Adamo, será feito calçadão. Para esta última via, serão realocados a base de segurança da Polícia Militar e o ponto de táxi. O tráfego também sofrerá alterações, fazendo com que os ônibus, que hoje possuem portas do lado direito, parem do lado esquerdo. A Prefeitura diz que coletivos municipais serão adaptados, mas não esclareceu como ficará a situação das linhas intermunicipais. O trânsito local, já complicado, tende a piorar. “Os ônibus vão parar do lado da igreja. Quem vem da Avenida Senador Vergueiro para subir para a Caminho do Mar não vai conseguir, a fila de coletivos vai travar tudo. Não tem planejamento”, reclamou o comerciante Gustavo Romão da Mota, 30.

Para embelezar a praça, chafariz será instalado. Os lojistas, porém, acham que o adorno trará problemas. “Trabalhei 15 anos do lado da Igreja Matriz, no Centro, e quando tinha fonte lá, o pessoal que mora na rua usava para tomar banho. Aqui na praça vivem cerca de dez moradores de rua”, disse Simone Melo Martinez, 42, proprietária de uma loja de chocolates.

O Diário procurou a Prefeitura para comentar as reclamações das pessoas impactadas pelo projeto, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Ponto de táxi também mudará de lugar

Funcionando há 36 anos no mesmo local, na Avenida Senador Vergueiro, o ponto de táxi do Largo do Rudge será transferido para a Rua Laurindo Adamo, conforme prevê o projeto de revitalização da Praça São João Batista. Os taxistas reclamam da mudança e do descaso da administração de São Bernardo com a categoria, já que foram apenas comunicados da decisão, sem direito a sugestões.

“Os representes da Prefeitura deveriam chegar na gente, falar que tinham a ideia de mudar o ponto e ver o que achávamos. Essa parada é tradicional, a população está acostumada a vir aqui, é uma falta de respeito não nos consultarem”, falou o taxista Leandro Miralha, 28 anos. “Querem mudar forçando a barra e ninguém concorda”, ressaltou, sendo apoiado pelos colegas.

Um ponto do projeto reforça a insatisfação. “Pelo que foi falado, o ponto para onde vamos é para cinco, seis carros; aqui trabalhamos com 21. Se desmembrar, colocar um pouco lá e outro em rua mais longe, quem fica afastado não tem tanto movimento. Isso trará prejuízo para os taxistas. Estamos inseguros.”
 

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