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Moradores do Canaã têm até agosto para sair


Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

09/05/2011 | 07:14


Os moradores do núcleo Cannã, em Mauá, vivem o mesmo drama há cerca de 20 anos. Suas casas foram construídas em área que pertence à Associação Canaã, que pede na Justiça a reintegração de posse. O juiz determinou que as mais de 350 famílias que ainda vivem no terreno deixassem o local amanhã, mas os moradores conseguiram ampliar o prazo até agosto.


A intenção da associação é lotear o terreno de 200 mil metros quadrados que fica às margens do Complexo Jacú Pêssego, entre os bairros Jardim Ipê, Vila Magini e Paranavaí.


O prazo foi estendido graças à luta dos moradores, que conseguiram um defensor público para representá-los, além do auxílio de vereadores. Ao longo de todos esses anos, porém, muita gente se aproveitou da situação.
"Um advogado veio aqui e disse que ia conseguir as escrituras do terreno pra gente. Pagamos R$ 500 pra ele, que sumiu com o dinheiro", contou a cabeleireira Jaqueline Estevã, 36 anos, 19 deles no Canaã.


A família de Jaqueline chegou na época em que a Associação adquiriu o terreno para lotear. "Pagamos duas prestações, mas depois a coisa desandou e levaram nossos documentos embora."
O vereador Luiz Alfredo Simão (PSB) explicou que, na década de 1990, a associação entrou em acordo com uma empresa para fazer o loteamento da área, que seria dividida em 800 lotes. Cerca de 350 ficariam com as famílias da associação e, o restante, com a empresa responsável pelo loteamento.


"Na hora de aprovar o projeto na Prefeitura, porém, o terreno já tinha sido invadido por mais famílias e ficou esse imbróglio: alguns são invasores e outros têm direito sobre a terra", explicou.

DÍVIDA
A Associação deve R$ 9,5 milhões em IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) à Prefeitura de Mauá que, segundo Simão, tem intenção de ficar com o terreno como forma de quitar a dívida.


No espaço, seriam construídos empreendimentos do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, e as famílias que já vivem no local teriam prioridade. "O problema é que os proprietários avaliam que a área vale R$ 20 milhões, por causa da proximidade do Rodoanel", explicou o vereador.
O advogado da Associação, Oswaldo Nazoni, explicou que o pedido de suspensão da reintegração de posse foi acatado para dar mais tempo às famílias para que procurem outro local. "O que meu cliente quer é que o terreno seja desocupado para seguir com o projeto de loteamento. Mas, se a Prefeitura quiser comprar, essa também é uma possibilidade."

Padre auxilia famílias por conta própria

A Paróquia São Luiz Gonzaga não está na área que pertence à Associação Canaã, mas entrou na luta para auxiliar as famílias que poderão ser removidas pela reintegração de posse. Por conta própria, o padre Cícero Soares da Silva organizou um cadastramento dos moradores para saber quantos vivem no terreno.


É também na igreja que são realizadas as reuniões entre os moradores e os vereadores que auxiliam na causa. "A situação dessas famílias é difícil, eles precisam de um lugar para ir. Se tiverem que sair daqui, ficarão na rua", disse o padre.
Caso da família do coletor de resíduos Valdenon Antonio de Jesus, 38 anos. Ele trabalha em empresa de reciclagem há seis anos, mas se acidentou e foi afastado. Segundo ele, está sem receber o salário de R$ 800 há cerca de três meses porque o perito diz que ele tem condições de voltar a trabalhar, mas o médico da empresa diz que não. "Se tiver que sair, vou morar embaixo da ponte", lamentou.


Jesus admite que invadiu a área. "Mas na época os políticos incentivaram a gente, disseram que ninguém ia mexer aqui, não", justificou-se. O coletor estima que investiu cerca de R$ 30 mil no imóvel, onde vive há 10 anos.
Não é a primeira vez que as famílias do Canaã vivem o medo de ter de abandonar suas casas. Cerca de 200 delas tiveram de deixar o terreno em 2006, quando a Justiça determinou a reintegração de posse de uma das áreas. Na ocasião, as famílias tiveram de ir para a casa de parentes.

