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Bancada do ABC: patrimônio cresce desde 2002


Roney Domingos
Nicolas Tamasauskas
Fabrício Calado Moreira
Do Diário do Grande ABC

31/07/2006 | 07:52


Sete dos nove deputados estaduais do Grande ABC candidatos à reeleição mantiveram ou viram crescer o patrimônio que tinham em 2002 conforme declarações de bens entregues ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Parte dos que ficaram mais ricos atribuem o aumento aos rendimentos a que um parlamentar tem direito: salário líquido mensal de R$ 8,5 mil, verba de gabinete de R$ 16 mil por bimestre, carro com combustível, assessores pagos com recursos da Assembléia Legislativa e até auxílio-paletó de R$ 2.250 anuais.

Orlando Morando (PSDB), por exemplo, calcula que arrecadou aproximadamente R$ 500 mil em vencimentos durante três anos. "Considero que deputado ganha bem. Tenho rendimento líquido anual na ordem R$ 170 mil/ano. Se projetar isso em três anos, o resultado é R$ 510 mil. Levando em conta que sou solteiro, moro com meus pais e sou sujeito de poucas depesas..."

Os que ficaram mais ricos em 2006 na comparação com 2002 afirmam que ao salário adicionaram heranças e dividendos. Giba Marson (PV), cujo patrimônio subiu de R$ 514 mil para R$ 4,7 milhões afirma que apenas atualizou os valores de seus bens. "Se for ver item por item, não houve aumento." A perua Towner 1996 foi depreciada de R$ 7 mil para R$ 4 mil.

Marquinho Tortorello (PPS) contou que no início de 2004 dividiu com o pai, o prefeito Luiz Olinto Tortorello, a compra de imóvel de R$ 300 mil em São Caetano. Antes de morrer, em dezembro do mesmo ano, Luiz Tortorello deu a casa de presente para o filho. O deputado que tinha R$ 280 mil em 2002 agora tem R$ 565 mil.

Os petistas Vanderlei Siraque e Donisete Braga também atribuem o incremento a laços familiares. Os dois afirmam que juntam aos vencimentos mensais o salário das esposas. O patrimônio de Siraque (PT) evoluiu de R$ 88 mil para R$ 522,1 mil. Donisete Braga, cujo patrimônio cresceu de R$ 156 mil para R$ 280,6 mil, enfatiza que está "tudo de acordo com as declarações ao imposto de Renda".

Oriundo de família de comerciantes de São Bernardo, Morando afirma que recebe rendas de aluguel. "Posso dizer que tenho meus rendimentos à parte da política."

Nem todos consideram fácil a vida de parlamentar. Os que ficaram mais pobres afirmam que tiveram de lidar com contratempos diversos, dívidas de campanhas anteriores ou venda de parte dos bens.

É o caso de Ana do Carmo, do PT de São Bernardo, cuja declaração caiu de R$ 125 mil para R$ 115 mil devido à venda de um Fiat Uno. "Tive muita dificuldade. Temos de fazer investimentos, ir para interior, gastar muito com gasolina." Mário Reali (PT), de Diadema, diz sofrer do mesmo problema. "Vendi a Kombi e o Clio para pagar dívidas." José Dilson (PDT), de Santo André, viu a fortuna de R$ 2,5 milhões cair para R$ 764 mil.

"Vendi o Hospital das Nações e a empresa de plano de saúde. Ao entrar na política, acabei deixando de lado as minhas empresas." Dilson não soube explicar porque possui 14 bens declarados em 2006 como sem valor algum – entre os quais cinco apartamentos, três ônibus, uma picape Pajero, terrenos e lotes. O deputado disse que desfez-se destes itens. "Não sou contador e não entendo nada dessa parte."

O único parlamentar cujo patrimônio declarado à Justiça Eleitoral ficou exatamente igual ao de quatro anos atrás afirma que na verdade vendeu uma casa, informação que deverá constar apenas na próxima declaração de bens. Pastor Bittencourt (PTB) disse que foi obrigado a parar de trabalhar em seu escritório de advocacia, onde, afirma, "ganhava muito mais do que como deputado".

As declarações de bens revelam curiosidades a respeito dos gostos dos parlamentares. Donisete Braga incluiu na declaração deste ano uma vaca da raça Red Angus, mantida em condomínio em Botucatu (interior de São Paulo). Marquinho Tortorello conta que tem um carro que ainda não consta da declaração de bens. É um Dodge Dart 1973, pelo qual garante que pagou R$ 800. "É um carro muito destruído, de valor baixinho, que estou reformando e depois a gente regulariza a propriedade", justificou, sobre o fato de não ter contabilizado o veículo. Tortorello revela-se um colecionador de carros antigos – além do Dodge, possui uma picape Ford 1951 e um jipe Willis 1970. "Gosto de comprar esses carros, mexer neles e depois negociar."



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