 



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Moradores do Canaã têm até agosto para sair

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

09/05/2011 | 07:14


Os moradores do núcleo Cannã, em Mauá, vivem o mesmo drama há cerca de 20 anos. Suas casas foram construídas em área que pertence à Associação Canaã, que pede na Justiça a reintegração de posse. O juiz determinou que as mais de 350 famílias que ainda vivem no terreno deixassem o local amanhã, mas os moradores conseguiram ampliar o prazo até agosto.


A intenção da associação é lotear o terreno de 200 mil metros quadrados que fica às margens do Complexo Jacú Pêssego, entre os bairros Jardim Ipê, Vila Magini e Paranavaí.


O prazo foi estendido graças à luta dos moradores, que conseguiram um defensor público para representá-los, além do auxílio de vereadores. Ao longo de todos esses anos, porém, muita gente se aproveitou da situação.
"Um advogado veio aqui e disse que ia conseguir as escrituras do terreno pra gente. Pagamos R$ 500 pra ele, que sumiu com o dinheiro", contou a cabeleireira Jaqueline Estevã, 36 anos, 19 deles no Canaã.


A família de Jaqueline chegou na época em que a Associação adquiriu o terreno para lotear. "Pagamos duas prestações, mas depois a coisa desandou e levaram nossos documentos embora."
O vereador Luiz Alfredo Simão (PSB) explicou que, na década de 1990, a associação entrou em acordo com uma empresa para fazer o loteamento da área, que seria dividida em 800 lotes. Cerca de 350 ficariam com as famílias da associação e, o restante, com a empresa responsável pelo loteamento.


"Na hora de aprovar o projeto na Prefeitura, porém, o terreno já tinha sido invadido por mais famílias e ficou esse imbróglio: alguns são invasores e outros têm direito sobre a terra", explicou.

DÍVIDA
A Associação deve R$ 9,5 milhões em IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) à Prefeitura de Mauá que, segundo Simão, tem intenção de ficar com o terreno como forma de quitar a dívida.


No espaço, seriam construídos empreendimentos do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, e as famílias que já vivem no local teriam prioridade. "O problema é que os proprietários avaliam que a área vale R$ 20 milhões, por causa da proximidade do Rodoanel", explicou o vereador.
O advogado da Associação, Oswaldo Nazoni, explicou que o pedido de suspensão da reintegração de posse foi acatado para dar mais tempo às famílias para que procurem outro local. "O que meu cliente quer é que o terreno seja desocupado para seguir com o projeto de loteamento. Mas, se a Prefeitura quiser comprar, essa também é uma possibilidade."

Padre auxilia famílias por conta própria

A Paróquia São Luiz Gonzaga não está na área que pertence à Associação Canaã, mas entrou na luta para auxiliar as famílias que poderão ser removidas pela reintegração de posse. Por conta própria, o padre Cícero Soares da Silva organizou um cadastramento dos moradores para saber quantos vivem no terreno.


É também na igreja que são realizadas as reuniões entre os moradores e os vereadores que auxiliam na causa. "A situação dessas famílias é difícil, eles precisam de um lugar para ir. Se tiverem que sair daqui, ficarão na rua", disse o padre.
Caso da família do coletor de resíduos Valdenon Antonio de Jesus, 38 anos. Ele trabalha em empresa de reciclagem há seis anos, mas se acidentou e foi afastado. Segundo ele, está sem receber o salário de R$ 800 há cerca de três meses porque o perito diz que ele tem condições de voltar a trabalhar, mas o médico da empresa diz que não. "Se tiver que sair, vou morar embaixo da ponte", lamentou.


Jesus admite que invadiu a área. "Mas na época os políticos incentivaram a gente, disseram que ninguém ia mexer aqui, não", justificou-se. O coletor estima que investiu cerca de R$ 30 mil no imóvel, onde vive há 10 anos.
Não é a primeira vez que as famílias do Canaã vivem o medo de ter de abandonar suas casas. Cerca de 200 delas tiveram de deixar o terreno em 2006, quando a Justiça determinou a reintegração de posse de uma das áreas. Na ocasião, as famílias tiveram de ir para a casa de parentes.

 

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